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Sobe o salário do professor

Publicada em : 09/11/2011

Os 76 mil professores da rede municipal de ensino de São Paulo ganharam um aumento de 13,43%

Os 76 mil professores da rede municipal de ensino de São Paulo ganharam ontem da Câmara Municipal um aumento de 13,43% proposto pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), o que eleva o piso da categoria de R$ 2.292 para R$ 2.600. De última hora, o prefeito também alterou o projeto para estender o reajuste aos 20 mil "funcionários de apoio" da Secretaria Municipal da Educação, como vigias e serventes.

Os 51 vereadores presentes na sessão aprovaram o pacote de benefícios aos docentes em segunda e definitiva discussão. A mudança atinge 58 mil docentes ativos e 18 mil aposentados. Fora o aumento retroativo a maio, que vigora na folha de pagamento de dezembro, os professores terão mais três aumentos escalonados nos próximos três anos - 10,19% em 2012, 10,19% em 2013 e 13,43% em 2014.

As benesses criadas pelos vereadores e pelo prefeito devem agora ser vendidas como bandeiras eleitorais em 2012, quando Kassab tentará fazer o sucessor pelo seu PSD. O projeto de reajuste aos professores - que agora terão um piso salarial de 30 horas que será quase o dobro do nacional de 40 horas (R$ 1.184) - será colocado por Kassab como vitrine para sua sigla partidária.

O prefeito também tenta com o reajuste atenuar o desgaste por ter vetado o projeto de lei que criava a meia-entrada em cinemas e teatros para os professores da rede municipal de ensino. Ao Estado, o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, afirmou que a aprovação não tem caráter eleitoral.

"Todas as bancadas votaram a favor, até a do PT. Além disso, a Prefeitura tem dado aumentos sucessivos à categoria. É um processo de anos que visa a atrair os melhores profissionais." Segundo a Secretaria Municipal de Educação, de 2005 até maio de 2011, a gestão elevou em 55,29% o salário dos profissionais da área, índice superior à inflação acumulada no período (35,11%, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Ocimar Alavarse, professor da Faculdade Educação da USP, destaca que um salário "relativamente alto em comparação ao das outras redes públicas" ajuda a atrair o professor. "Mas é preciso garantir o processo de evolução desse profissional na carreira, para que os ganhos se consolidem ao longo do tempo", afirma.

Valores
O menor salário entre todos os funcionários da área educacional será o de agente escolar (R$ 967,33). O coordenador pedagógico passa a receber R$ 3.692,70 mensais e o diretor de escola, R$ 4.188,21. O cargo máximo da carreira, de supervisor, terá piso de R$ 4.460,40.

Para docentes contratados em regime diferenciado, com carga horária inferior a 20 horas, o menor salário será do professor de Educação infantil com jornada de 15 horas semanais, de R$ 1.076,11 mensais. A jornada de 22 horas e 30 minutos passa a ter remuneração de R$ 1.614,23.

O reajuste vai funcionar como abono salarial até 2013, quando os acréscimos serão incorporados aos salários. "Acho que houve uma valorização justa e necessária dos professores da rede municipal", comemorou o líder do PPS, vereador Cláudio Fonseca, que também é presidente do Sindicato dos Professores Municipais de São Paulo (Sinpeem).

Cleiton Gomes da Silva, secretário-geral do Sinpeem, vê a aprovação como uma vitória da categoria. "Estamos bem acima do piso nacional." Porém, afirma que a categoria vai pedir a incorporação imediata do aumento.

Neste ano, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) também aprovou um aumento escalonado no salário-base dos professores da rede estadual. A proposta inclui um aumento de 42,25%, escalonado em quatro anos, até 2014. Neste ano, os docentes receberam 13,8%.

Assim, o piso salarial de início de carreira, para um professor com jornada de 40 horas semanais, passou de R$ 1.665,05 para R$ 1.894,12.

Fonte:O Estado de São Paulo (SP)