Saúde

Home/ Notícias Online/ Saúde/ Documentário mostra o câncer i...

Documentário mostra o câncer infantil no País

Publicada em : 19/10/2012

Filme traz a história de uma médica corajosa que assume o desafio de tratar o câncer infantil no País


A emocionante história real de duas crianças e uma médica, que traz esperança para o tratamento do câncer infantil no Brasil, vira documentário. Os Andrés, dirigido por Ligia Bedini, mostra o desafio da médica Silvia Brandalise que, há 35 anos, se sentiu tocada com o apelo de uma criança de 5 anos com leucemia, contrariou a chefia do Departamento de Pediatria da Unicamp para dar chance de cura aos pequenos com câncer. O filme, da Zanzara Produções Cinematográficas, com apoio do Ministério da Cultura e assessoria cultural da Direção Cultura, será lançado no dia 22 de outubro, às 21 horas, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.

O documentário traz nos depoimentos dos protagonistas e de seus familiares o relato de como se estabeleceu esse marco importante no tratamento do câncer infantil no país. Naquela época, a chance de cura não existia, era de menos 5% e passou para 80% nos dias de hoje. O encontro dos personagens acontece em 1977, quando os dois Andrés são atendidos pela médica.

A doutora Silvia conta no filme, que naquele ano, como chefe da Enfermaria Pediátrica, inconscientemente selecionava as patologias que desejava atender. Duas delas excluía: a hematologia e a oncologia. Fazia isso porque sofria muito ao se deparar com crianças com câncer, pois sabia que elas iriam morrer. Quando aparecia um caso relacionado a essas especialidades, encaminhava para outros profissionais.

Mas estava internado na UTI Pediátrica um menino de 5 anos, de nome André Z., justamente com leucemia. Eu fui chamada a atender o paciente, mas me recusei por ser caso de hematologia. Mas diante dos apelos de ajuda da residente que estava cuidando do menino, percebi que não havia outro jeito a não ser ir vê-lo. De início, julguei inadequados vários procedimentos prescritos e dei nova conduta ao caso.

O paciente reagiu bem. A mãe Vera Z. a procurou pedindo que ela acompanhasse o tratamento do seu filho. A doutora disse que ela deveria procurar profissionais de São Paulo e do exterior e indicou alguns de seus ex-professores da Escola Paulista de Medicina, como o dr. Rhomes Amin Aur, renomado médico de Memphis, nos Estados Unidos.

As cenas do filme, intercaladas com uma linguagem de passado e presente, exibem imagens dos ambientes coloridos do Centro Infantil Boldrini, maior hospital especializado no tratamento de câncer infantil e doenças do sangue da América Latina. O documentário mostra ainda a atenção desta médica, que precisou viajar com a mãe do André para os EUA, pressionada diante da responsabilidade pelo futuro daquela criança. 

O doutor Rhomes, do St. Jude Children’s Research Hospital, atendeu André, que já não tinha mais chances de cura, e sugeriu à doutora Silvia que cuidasse das crianças com leucemia no Brasil. Ela recusou a proposta, mas mesmo sem o compromisso ele lhe entregou o Protocolo VIII sobre o tratamento de leucemia na infância, utilizado no St. Jude, um documento com os resultados de pesquisas e o conjunto de recomendações adequadas no tratamento desse tipo de doença.

Ainda nos EUA, a mãe Vera Z. disse para a doutora que sabia que o filho iria falecer. Mas pediu que a doutora passasse a cuidar de crianças com a doença do André, a leucemia. Assim como no passado, emocionada, a doutora conta que embora com o coração batendo rápido e lágrima nos olhos, respondi-lhe: “Não posso, não quero”. A médica conta que tinha cumprido o seu compromisso com a família e que pensava nunca mais se envolver com pacientes com leucemia ou câncer.

Mas de novo a vida lhe colocou diante de uma situação que a doutora não desejava. Poucos meses depois, surgiu no seu caminho o André M., um outro menino de 5 anos, sobrinho de uma residente da pediatria, que ela encaminhou para tratamento em São Paulo, onde o diagnóstico de leucemia não foi inicialmente confirmado.

A doutora Silvia tinha lido o Protocolo VIII e enviou amostras de sangue do paciente ao laboratório de Memphis, que confirmou o diagnóstico de leucemia. A médica foi a São Paulo conversar com o profissional que cuidava de André, mas a equipe continuou com os mesmos procedimentos. A médica ligou para o dr. Rhomes, que lhe sugeriu cuidar do André de acordo com o Protocolo VIII ou deixar que os profissionais de São Paulo o fizessem.

Determinada a não assumir esse caso, aconteceu o improvável. Na semana seguinte, o André M. veio me ver, em companhia da mãe, dizendo que tinha um pedido importante a fazer. Ele disse: “Quero que você cuide de mim”. Expliquei a ele que não poderia, pois não conhecia quase nada sobre sua doença, e que o médico de São Paulo era especialista em leucemia. Mas ele começou a chorar, e o apelo daquele menino de 5 anos, de mãos postas, me pedindo que cuidasse dele, foi decisivo para que eu mudasse de ideia. Finalmente, eu respondi: “Pare de chorar. Vou cuidar de você”.

