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SP ganha 1º serviço especializado em internação de grávidas dependentes de crack

Publicada em : 25/04/2012

Com investimento aproximado de R$ 700 mil ao ano, unidade estadual no Hospital Psiquiátrico Lacan oferecerá 10 leitos para gestantes, com acompanhamento clínico, psiquiátrico e obstétrico

A Secretaria de Estado da Saúde inaugurou nesta terça-feira, 10 de abril, o primeiro serviço especializado no tratamento de gestantes com dependência química no Estado de São Paulo. São 10 novos leitos de uso exclusivo para grávidas, na clínica estadual mantida pela pasta no Hospital Psiquiátrico Lacan, em São Bernardo do Campo.

Com investimento aproximado de R$ 700 mil ao ano, o novo serviço proporcionará às gestantes com dependência química acompanhamento clínico, psiquiátrico e obstétrico. Para ocorrências de maior complexidade, também contará com o respaldo de atendimento do Hospital Geral de Diadema.

“A criação do novo serviço foi feito a partir da observação de um aumento considerável de mulheres que, em razão da dependência, acabavam se prostituindo ou ficando em situação de vulnerabilidade”, afirma Sérgio Tamai, coordenador de Saúde Mental da Secretaria.

Para ser encaminhada ao novo serviço, a gestante deve procurar voluntariamente o Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), órgão da Secretaria localizada na região central da capital paulista, para passar por processo de triagem. O médico indicará a necessidade de internação, cujo período será variável, conforme a recomendação terapêutica proposta pela unidade.

Além dos 10 leitos exclusivos para internação de gestantes com dependência química, o Hospital Psiquiátrico Lacan também oferece outros 70 leitos especializados para o tratamento de intoxicação a adultos, de ambos os sexos.

Nos próximos dois anos a Secretaria irá investir cerca de R$ 250 milhões para implantação de 710 novos leitos de internação para dependentes em álcool e drogas no Estado de São Paulo. Entre os projetos, está em fase de implantação mais 15 leitos especializados para tratamento de gestantes em Itapira, no Instituto Américo Bairral.
Em março, o Cratod, na capital, passou funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, incluindo feriados. Nove leitos de observação foram disponibilizados para atendimento de casos agudos. Agora os dependentes em álcool e drogas que necessitarem de observação por um período maior de tempo não precisarão ser transferidos para outros serviços, como ocorria quando o Cratod fechava, no período da noite a madrugada.

Pesquisa
Levantamento inédito produzido pela Secretaria na maternidade estadual Leonor Mendes de Barros apontou aumento do número de mães dependentes de crack e cocaína que perderam a tutela de seus bebês em razão do vício.

Por meio do serviço social, o hospital encaminhou em 2011, para a Vara da Infância e Juventude, 52 crianças cujas mães não tinham condições de manter a guarda do filho em virtude da dependência química.

Esse aumento foi progressivo no decorrer dos anos. Em 2007 houve apenas um caso. Em 2008, 15 crianças foram encaminhadas à Vara da Infância e Juventude. Já em 2009 foram 26 casos, e em 2010, 43.

Outros três hospitais estaduais da capital apresentaram também casos de bebês encaminhados ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância em 2011 em razão de dependência química das mães. Foram 13 ocorrências no Hospital Geral de Pedreira, 14 no Hospital Geral de São Mateus e 32 no Hospital Estadual de Sapopemba.

 

Fonte:Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo