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Insubmissas: Mulheres na Ciência

Publicada em : 13/09/2016

Com direção e cenário de Carlos Palma

Divulgação
O espetáculo propõe uma verdadeira viagem pela história com datas precisas, descobertas científicas e detalhes do pensamento de quatro mulheres que revolucionaram a humanidade com suas contribuições: Marie Curie, Bertha Lutz, Rosalind Franklin e Hipácia de Alexandria. Resultado do minucioso trabalho de pesquisa do dramaturgo Oswaldo Mendes, a peça une essas cientistas no palco para que resgatem - e nos contem - suas memórias e as dificuldades para inscrever suas descobertas na história da humanidade. As contribuições extrapolam o desenvolvimento de ideias científicas. São mulheres que modificaram o curso histórico também por suas atitudes desafiadoras.

Três das personagens retratadas na peça - Marie Curie, Bertha Lutz e Rosalind Franklin - construíram suas carreiras científicas em finais do século XIX e primeira metade do século XX, período em que algumas mudanças – ainda que modestas - nas condições econômicas, políticas e sociais começavam a facilitar o ingresso de mulheres em instituições científicas. Elas são pioneiras, mas talvez a maior das Insubmissas seja Hipácia. Matemática, astrônoma e filósofa, ela lecionou na Universidade de Alexandria em um período em que a presença de mulheres na academia era ainda mais incomum. A cientista morreu apedrejada.

Alguns dramas pessoais são relembrados na peça. Um deles é o escândalo que envolveu o nome de Marie Curie após a morte de seu marido. Acusada de relacionar-se com Paul Lanvegin, um homem casado e mais novo do que ela, Madame Curie foi humilhada pela imprensa francesa e quase não compareceu à cerimônia onde receberia seu segundo Prêmio Nobel, em 1911. Oswaldo Mendes discute o machismo que permeou a vida dessas mulheres por meio de um diálogo entre Madame Curie e sua filha, Irene Curie, também cientista, no qual as personagens questionam o quão poderia ter sido diferente a repercussão do caso se seu protagonista fosse um homem.

O fato de Bertha Lutz, Hipácia e Rosalind Franklin nunca terem se casado ou tido filhos também é lembrado e remete a outra questão: apesar dos espaços conquistados, as desigualdades no âmbito doméstico ainda fazem com que a decisão por constituir uma família pese mais para algumas mulheres. Ou mesmo a simples escolha de não se casar ou não ter filhos. Ainda há preconceito por isso. Ao final do espetáculo, o espectador sai do teatro com a percepção da atemporalidade dessas mulheres não só pela grandiosidade de sua participação para o conhecimento científico. Mas também pela forma de pensar e agir, narrada pelas personagens de maneira delicada, porém intensa. Pensamentos e atitudes que evidenciam questionamentos e desafios ainda bastante atuais. Mais que isso: instigam a sermos minimamente insubordinados. Insubmissos.


Serviço

Espetáculo: Insubmissas - Mulheres na Ciência

REESTREIA: 01 de outubro (sábado) 19h.
TEMPORADA de quinta e sexta 20h / sábados 19h até o dia 29 de outubro
Não haverá espetáculo no dia 20 de outubro (quinta)
ENTRADA GRATUITA.
Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro
Informações e reservas: 11 3221-5558
Reservas por e-mail: acpcultural@uol.com.br

Fonte:Clarissa Olivares