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Número de mulheres acima dos 50 anos com fraturas vertebrais chega a 3 milhões no Brasil

Publicada em : 13/06/2012

Pesquisa divulgada hoje pela International Osteoporosis Foundation (IOF) revela ainda que o número de fraturas de quadril no país vai aumentar 32% até 2050

A International Osteoporosis Foundation (IOF), maior entidade não governamental do mundo dedicada à prevenção, diagnóstico e tratamento da osteoporose, divulgou hoje o primeiro relatório regional sobre a situação da doença que já atinge uma em cada três mulheres com mais de 50 anos. A auditoria “Osteoporose na América Latina: epidemiologia, custos e relevância da osteoporose em 2012” foi realizada em 14 países (Brasil, Chile, Argentina, México, Uruguai, Peru, Venezuela, Cuba, Costa Rica, Colombia, Bolívia, Nicaragua, Panama e Guatemala). Para mais informações sobre o estudo, acesse o site www.osteoporosisinlatinamerica.com (inglês/português/espanhol).

De acordo com a pesquisa, o número de mulheres acima dos 50 anos com fraturas vertebrais já chega a 3 milhões no Brasil. A maioria dessas mulheres sequer possui o diagnóstico para osteoporose, doença que atinge uma em cada três mulheres na pós-menopausa. O relatório prevê também uma explosão no número de fraturas por fragilidade decorrente da osteoporose nas próximas décadas.

Considera-se que a osteoporose, uma doença que enfraquece os ossos e os torna mais suscetíveis a fraturas, afete em torno de 33% das mulheres após a menopausa no Brasil.

Fraturas decorrentes de osteoporose afetam principalmente adultos mais velhos, com as fraturas na coluna e quadril provocando maior sofrimento, incapacidade e despesas de saúde.

Atualmente, em torno de 20% da população brasileira têm 50 anos de idade ou mais e 4,3% estão acima de 70 anos. Com uma expectativa de vida prevista para chegar a 80 anos em 2050, estima-se que a população total aumentará para 260 milhões de pessoas. Em torno de 37% terão então mais de 50 anos de idade e 14% (em torno de 36 milhões de pessoas) 70 anos ou mais.

Essas projeções servem como um alerta urgente para as autoridades de saúde bem como para as instituições sociais que atendem os idosos. No Brasil, em torno de 153 a 343 fraturas de quadril ocorrem em cada 100 mil pessoas de 50 anos ou mais. Atualmente estima-se que ocorram 121.700 fraturas anuais de quadril e prevê-se que os números aumentem em 16% em 2020 e 32% em 2050.

As fraturas de quadril são uma causa importante de sofrimento, incapacidade e morte precoce em idosos. Vários estudos internacionais mostram que em torno de 20% das vítimas de fratura do quadril morrem no período de um ano após a fratura, mas um estudo que avaliou pacientes em vários hospitais do Rio de Janeiro revelou que 35% dos doentes morreram durante a internação ou logo após a alta hospitalar. Frequentemente os pacientes que sobrevivem a uma fratura de quadril permanecem inválidos e perdem a capacidade de ter uma vida produtiva e independente, tornando-se assim um peso para a família ou acabam transferidos para atendimento hospitalar em vários casos.

Segundo o ginecologista Bruno Muzzi, Presidente da Associação Brasileira da Avaliação da Saúde Óssea e Osteometabolismo (ABrASSO), a osteoporose e as fraturas por fragilidade tornaram-se uma questão de saúde que requer atenção imediata. “Precisamos implantar medidas de alcance nacional para a prevenção precoce e, ao mesmo tempo, assegurar que as pessoas em risco – especialmente as que já sofreram uma fratura – sejam diagnosticadas e tratadas adequadamente para prevenir novas fraturas futuras. Essa é a única maneira de reduzir a crescente onda de custosas fraturas”, explica Muzzi.

