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Meu Saba

Publicada em : 04/08/2016

Monólogo vencedor de duas categorias do Prêmio Cesgranrio de Teatro

Pedro Fulgêncio
Baseada no livro Em Nome da Dor e da Esperança, escrito pela jovem israelense Noa Ben-Artzi Pelossof aos 19 anos, a atriz Clarissa Kahane criou o monólogo Meu Saba (meu avô), em parceria com Daniel Herz, que dirige a peça. A montagem tem também consultoria dramatúrgica de Evelyn Disitzer. Depois de ser ovacionado em sessão única no Festival de Curitiba e fazer temporada de sucesso de público e crítica no EMC Sérgio Porto no Rio de Janeiro, o espetáculo realiza primeira temporada em São Paulo, de 19 de agosto a 11 de setembro, no Teatro MorumbiShopping.

Clarissa entrou em contato com Em Nome da Dor e da Esperança aos 17 anos, quando ganhou o livro de presente do avô. A obra é um relato de Noa sobre si mesma e sobre o ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin (1922-1995), avô da jovem. Encantada com o texto desde a primeira leitura, há mais de dez anos, Clarissa decidiu, em parceria com o produtor Miguel Colker, levar o emocionante relato para o teatro.  “Li o livro com 17 anos e fiquei fascinada pela história de amor de uma neta, Noa, pelo avô, Yitzhak Rabin, que lutou muito pela paz. Me comovi com a dor e a perda da Noa e me identifiquei com a certeza dela de que a coexistência entre judeus e árabes é
possível”, conta Clarissa.

Em seu primeiro monólogo, a atriz dá continuidade à parceria com o diretor Daniel Herz, com quem já trabalhou em diversos projetos como atriz e assistente de direção. Em cena, ela interpreta a jovem israelense. Na obra ela relembra seu nascimento, sua infância na casa do avô, as conversas com ele, a luta pela paz como político e as crises existenciais de uma adolescente que cresce em meio à guerra. Em 1994, Yitzhak Rabin, primeiro-ministro do Estado de Israel, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelos seus feitos nos acordos de paz entre o Estado de Israel e a Palestina. Um ano depois, em 1995, Rabin foi assassinado por um judeu israelense que se opunha às negociações com os palestinos.

O espetáculo, vencedor do Prêmio Cesgranrio de Teatro em duas categorias (cenografia e iluminação) e indicado em outras duas categorias (espetáculo e direção), se passa nos trinta segundos que Noa leva para se levantar e chegar ao palanque onde fará uma homenagem ao seu avô. Ela foi escolhida pela família para falar no dia do funeral de Yitzhak Rabin. Insegura, ela revive emoções em um jogo narrativo que mistura as lembranças da infância marcada pela tragédia e resgatada pelo amor de sua família, o medo constante, o impacto caótico da guerra, o ódio de fora e também de dentro do país. Noa fala sobre o assassino de seu avô e os extremistas que nutrem a violência.

“Na insegurança de uma jovem em enfrentar o mundo com a palavra, ela precisa enfrentar os fragmentos de uma convivência intensa e amorosa com seu avô. Num momento de tantas incertezas, tantos radicalismos macabros, encenar Meu Saba traz um alento a possibilidade da coexistência pacífica na diferença”, diz o diretor Daniel Herz, que trabalhou com Clarissa na adaptação do texto durante oito meses.

O cenário criado por Bia Junqueira é minimalista e estrutural. Uma caixa branca abriga vários tijolos organizados em linha formando uma passarela. O trajeto representa o percurso que Noa irá percorrer até chegar ao púlpito, onde fará o discurso em homenagem ao avô. Também espalhados em diversos pedaços pelo palco, os tijolos representam a construção e a desconstrução da história, das memórias de Noa.

O figurino de Antônio Guedes procura transmitir a força e a delicadeza da mulher israelense. A roupa traz referências dos anos 90 com peças sobrepostas e estampas xadrez, mas é contemporâneo. Para viver Noa, Clarissa trocou os cabelos longos e loiros por um corte na altura dos ombros e ruivo. Em cena, ela veste uma camiseta-body de tule preto, por cima, um vestido xadrez em tons escuros. Uma bota de cano curto completa o figurino.

SERVIÇO:
Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a quinta, das 13h às 20h. Sexta e sábado, das 13h às 21h e domingo, das 13h às 19h. Telefone: 5183-2800. Estacionamento Comum: até 2 horas – R$ 15,00. Demais horas: R$ 3,00. Estacionamento Valet: até 1 hora – R$ 18,00. Demais horas ou fração adicional – R$ 8. Estacionamento Motos: a cada 4 horas – R$ 10. Teatro MorumbiShopping. Endereço: Av. Roque Petroni Junior, 1089, Estacionamento do Piso G1, Jardim das Acácias, São Paulo.

Fonte:ARTEPLURAL Comunicação