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Três em cada cinco comerciantes não se preparam para a Copa das Confederações

Publicada em : 26/04/2013

SPC Brasil revela que, apesar de esperarem um aumento médio de 28% nas vendas, varejistas sofrem com a falta de apoio governamental e de oferta de crédito


Pesquisa inédita encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que 59% dos comerciantes brasileiros não vêm se preparando para receber a Copa das Confederações, cuja abertura está marcada para junho deste ano. Entre os empresários que estão se preparando, 42% respondeu que começou os preparativos há menos de três meses. O estudo foi realizado junto a varejistas e prestadores de serviços das seis cidades-sede do evento e revela percepções do empreendedor brasileiro sobre o nível de capacitação do próprio setor, a qualidade da infraestrutura do país para receber o evento e as expectativas sobre o perfil do consumidor estrangeiro.

A pesquisa mostra que os motivos mais citados entre os comerciantes que não vêm se prepararando para o evento são a falta de retorno para o negócio (27%), a ausência de capital para investimento (14%) e a carência de apoio governamental (13%). Entre os varejistas que vão investir no próprio estabelecimento, a maioria (77%) teve que usar dinheiro do próprio bolso e somente 20% tomaram empréstimo em bancos. “É inaceitável que oferta de crédito no Brasil ainda seja direcionada para o grande empresário, sendo que 95% do comércio brasileiro é composto por micro e pequenas empresas. Os empréstimos não alcançam os pequenos, porque as taxas de juros oferecidas são caras e o acesso ao crédito é extremamente burocrático”, explica o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior.

Embora o levantamento revele que 83% de todos os varejistas entrevistados acreditam que Copa das Confederações trará novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios, a maioria (84%) dos comerciantes nunca participou de palestras ou treinamentos de capacitação no atendimento ao turista. “Apesar de toda publicidade do governo sobre uma política de treinamento e capacitação, o resultado que chegamos é de que o empreendedor não está sendo alcançado por esses programas”, avalia o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.

Preparativos para a Copa das Confederações
Entre aqueles empresários que estão se preparando para a Copa das Confederações, as principais ações-foco são: treinamento da equipe (51%), ampliação de estoque (42%) e aumento da variedade de produtos e serviços ofertados (37%). “Com a perspectiva de aumento da demanda durante a Copa das Confederações, os empresários buscam se atualizar com questões relacionadas à capacitação de sua equipe e à oferta de mercado”, explica Roque Pellizzaro Junior.

Consumidor que vem por aí

Ao compararmos o comportamento dos turistas em relação ao dos atuais clientes brasileiros, os entrevistados afirmaram que o poder aquisitivo (63%) e a nacionalidade (60%) dos turistas serão diferentes da dos clientes atuais.

No entanto, as formas de pagamento utilizadas (72%), a exigência quanto ao preço (68%) e quanto à variedade de produtos/serviços (59%) serão iguais entre turistas e os clientes atuais. “Isso demonstra que com o aquecimento da economia, o consumidor brasileiro está cada vez mais exigente e busca qualidade e variedade de produtos e serviços. Assim, aproxima seu comportamento dos consumidores estrangeiros”, avalia Roque Pellizzaro Junior.

Comércio informal
Quando questionados se o comércio informal vai ser uma barreira para seu fluxo de vendas, 73% responderam que não. Dos que responderam que sim, 42% afirmam que a informalidade vai trazer insegurança e desconforto aos clientes e gerar concorrência desleal (39%).

Infraestrutura para receber o evento
Tendo em vista a percepção dos empresários quanto à infraestrutura que o Brasil atualmente possui para receber a Copa das Confederações, o país foi considerado despreparado na maioria dos quesitos avaliados, como: tansporte público, saúde, estacionamento, segurança pública, infraestrutura acessível à pessoa com deficiência.

Por outro lado, nota-se que os segmentos considerados mais preparados para receber a Copa das Confederações são serviços originários do setor privado (bares e restaurantes, comércio em geral, hospedagem, por exemplo). Na avaliação da economista, os empresários estão preparados para receber a Copa das Confederações, “entretanto ainda há uma carência quanto aos investimentos das esferas governamentais a fim de melhorar a infraestrutura existente”, afirma.

Visão sobre a Copa do Mundo de 2014
Dados da pesquisa revelam que 46% dos empresários entrevistados farão uma preparação diferente para a Copa do Mundo em relação à Copa das Confederações. Para o SPC Brasil, a Copa das Confederações é considerado um evento teste pela Fifa e desta mesma maneira vai funcionar para o comércio. “Não há dúvidas de que os comerciantes vão aproveitar os pontos que funcionaram durante a Copa das Confederações e aperfeiçoar os que não funcionaram para a Copa do Mundo”, explica Pellizzaro Junior. Dentre aqueles que farão uma preparação diferente, os itens mais citados foram o treinamento da equipe (53%), a contratação de mais funcionários para atender à demanda (43%) e o aumento da variedade de produtos (38%).

Metodologia
A pesquisa foi realizada nas seis capitais brasileiras que receberão partidas na Copa das Confederações (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza) e ouviu um total de 1.276 empresários do setor de comércio e serviços. A margem de erro é de 2,7% e a confiabilidade de 95%.

Fonte:SPC Brasil