Principais achados
A pesquisa foi preparada pela IOF em colaboração com as sociedades médicas associadas. O estudo inclui dados de 14 países em toda a América Latina e revela as seguintes descobertas mais importantes no Brasil:
· · Um estudo de 2010 com mais de 4.300 mulheres com 50 anos ou mais indicou que 11,5% tinham algum tipo de fratura decorrente de osteoporose e que 33% eram portadoras de osteoporose.
· · Estima-se que 2,9 milhões de mulheres brasileiras acima de 50 anos podem ter fraturas vertebrais, a maioria sem diagnóstico e sem tratamento. Fraturas vertebrais provocam dor e incapacidade, frequentemente resultando em uma coluna encurvada.
· · A vitamina D, produzida na pele a partir da exposição à luz solar, é essencial para a força dos ossos e dos músculos. Ainda assim, apesar do clima ensolarado no Brasil, a deficiência de vitamina D é largamente disseminada em toda a população. Em um estudo recente 60% dos adolescentes saudáveis participantes não apresentavam a quantidade adequada de vitamina D.
· · O custo de tratamento de fraturas é enorme e crescente. O custo direto aproximado de tratamento de uma fratura de quadril no Brasil varia de R$ 7.800,00 a R$ 24.000,00 em hospitais particulares, com hospitalização média de 11 dias. Isso não inclui os custos indiretos associados com o tratamento pós-fratura, reabilitação, perda de produtividade e necessidade prolongada de assistência de saúde.
· · Como em outros países ao redor do mundo, há um problema disseminado de subdiagnóstico e subtratamento, mesmo após uma fratura. Uma fratura por fragilidade indica um alto risco de fraturas futuras e deve ensejar uma avaliação imediata quanto à osteoporose. Entretanto, um estudo mostrou que de 123 vítimas de fratura de quadril hospitalizadas, nenhum único paciente recebeu alta hospitalar com encaminhamento para realizar exames de densitometria óssea ou tratamento para osteoporose.
· · A diferença entre urbano e rural reflete tanto na incidência de fraturas quanto no acesso ao diagnóstico e tratamento. Há uma incidência mais alta de fraturas entre mulheres vivendo em cidades do que em áreas rurais. Por outro lado, pessoas vivendo em áreas rurais frequentemente não têm acesso à densitometria óssea para diagnóstico.

O lado positivo é que o Brasil é um dos poucos países da América Latina que declarou a osteoporose como prioridade nacional de saúde pública. O Professor Cristiano Zerbini, membro da Diretoria da IOF e Diretor do Centro de Pesquisa Clínica Paulista, em São Paulo, comentou que “os pesquisadores brasileiros e profissionais de saúde estão trabalhando para encontrar respostas ao problema da osteoporose e doenças musculoesqueléticas correlatas. Por exemplo, um importante novo estudo multicêntrico prospectivo, BRAVOS (sigla em inglês do Estudo Brasileiro de Osteoporose Vertebral), irá reunir dados epidemiológicos muito úteis de seis centros de pesquisa em todo o país. Esperamos que esses dados levem ao desenvolvimento de um modelo de Avaliação do Risco de Fratura (FRAX) do tipo do da OMS – uma ferramenta que facilita a identificação de pessoas com alto risco de fratura. Entre outros passos necessários, esta seria uma importante conquista nos nossos esforços para reduzir o peso de futuras fraturas”.

Os autores do relatório da Auditoria pedem que haja mais campanhas de conscientização, programas de treinamento de osteoporose para médicos, melhor acesso a diagnósticos e tratamento mais baratos e mais pesquisa epidemiológica.

O Presidente da IOF John A. Kanis disse que “A IOF se junta aos médicos brasileiros e às sociedades de pacientes para canalizar os recursos de cuidados da saúde em direção à prevenção e atendimento às doenças musculoesqueléticas relacionadas com a idade e fraturas por fragilidade. Isso é um investimento importante no futuro do Brasil”.
 

Fonte:Tino Comunicação