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Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil

Publicada em : 15/02/2013

A doença atinge 11 mil crianças brasileiras todos os anos


Atualmente, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos pela leucemia têm chance de cura, caso sejam diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. Índice igualmente alto de cura está relacionado a tumores menos frequentes, como os renais e os linfomas. Portanto, torna-se indispensável que pais ou responsáveis e pediatras atentem para os sintomas.

Outra boa notícia é o avanço que já se obteve na pesquisa das origens das doenças oncológicas, que deve implicar, no futuro, nos meios de tratamento mais dirigidos para brecar a doença em estágio inicial. Além do progresso que o tratamento alcançou nos últimos 50-60 anos, a educação dos profissionais de saúde tem sido aprimorada quanto à detecção precoce e o encaminhamento rápido.

“O câncer na infância representa somente 2% de todos os casos da doença na população em geral. Mesmo assim, a ocorrência traz repercussões impactantes aos parentes e gera angústia e envolvimento de todos os familiares, com consequências emocionais, econômicas, sociais”, avalia o Dr. Paulo Taufi Maluf Júnior (CRM/SP 21.769), do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas e do Hospital Sírio-Libanês.

Os tumores mais frequentes entre 0 e 18 anos de idade são leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os de sistema nervoso central, os linfomas (sistema linfático), e os chamados tumores sólidos, como o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico) e o tumor de Wilms (tipo de tumor renal). Além desses, podem-se enumerar os sarcomas ósseos e de partes moles, o retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumores germinativos (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), e tumores do fígado.

“Para alguns tipos de câncer os resultados não são tão bons e podem ser ainda piores quando nos deparamos com algumas características especiais que agregam perspectivas negativas para as crianças acometidas”, explica o oncologista pediátrico. O câncer é uma doença de origem genética, ou seja, alguns genes especiais sofrem mutações e enviam ordens erradas às células, que iniciam um processo de divisão anormal e acelerada.

Crianças que sofrem de doenças - algumas delas raras - têm maior propensão ao câncer pediátrico. Um exemplo muito conhecido é o da síndrome de Down, cujos portadores têm maior chance de desenvolver leucemia. Síndromes raras, doenças familiares e hereditárias, com tendência à malignidade, também elevam a possibilidade de câncer. É importante salientar que os tumores de retina (retinoblastomas) podem ser hereditários e, quando há história familiar, requisita-se ao oftalmologista o exame especializado do recém-nascido, para identificação em estágio inicial. “Cabe ao pediatra, que sempre é o médico original da criança, reconhecer as doenças e fazer a supervisão adequada para detectar com precocidade o possível câncer a se desenvolver”, orienta o Dr. Paulo.

“Dúvidas ainda pairam sobre o que desencadeia os distúrbios genéticos, sejam eles infecciosos, ambientais, farmacológicos. Muito se especula sobre drogas ilegais ou medicações usadas pela mãe durante a gestão, maléficas para o feto. De todos os estudos realizados, somente o trabalho com pesticidas, por parte da mãe, seria apontado com um pouco mais de segurança como possível fator de risco”, esclarece o oncologista pediátrico.

Estudo publicado este ano procura identificar a interferência de campos eletromagnéticos como causadores do aumento de casos de câncer. A Faculdade de Saúde Publica da USP tem um levantamento semelhante, mas embora possam demonstrar tendências, não se consegue através deles estabelecer uma relação com o rigor que a ciência exige.

“Muito se discute, com razão, o papel potencialmente temerário que a irradiação através de radiografias ou tomografias traz às crianças. Embora de grande importância na prática clínica, esses exames devem ser indicados com parcimônia, pois o efeito cumulativo, a partir de determinado ponto, passa a ser preocupante”, destaca o médico do HC e do Sírio-Libanês.

“Com taxas de cura animadoras, o câncer infantil deixou de ser uma condição fatal e inexorável. Aos pais é altamente recomendado que não negligenciem as visitas ao pediatra, ou que refiram a ele os fatos estranhos observados nas crianças, pois muitas vezes sinais muito tênues podem alertar para investigação mais acurada e, às vezes, diagnosticar tumores de fácil remoção e cura”, conclui o Dr. Paulo Taufi Maluf Júnior.

Fonte:BPG3 Comunicações