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Relatório Mundial sobre Drogas 2013

Publicada em : 03/07/2013

Dados apontam crescimento no uso da cocaína e revela preocupação com novas substâncias psicoativas


Na última semana de junho, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou em Viena o Relatório Mundial sobre Drogas 2013. O documento aponta uma estabilidade em nível mundial no uso de drogas tradicionais, enquanto traz como principais desafios para os próximos anos as novas substâncias psicoativas (NSP). De acordo com o coordenador do Setor de Adultos do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD), do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo, Thiago Marques Fidalgo, este é um problema alarmante, pois apesar de serem consideradas lícitas, as NSP não passam por testes de segurança e podem ser muito mais perigosas do que as drogas tradicionais. “As características do produto, entre elas o apelido simpático que ganha nas ruas, como Sais de Banho, Crystal e Krokodyl por exemplo, mascaram os perigos dessa droga, e levam os jovens a acreditar em uma diversão de baixo risco, o que não é verdade”, comenta o especialista.

Segundo o relatório, o número de NSP comunicadas pelos Estados-Membros para o UNODC subiu de 166 no final de 2009 para 251 em meados de 2012, um aumento de mais de 50%. Pela primeira vez, o número de NSP excedeu o índice total de substâncias sob o controle internacional (234). “Essa proliferação deve-se muito aos efeitos da substância no corpo humano, que apresenta um alto potencial viciante se comparado às drogas mais comuns”, opina Thiago Marques Fidalgo.

Entre os resultados apresentados pelo estudo, também é destaque o aumento substancial do uso da cocaína no Brasil, enquanto muitos países sul-americanos registraram diminuição ou estabilidade. “É inegável que nosso país possui diversas vulnerabilidades, como a vasta área de fronteira com as principais nações produtoras, costume da população com drogas em pó, além do extenso litoral que proporciona o tráfico para a África e Europa, por exemplo, o que faz do país não só um destino da mercadoria, mas também uma área de trânsito”, explica Fidalgo. “Para enfrentar essa questão é preciso combater o tráfico, além de realizar um trabalho multidisciplinar com os dependentes, fazendo todo o acompanhamento para evitar recaídas, além de ações de prevenção, principalmente com a população mais jovem”, finaliza o psiquiatra.

Fonte:Atributo Brasil