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Governo Estadual lança incentivo para internação de dependentes de crack

Publicada em : 13/05/2013

Especialistas lamentam que investimento não tenha sido feito prioritariamente na rede ambulatorial


O chamado “Cartão Recomeço”, prevê ajuda financeira mensal para as famílias de dependentes. A "bolsa crack" de R$ 1.350 reais poderá ser sacada apenas para o tratamento em clínicas particulares, inicialmente em dez cidades paulistas.

O objetivo do governo é ampliar a rede de internação, mas especialistas acreditam que a medida é equivocada.

Para o psiquiatra Thiago Fidalgo, coordenador do Programa de Atendimento a Dependentes da Unifesp (PROAD), essa política privilegia a internação ao inés do tratamento ambulatorial e da redução de danos. “Sou contra qualquer política que privilegie a internação. A internação é importante, sim, mas como parte do tratamento e apenas para uma pequena parcela dos dependentes. Mesmo aqueles pacientes que necessitam passar pela internação por um tempo, têm de sair e ter atendimento ambulatorial”, afirma Fidalgo.

Segundo o psiquiatra o investimento deveria ter sido para a rede ambulatorial. “Isso não vale só para drogas. Nem toda doença é tratada com internação. O poder público vende a internação como solução mágica. Alguns familiares de usuários estão tão cansados que querem mesmo isso: solução, mas é importante dizer que não há saída mágica. Pesquisas mostram que entre 80% e 90% dos pacientes vão ter benefício apenas com tratamento ambulatorial”.

O alerta se dá também sobre o custo e a quantidade de reinternações. “Sabemos que a internação compulsória não resolve na maioria dos casos. O paciente precisa estar decidido e querer o tratamento. Outro problema que vejo na proposta é o credenciamento de clínicas particulares. É importante saber quais são elas. Dados mostram que de 70% a 90% dos dependentes apresentam transtorno psiquiátrico. Nem todas as clínicas têm um psiquiatra, quais serão os critérios para credenciamento? Sabemos que as famílias estão angustiadas, mas as políticas não podem ser apenas emergenciais, é preciso oferecer uma rede completa e tratamento eficiente, não apenas internação”, finaliza.

Fonte:Atributo Brasil