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Mutirão do coração

Publicada em : 17/08/2012

Incor tem mutirão inédito contra malformação cardíaca


O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, unidade da rede pública estadual e maior complexo hospitalar da América Latina, promove a partir deste sábado, 18 de agosto, o primeiro mutirão para tratamento de malformação congênita do coração. Os procedimentos serão realizados no Instituto do Coração (Incor), ligado ao HC.

Pelos próximos três finais de semana uma equipe de 30 médicos e 20 profissionais de enfermagem do Incor-HC-FMUSP atenderão a 40 pacientes, entre adultos e crianças, que passarão por implante de prótese cardíaca por cateterismo para correção total de suas malformações congênitas.

Cada procedimento dura, em média, uma hora, com o paciente sob anestesia, e requer 24 horas de recuperação com internação hospitalar. Na cirurgia convencional, a intervenção tem cinco horas de duração e exige até sete dias de recuperação hospitalar.

O mutirão será realizado das 8h às 18h, aos sábados e das 8h às 13 horas, aos domingos. A iniciativa, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, será uma oportunidade para alertar a população sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoce das malformações do coração.

As famosas faltas de ar para caminhar ou subir escadas e a popular “batedeira no peito” podem ser sintomas de diversos problemas no coração, entre os quais as malformações congênitas.

Trata-se de um mal que acomete de 6 a 8 crianças entre 1.000 recém-nascidos, podendo levar, inclusive, à insuficiência cardíaca e, em casos mais graves, à necessidade de transplante de coração ainda nos primeiros anos de vida. No entanto, grande parte das pessoas pode levar anos sem ter conhecimento de que tenham este problema, até surgirem os primeiros sintomas de agravamento.

“Essa iniciativa é de grande relevância, não só por ser a primeira vez que é realizado um número tão grande dessas intervenções no Incor num único ciclo, como também pelo fato de a técnica a ser utilizada ser menos invasiva do que a cirurgia tradicionalmente empregada nesses casos”, diz Roberto Kalil Filho, diretor da Divisão de Cardiologia da instituição.

O cateterismo intervencionista é hoje uma opção ao tratamento cirúrgico, principalmente em pacientes a partir dos cinco anos de idade em que a comunicação interatrial congênita (CIA), caracterizada como um defeito em forma de orifício, está localizada na porção central do septo, a parede que separa os átrios esquerdo e direito do coração. “Quando há outras malformações congênitas associadas, a correção da CIA por cateter pode ser utilizada em complementação a outras técnicas cirúrgicas corretivas”, explica Pedro Lemos, diretor do Serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do Incor e coordenador do mutirão.

Diagnóstico precoce
O Incor é o maior centro de tratamento de cardiopatias congênitas de alta complexidade no Brasil. A cada ano o instituto realiza cerca de 800 cirurgias de correção desse tipo, das quais 15% delas de CIA. “É importante que o diagnóstico seja feito o quanto antes, pois, dessa maneira, é possível ao médico planejar o melhor momento e o tipo de tratamento para cada paciente”, explica o cardiologista Edmar Atik, diretor da Unidade Clínica de Cardiopediatria e Congênitos do Incor.

O diagnóstico de CIA inclui avaliação clínica para detecção de sopro cardíaco - auscultado habitualmente pelo pediatra -, ou ainda aliado a sintomas de cansaço em decorrência de esforços, predisposição a infecções respiratórias repetidas e deficiência em ganhar peso, dentre os principais.

O ecocardiograma transtorácico e transesofágico confirmam, respectivamente, o diagnóstico e os detalhes da anatomia do defeito no septo, a fim de se instituir a melhor tática de tratamento, seja ela cirúrgica ou por cateterismo.

Fonte:Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo