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Crimes com armas de fogo nos Estados Unidos reduzem 49%

Publicada em : 24/05/2013

Pesquisa americana afirma que país apresenta o menor índice de homicídios das últimas duas décadas


Uma pesquisa realizada pela Pew Research Center revela que o número de crimes por arma de fogo nos Estados Unidos reduziu de sete homicídios por 100 mil habitantes em 1993 para 3,6 em 2010. Comparando 2003 com 2010, a taxa foi 49% menor, apesar de a população ter crescido neste período, chegando a patamares somente vividos em 1960.

Os crimes contra propriedade e roubo de carros, registrados entre 1993 e 2010, apresentaram queda de 61%, e a taxa de vitimas por outros crimes violentos como assaltos, roubos e crimes sexuais, foi 75% menor em 2011 do que em 1993. De acordo com o Congressional Research Service, desde 1968, a taxa de armas de fogo nas mãos de civis nos EUA dobrou. São cerca de 310 milhões de armas, quase uma por pessoa.

Entretanto, o estudo aponta que a maioria dos norte-americanos não tem a percepção desses índices. Atualmente, 56% dos cidadãos acreditam que o crime com arma de fogo é maior do que há 20 anos e apenas 12% acham que é menor.

O debate sobre a violência armada nos Estados Unidos voltou a ganhar notoriedade mundial depois que um homem armado matou 20 crianças e seis adultos em uma escola primária de Connecticut, em dezembro.

Apesar do terrível episódio, Connecticut nunca foi uma região violenta. Em todo o ano de 2010, teve menos de 150 assassinatos, e a pequena cidade de Newton, onde ocorreu o massacre, tem em média dezesseis crimes violentos por ano, e apenas um homicídio.

Além disso, a pesquisa da Pew Research Center demonstra que ataques em massa representam uma parcela relativamente pequena do índice geral de homicídios. Segundo os dados do Bureau of Justice Statistics, os homicídios envolvendo ao menos três vidas representaram menos de 1% de todas as mortes por homicídio no período entre 1980 e 2008.

Essas tragédias têm como característica comum o fato de serem extremamente planejadas e acontecem em locais onde os frequentadores não podem entrar armados, as chamadas “gun-free zones”, ou “áreas livres de armas”, como cinemas, escolas e universidades. Os massacres registrados em outros países como Brasil, Japão, China e Inglaterra, também foram realizados nesse tipo de local e a escolha criteriosa para os ataques se deve ao fato de não haver chance de reação da vítima.

No Brasil, na chacina de Realengo em 2011, o assassino das doze crianças somente parou quando foi baleado por um policial que invadiu a escola. Já na chacina ocorrida em Virginia Tech em 2007, a liberação para que alunos e professores pudessem frequentar o campus armados entrou em discussão, isso porque a investigação demonstrou que, se isso fosse uma realidade, o ataque poderia ter cessado na primeira ou, no máximo, segunda vítima atingida pelo assassino.

A favor do desarmamento, o presidente dos EUA, Barack Obama apoiou recentemente a adoção de medidas mais rigorosas para os interessados em comprar armas e a proibição de armas de assalto e da venda de carregadores de alta capacidade. As medidas foram rejeitadas no dia 17 de abril pelo senado americano com 54 votos a favor e 46 contra, resultado abaixo dos 60 votos necessários para ser aprovada. Segundo os opositores ao controle de armas, “os criminosos não se submetem à checagem de antecedentes e também não vão se submeter a checagens mais amplas”. Atualmente, a checagem é obrigatória apenas para a venda em lojas licenciadas.

Para o especialista em segurança pública e presidente do Movimento Viva Brasil, Bene Barbosa, recorrer a restrições e ao desarmamento é fugir para o simplismo. ”Não podemos apelar para o confortável discurso que joga nas armas o poder sobrenatural de agir por conta própria. É preciso considerar a existência de pessoas más e insanas, capazes de matar cidadãos inocentes sem qualquer remorso ou arrependimento. Os loucos e criminosos ignoram a existência de leis restritivas”, afirma.

Barbosa também considera que para a maioria dos norte-americanos a ideia de não ter defesa, inclusive contra o Estado, é algo inaceitável. “É uma raiz histórica do país, advinda de seus fundadores, que na  própria constituição garantiram que isso jamais deveria acontecer”.

Brasil: sexto país mais violento do mundo

O Brasil instituiu em 2003 o Estatuto do Desarmamento, que mantém regras rígidas e burocráticas para o porte e posse de armas, e também promove constantes campanhas de desarmamento, em que mais de 600 mil armas de fogo foram entregues voluntariamente. Entretanto, as restrições e a redução no comércio de armas de fogo legais no país ao longo dos últimos anos não foi capaz de reduzir a criminalidade uma vez que seu número aumentou neste mesmo período.

De acordo com o Mapa da Violência, em 30 anos, as mortes por armas de fogo no Brasil aumentaram 346%, sendo o sexto país mais violento do mundo com uma taxa de 26 homicídios em 100 mil habitantes.

Segundo Barbosa, desarmar o cidadão de bem não é a solução para a redução da violência. "O Brasil tem, reconhecidamente, uma das legislações sobre armas de fogo mais restritivas do mundo, o que mostra não haver fundamento para tratar uma possível facilidade do cidadão ao acesso a elas como causa da violência. Já os Estados Unidos vêm obtendo decréscimo de homicídios, alcançando em 2011 a menor taxa em cinquenta anos, e apesar disso é um país com grande número de armas nas mãos dos cidadãos", ressalta.

Não há um consenso sobre as razões para o declínio dos homicídios, porém entre as possíveis causas apontadas pelo estudo está o policiamento, as políticas de punição, cultura e economia.

Para Barbosa, a causa principal da violência homicida é a impunidade. "No Brasil, menos de 8% dos crimes de morte são elucidados, e é aí que são necessários esforços do poder público. De nada adianta restringir armas para o cidadão comum, que somente as usa para se defender, quando o forte tráfico ilegal de armas e as mortes que ele alimenta não são punidas. É um erro grave, no qual vem se insistindo há mais de uma década, trazendo como resultado um número cada vez maior de homicídios".

Fonte:Imagem Corporativa