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O futuro dos alimentos no mundo

Publicada em : 10/07/2012

Setor deve faturar US$5,9 trilhões em 2014

Em um mundo onde há 7 milhões de bocas a serem alimentadas não chega a ser surpreendente que a indústria alimentícia viva uma expansão vertiginosa. Até o final de 2014, o setor deve faturar US$ 5,9 trilhões – um crescimento de 37,2% em relação a 2009. Em contrapartida, a turbulência econômica, geopolítica e ambiental da nova década traz desafios significativos para os produtores de alimentos, varejistas e marcas. Segurança alimentar, sustentabilidade e a preocupação do consumidor em adquirir produtos saudáveis se tornaram fatores críticos para o mercado.

O crescimento dos produtos artesanais e os prós e contras do abastecimento local também são tópicos que têm causado impacto na forma do homem consumir alimentos. A análise de tendências de consumo e produção de alimentos é a base do estudo The Future Report Food – produzido pelo The Future Laboratory em parceria com a Voltage, agência produtora de Human Insights e Tendências aplicados aos negócios e às estratégias dos clientes.

A pesquisa The Future Report Food integrará a palestra de Paulo Al-Assal, CEO da Voltage e um dos principais especialistas brasileiros em tendências, no TEDx Campos – que acontece em 23 de junho, no Grande Hotel Campos do Jordão/Hotel-escola do Senac. Com o tema Alimentação do Futuro, o TEDx Campos seguirá os mesmos moldes dos TED globais, cuja proposta é divulgar ideias inovadoras de grandes pensadores do nosso tempo. Mais informações sobre o TEDx Campos: http://tedxcampos.com.br/

A questão alimentar com certeza será uma das principais a conduzir o século 21, presente na base dos movimentos sociais e geopolíticos. A segurança alimentar, por exemplo, esteve no coração da revolução de 2011 no Egito. Como resultado, mais e mais pessoas querem ter controle sobre a forma com que os alimentos são produzidos e consumidos. Há necessidade de aumentar a produção de alimentos com preços mais acessíveis; há uma demanda por maiores níveis de transparência no processo de produção, sobretudo nos geneticamente modificados.

Quando a análise abarca as tendências, em países como China e Índia, embora os consumidores adotem um estilo de vida ocidental no tocante à alimentação, as marcas devem atentar para aspectos e gostos locais, especialmente porque o consumidor contemporâneo mostra interesse no convívio social. Do lanche hiperconectado da Geração D ao Rubarnism artesanal, o estudo The Futures Report Food mostra que a forma de se relacionar com a alimentação tem mudado ao longo dos séculos. Hoje, as populações dos países ricos e dos emergentes têm exercido importante pressão em prol da sustentabilidade de todo o processo de produção de alimentos.

O estudo aponta que a sustentabilidade será uma preocupação não apenas dos países ricos, mas dos emergentes. “Em um futuro próximo, o grau de sustentabilidade no processo de produção de determinada marca ou produto será uma espécie de rótulo que define a ética. Além disso, a demanda alimentar originada de populações crescentes e das economias emergentes deve impulsionar o desenvolvimento da biotecnologia agrícola. Na prática, o desenvolvimento de alimentos funcionais e mais saudáveis vai romper o preconceito de consumidores contra alimentos geneticamente modificados”, afirma Paulo Al-Assal. Há, inclusive, estudos consistentes, ressalta o executivo, para a produção de alimentos livres de alérgenos como o glúten – produtos que devem auxiliar a alimentação de portadores da doença celíaca.

O mercado global de alimentos funcionais deve faturar, em 2014, US$ 29,8 bilhões; aumento de 22,8% em relação a 2010. O Japão – maior mercado consumidor de alimentos funcionais – deve faturar US$ 11,3 bilhões em 2014; nos Estados Unidos, as vendas devem crescer 20,7% no mesmo período, chegando a US$ 9,1 bilhões. De acordo com Al-Assal, a população mais idosa está mais consciente do impacto da dieta alimentar na saúde e é justamente essa parcela da população que está fazendo o mercado de funcionais crescer. Na China, as mudanças demográficas tornaram-se um poderoso motor de vendas de alimentos funcionais. Produtos a base de ervas medicinais com propriedades terapêuticas se tornaram sucesso de vendas.

Mercados emergentes
Os consumidores de mercados emergentes como os que integram o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e os MAVINS (México, Austrália, Vietnã, Indonésia, Nigéria e África do Sul) têm alterado padrões de consumo mundiais de alimentos. Países como Índia e China se tornaram mais ocidentalizados e passaram a consumir mais carne. Marcas como a KFC incluíram produtos locais em seus menus para agradar consumidores locais – na Índia, por exemplo, a pizza Dominó oferece produtos com queijo paneer e keema; no Brasil, a Nestlé passou a investir na venda porta a porta; o Nestlé até Você criou um supermercado flutuante para atender comunidades distantes dos grandes centros.