O filme mostra também a história do Amilton, paciente com leucemia de 11 anos. Se os dois Andrés foram importantes para a criação do Boldrini, o Amilton, internado na Santa Casa, que era vinculada à Unicamp, ajudou a doutora Silvia compreender a importância das acomodações dentro do hospital não só para os pacientes, mas também para os familiares. O paciente Amilton ensinou o quanto o estímulo à autoestima da criança e ao bem-estar de sua família são importantes para sua recuperação. Amilton tentou o suicídio. Os motivos? Sentia-se triste no austero ambiente hospitalar que o cercava e não suportava mais ver sua mãe dormir no chão do hospital para poder ficar perto dele.

A doutora Silvia conta no filme que fez um acordo com o paciente Amilton: eu prometi construir um hospital bonito, com jardins e acomodação para todas as mães, em troca da promessa de que ele nunca mais tentaria o suicídio. O acordo firmado naquele dia orientou o projeto arquitetônico do Boldrini, que possui espaços amplos, jardins e quartos com acomodação para acompanhantes.

Centro Infantil Boldrini - maior hospital especializado na América Latina, localizado em Campinas, que trata crianças e adolescentes com câncer e doenças do sangue. Atualmente, o Boldrini trata cerca de 7 mil pacientes de diversas cidades brasileiras e alguns de países da América Latina, a maioria (80%) pelo SUS. www.boldrini.org.br

Silvia Brandalise - Há 35 anos dedica-se ao tratamento do câncer infantil e doenças hematológicas. Implantou e coordena até hoje o Protocolo Brasileiro de Tratamento da Leucemia Linfoide Aguda da Criança. Ela publicou 71 artigos em periódicos especializados em Onco-hematologia pediátrica como autora e/ou co-autora, e 1.537 trabalhos em anais de congressos nacionais e internacionais. 

Um deles, em 2009, na revista científica Journal of Clinical Oncology, com uma proposta brasileira de modificação da terapia desse tipo de leucemia, com excelentes resultados de sobrevida, menores taxas de efeitos colaterais (toxicidades) e maior aderência ao tratamento. Mais recentemente, em 2011, a revista Nature, publicou trabalho do seu grupo de Biologia Molecular, sobre a leucemia T, demonstrando, de modo pioneiro, o papel do PTEN e da IL7 na etiopatogenia dessa doença.

Recebeu 85 prêmios, homenagens e reconhecimentos no Brasil e no exterior. Descobridora de doença que leva seu nome: Síndrome Brandalise, homenagem prestada pelo doutor Jon Pritchard, do Hospital de Londres Great Ormond Street Hospital for Children.

Em dedicação exclusiva à Pediatria, fundou o Boldrini junto com o Clube das Ladies de Campinas, e construiu o hospital com auxílio de doações da Sociedade campineira. Assim surgiu o Centro Boldrini e foi implantado o primeiro Protocolo Brasileiro de tratamento da LLA, que modificou a história dessa leucemia no Brasil: de menos 5% de cura (antes de 1978), passou a 70%-80% de cura nos dias de hoje

Fundadora do Cipoi (Centro Integrado de Pesquisas Oncohematológicas) da Unicamp em Campinas, há 20 anos implantou o Programa de Triagem Neonatal, a partir de uma lei municipal, com a realização do exame do pezinho para diagnóstico precoce da anemia falciforme. Cerca de 4 mil bebês da macrorregião de Campinas passam mensalmente por esse teste. 

Na chefia do serviço de hematologia e oncologia pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a doutora Silvia Brandalise encontra no mundo acadêmico e de pesquisa os ingredientes importantes para os resultados promissores dessa nova tarefa: disseminar conhecimentos e novas tecnologias na área do câncer da criança e do adolescente não somente ao Brasil, mas em outros países da América do Sul e América Central.

A doutora Silvia Brandalise se destaca na área da leucemia da criança, fundou e dirige a Sociedade Latino-Americana de Oncologia Pediátrica (Slaop). Desde 2008 a doutora Silvia integra um grupo internacional de pesquisas na Organização Mundial da Saúde (OMS), onde discute políticas públicas de prevenção e controle do câncer da criança e do adolescente. A doutora Silvia é membro do International Childhood Cancer Consortium (I4CCC), liderado pelos Estados Unidos (NCI/NIH), Austrália, Inglaterra e China.

No final de 2011, a doutora Silvia Brandalise foi eleita como presidente da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (Siop) para a América Latina. No início de maio 2012, nos Estados Unidos, a oncologista Silvia Brandalise foi conduzida ao cargo de Presidente Internacional da Sociedade Americana de Hematologia e Oncologia Pediátrica (ASPHO).

Serviço
Lançamento do documentário Os Andrés
Direção de Ligia Bedini - Zanzara Produções Cinematográficas
Data: 22 de outubro
Horário: 21horas
Local: MIS − Museu de Imagem e Som
Endereço: Avenida Europa, 158 − Pinheiros − São Paulo
Telefone: (11) 2117-4777

Fonte:Singular Comunicação