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Sacolas Plásticas

Publicada em : 05/05/2016

Plano de coleta da prefeitura de São Paulo fracassa

Divulgação
A decisão dos supermercados de cobrarem pelas sacolas plásticas, através da APAS e em acordo com o PROCON/SP, prejudica o consumidor e causa impactos sanitários e ambientais, além de prejudicar a reciclagem na cidade de São Paulo.


A prefeitura de São Paulo admite que a meta de reciclagem na cidade, que era de 10%, está longe de ser atingida (está hoje somente em 2,5%). E muito disso se deve à cobrança das sacolas pelos supermercados do município.

Por determinação da Associação Paulista de Supermercados (APAS), com o apoio do PROCON/SP, os supermercados passaram a cobrar pelas sacolas plásticas na cidade. O resultado foi uma redução anunciada e comemorada pelas APAS de 70% no consumo de sacolas plásticas. Porém, este número só beneficia economicamente os supermercados, trazendo prejuízos ao consumidor e ao meio ambiente.

É hábito de mais de 90% das pessoas reutilizar as sacolas plásticas para descartar o seu lixo doméstico. Se as sacolas – que hoje, inclusive, são feitas nas cores verde e cinza e contam com mensagens de incentivo à coleta seletiva dos resíduos – continuassem a ser distribuídas gratuitamente à população pelos supermercados, a sociedade poderia estar muito mais engajada na separação dos recicláveis, que chegariam em quantidade suficiente às centrais de triagem da prefeitura, que hoje estão ociosas.

Pesquisa Datafolha de 2015 já apontava que 83% da população paulistana não pagariam pelas sacolas verde e cinza e 87% desejavam que o PROCON/SP lutasse pela gratuidade das sacolas plásticas. Esses números não foram considerados pelo Poder Público.

“Infelizmente, as autoridades deram as costas para o consumidor e para o meio ambiente. O PROCON/SP assinou acordo com a APAS para a venda das sacolas, única interessada na cobrança deste produto, que ocorre em duplicidade. Já a prefeitura se esquivou ao longo do processo, pois deveria ter proibido a venda das sacolas. Só assim garantiria o sucesso do seu próprio projeto de reciclagem”, afirma Miguel Bahiense, presidente da Plastivida.

“Não foi por falta de aviso”, continua Bahiense, “mas o fato é que hoje os frutos colhidos por esses movimentos equivocados do poder público são péssimos para o consumidor, que tem claros prejuízos financeiros e, pior ainda, para o meio ambiente.”

Sem as sacolas, a cidade de São Paulo está mais suja e a coleta de recicláveis (e mesmo do lixo comum) não acontece a contento, pois a população não tem mais acesso às sacolas, seja por falta de recursos, seja por não aceitar pagar mais uma conta. “Há lixo jogado nas ruas, a reciclagem não decola e isso tudo contribui para sérios problemas sanitários e de meio ambiente”, conclui Miguel Bahiense.

A população já vem pagando a alta conta da inflação, da queda do ritmo da economia e do desemprego. Agora, com a cobrança, há prejuízo claro às pessoas e ao meio ambiente e tudo isso somente para o benefício dos supermercados. Estudo realizado pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) revelou que, sem sacolas gratuitas, as famílias passam a ter um aumento de gastos mensais com embalagens (sacolas, sacos de lixo e sacolas retornáveis) de 146,1%, o equivalente aos custos com o arroz e o feijão no orçamento doméstico.

Ainda segundo o presidente da Plastivida, é necessário o incentivo às boas práticas de consumo e descarte correto e somar a isso a gestão dos resíduos. A consequência será benéfica e imediata: aumento da reciclagem. Um exemplo que deu certo acontece há quase três anos no Rio Grande do Sul, onde a questão das sacolas plásticas é tratada com o envolvimento da população, setor público e privado, varejo e também da associação de supermercados local.

No estado do Rio Grande do Sul, a Lei n° 13.272/09 proíbe o uso de sacolas fora das especificações da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Com uma sacola mais resistente e de qualidade há, naturalmente, redução do desperdício, já que não é necessário se colocar uma dentro da outra para ter segurança no transporte das compras, e estímulo à reutilização. A população gaúcha foi beneficiada, ainda, com o programa de educação ambiental “Sacola Bem Utilizada Ajuda O Meio Ambiente”, que fomenta o uso responsável, as boas práticas de reutilização, o descarte correto das sacolinhas e sua reciclagem.

“Entendemos a necessidade da preservação ambiental, inclusive apoiamos e realizamos iniciativas que ampliem o consumo consciente de qualquer produto para evitarmos o desperdício. Mas essas ações não podem prejudicar o consumidor nem o meio ambiente, apenas em benefício de supermercados. O consumidor é parte fundamental do processo de reciclagem e tem que ser convidado a integrar o movimento e não somente a pagar a conta. A chave nunca será o banimento ou a taxação/cobrança, mas sim a educação ambiental”, afirma Bahiense. E conclui: “nesse sentido, a cidade de São Paulo retrocede.”

Fonte:M.Free Comunicação