Nos mercados emergentes nota-se um crescente aumento de jovens que têm consumido doces e chocolates. No BRIC, o mercado de confeitaria deve alcançar um faturamento de US$ 27 bilhões em 2014. O mesmo crescimento não ocorre na Europa e nos Estados Unidos. No Reino Unido, por exemplo, as vendas de chocolate cairam 1,3% em 2010 e a tendência é que caiam ainda mais por conta da preocupação da população em controlar a ingestão de calorias.

Novos consumidores & tendências
Dados demográficos mostram que as mudanças comportamentais influenciam na relação do consumidor com o alimento. Do lanche do hiperconectado integrante da Geração D ao Rurbanismo artesanal, passando polos Neo-Boomers. Entre as tribos, o estudo destaca o Foodies DIY e Rurbanites. Entre as tendências detectadas, o estudo traz a Conviviality Culture (cultura do convívio) em resposta à recessão global. Para dar mais significado às vidas e cortar custos, as famílias optam por refeições em casa e têm utilizado a tecnologia em favor desse objetivo. Conectados, buscam nas redes sociais formas de compartilhar compras coletivas de alimentos e de preparo. Mais conscientes do papel da alimentação na sociedade, as pessoas têm criado rituais – quase teatrais – de consumo.

A tendência Revivalist, por exemplo, mostra que os consumidores estão em busca de uma “âncora” para lidar com esses tempos turbulentos e veem nas antigas receitas uma forma de conforto afetivo; estão “revivendo” de maneira nostálgica a alimentação. Alimentar-se com três refeições diárias é uma forma de buscar a segurança de antigos tempos. Algumas tribos rejeitam a frieza do mundo contemporâneo e estão buscando inspiração em modos rurais de viver; formas similares às dos avós. Nesse contexto, norte-americanos passaram a frequentar restaurantes que resgataram o preparo dos alimentos, inclusive, investindo em receitas clássicas. As experiências de convívio também são buscadas por uma nova geração de consumidores. Alguns chefs nórdicos, por exemplo, estão trabalhando com jantares experimentais cercados de rituais dramatúrgicos e de novas formas de oferecer experiências diferentes. O novaiorquino What Happens When, altera mensalmente o menu, a música e o design do interior do restaurante, criando uma aura de autenticidade. As embalagens também sofreram influência da tendências e inúmeros produtos têm investido em antigos layouts.

Na tendência Hometelligence vemos que a recessão global transformou o jantar em casa uma maneira muito popular de se alimentar e controlar os gastos. Nos Estados Unidos, 45% das famílias limitaram os jantares fora de casa – uma forma de gastar, também, menos gasolina. O impacto positivo se deu na indústria de livros; as vendas de livros de receitas cresceram 4% em 2010. No Reino Unido, as vendas de cook books aumentaram 8% entre 2010-2011 – destaque para o chef Jamie Oliver que já vendeu 1,2 milhão de cópias. A tendência causou impacto também na indústria de eletrodomésticos. A Electrolux, por exemplo, lançou uma geladeira com painel de touchscreen para acionar 600 receitas.

Enquanto a Geração D (digital, nascidos entre 1995 e 2002) está usando a web para compartilhar experiências gastronômicas, receitas, ingredientes e sabores globais, e aprendendo novas técnicas de cozinhar, os Neo-Boomers estão usando o rendimento disponível para comer melhor, comprar alimentos naturais e funcionais. Os Foodies DIY, por sua vez, estão criando uma nova cultura de experimentação na cozinha; têm se conectado por pessoas de perfil similar na web e criado pratos que trazem muito da história interpessoal.

Neo-Boomers & Foodies DIY
Uma nova geração de baby boomers tem investido em uma dieta saudável por meio de alimentos funcionais. Alimentos sem glúten, snacks vitaminados e produtos naturais são os preferidos desses consumidores para os quais a idade é um estado de espírito. Com mais dinheiro e tempo, essa geração consegue fazer as três refeições diárias e gasta, semanalmente, cerca de US$ 125 em supermercados (gasto individual). Mais preocupados com o colesterol e pressão arterial, adquirem alimentos saudáveis e vitaminas. Para os neo-boomers, comer é uma oportunidade de se divertir. Alimentos funcionais que promovem saúde, bem-estar, energia e que têm efeitos antienvelhecimento estão na lista diária dessa geração.

Os Foodies DIY estão produzindo uma nova cultura de gastronomia por meio do compartilhamento de informações on-line, criação de sites com informações sobre produtores rurais, marcas e produtos diferenciados. Hiperconectada, essa geração cria novas receitas a partir de antigas; reinterpreta sabores antigos e tem real entusiasmo em experimentar formas diferentes de se relacionar com os alimentos. Cozinheiros amadores e autodidatas, navegam na internet em busca de informações e ditam tendências que unem o simples e o sofisticado.

A situação da saúde em cada país também é um fator que determina tendências. Em países da Europa e Estados Unidos, os consumidores exigem cortes na gordura, açúcar e teor calórico; em outras localidades, a demanda é pela aquisição de suprimentos produzidos de forma ética e orgânica. Os superalimentos estão conquistando novos consumidores interessados em aliar alimentação e saúde. O mercado de snacks também vive momentos de expansão – um impacto que é resultado do aumento de horas dedicadas ao trabalho. O mercado global deve chegar a US$ 334 bilhões em 2015; em países como Brasil, China, Índia, México e África do Sul, os snacks representarão um mercado de US$ 15,7 bilhões em 2014. Segundo Paulo Al-Assal, para consolidar o crescimento a indústria tem se adaptado a novos padrões de consumo.

“Em um ambiente cada vez mais avesso ao sal, as vendas de salgadinhos nos Estados Unidos cresceram 18,4% entre os produtos com redução de sódio”, detalha.

Orgânicos
A indústria mundial de orgânicos deve faturar, em 2015, cerca de US$ 104,5 bilhões. É claro que ainda existe a percepção de que o produto orgânico in natura é caro, mas a percepção de que é aliado da boa saúde tem rompido barreiras. “Há uma questão interessante em relação aos orgânicos. Hoje, o consumidor quer que além de ser orgânico, o orgânico tenha elevados padrões éticos. Ou seja, que haja ética em todo o processo de produção e comercialização; que o produto esteja ligado à sustentabilidade e crescimento de economias locais. Com tais atributos, a percepção de que se paga mais por um produto diferenciado – e aliado a valores éticos – consolida novos atributos ao produto. Passa a valer a pena pagar mais”, avalia Al-Assal.

Com o alinhamento de padrões de produção ditados pela Federação Internacional de Agricultura Orgânica estão sendo estabelecidas normas que unem sustentabilidade, justiça, cuidado, ecologia e saúde. As marcas orgânicas também estão agregando valor aos produtos com características extra – nos Estados Unidos, lácteos da marca Horizon Organic contêm derivados de Ômega 3. O país tem uma excelente aceitação de produtos com esse perfil; os consumidores serão responsáveis, em 2012, por um consumo de produtos cultivados localmente, movimentando US$ 7 bilhões.

A pesquisa destaca que no Brasil os alimentos orgânicos são vistos como ”chiques” e são servidos, também, em hotéis de luxo. “No mundo inteiro, os orgânicos crescem anualmente cerca de 30%; no Brasil, têm crescido 40% nos últimos anos”, afirma Paulo Al-Assal.

De volta à terra e os novos congelados
Há uma tendência clara sobre o interesse de britânicos em produzir o próprio alimento. No Reino Unido, um em cada cinco consumidores planta vegetais para consumo próprio. “As pessoas estão cada dia mais interessadas em se envolver proativamente na cadeia alimentar, na produção de alimentos primários. Do mesmo modo que há décadas os britânicos cultivavam rosas, hoje os jardins passam a ter espaço para hortaliças”, avalia Paulo Al-Assal.

Em contrapartida, o mercado mundial de congelados também vive um período de crescimento acentuado, chegando a US$ 211,5 bilhões em 2015. Na Ásia Pacífico e América Latina, as frutas e vegetais congelados devem liderar o crescimento de consumo. Para atrelar atributos de saúde aos alimentos congelados, as marcas têm lançado mão da tecnologia. No Reino Unido, uma marca lançou sacos tamanho família de legumes que apresentam um “selo de valor”, ou seja, garante que o preparo no vapor retém as vitaminas dos alimentos.

Com mais informações e ferramentas on-line de pesquisa, os consumidores são mais exigentes e pesquisam muito antes de comprar. “Na Europa, por exemplo, vemos uma geração de consumidores que buscam conveniência de maneira ampla. Então, as marcas tendem a reduzir a gama de produtos oferecidos, focando nos essenciais – uma tentativa concreta de ser ágil e eficiente. Esse consumidor quer comprar um número reduzido de produtos que resolvam as necessidades diárias.

Há o anseio por uma vida mais simples, descomplicada”, detalha Al-Assal, acrescentando que o consumidor – em especial o norte-americano e europeu – está fascinado pela procedência da alimentação. “Eles querem saber de onde vem o produto alimentício adquirido e, sobretudo, a história da empresa. Alguns varejistas têm investido, inclusive, em exposições interativas e educacionais destinadas a aproximar o cliente do processo de produção”, finaliza.
 

Fonte:Printec Comunicação