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Brasil: o Futuro que Nunca Chega

Publicada em : 13/05/2016

Projeto de Samir Yazbek estreia no Teatro Sesc Anchieta

Heloisa Bortz
O Teatro Sesc Anchieta (Sesc Consolação) apresenta novo projeto teatral do dramaturgo e diretor Samir Yazbek, composto por duas montagens: “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – Princesa Isabel” e “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – D. Pedro II”. A estreia acontece no dia 9 de junho, quinta-feira às 21 horas.

A temporada de “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – Princesa Isabel” será às quintas-feiras e aos sábados (às 21 horas), tendo elenco formado por Gabriela Flores, Rogério Brito, Helio Cicero e Janette Santiago, com participação especial de Fernando Trauer e Carla Laiene. A peça “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – D. Pedro II”, por sua vez, será apresentada às sextas-feiras (às 21 horas) e aos domingos (às 18 horas), com Helio Cicero, Eduardo Mossri, Rogério Brito, Gabriela Flores e Henrique Zanoni no elenco, com participação especial de Fernando Trauer e Carla Laiene.

Escritas e dirigidas por Samir Yazbek, o projeto tem Helio Cicero também na codireção e preparação de atores, além de André Cortez na cenografia e figurino, Domingos Quintiliano na iluminação e Gregory Slivar na trilha sonora. Silvia Marcondes Machado está à frente da coordenação do projeto e Edinho Rodrigues responde pela direção de produção.

A peça “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – Princesa Isabel” deseja investigar a escravidão no país, na passagem do Império à República, discutindo suas consequências para a nossa sociedade. Já “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – D. Pedro II” pretende, por meio de um mergulho nos estertores do Império, sondar o Brasil contemporâneo, que tem manifestado xenofobia e racismo preocupantes.

Os espetáculos denunciam o “modus-operandi” da política nacional, identificando algumas das principais causas do atraso social brasileiro. Samir Yazbek explica que “esse projeto nasceu com o objetivo de ampliar o olhar sobre o Brasil de hoje, à luz da nossa história, mais precisamente a passagem do Império à República, período que lançou ou ao menos consolidou as bases para a formação da identidade brasileira, no que diz respeito à vida pública e privada”.

A idealização de “Brasil: o Futuro que Nunca Chega” é da Cia Teatral Arnesto nos Convidou, responsável por montagens como de “O Fingidor” (Prêmio Shell 1999 de melhor autor) e “As Folhas do Cedro” (Prêmio APCA 2010 de melhor autor), entre outros espetáculos.

“Brasil: o Futuro que Nunca Chega – Princesa Isabel”

A história se passa no dia da assinatura da Lei Áurea, em 1888, quando a Princesa Isabel, seu marido Conde d’Eu, José e sua mãe (escrava alforriada, já falecida) discutem a escravidão no país, antevendo seu legado para a sociedade brasileira. Apesar da ação se passar em 1888, sua concepção cênica remete aos dias de hoje.

Por meio das quatro personagens, “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – Princesa Isabel” aprofunda o embate em torno das consequências da Lei Áurea para o Brasil, antecipando algumas das principais causas da desigualdade social entre nós.

Elementos de ordem simbólica percorrem a encenação, apontando a ancestralidade africana como o principal foco de resistência à opressão sofrida pelo povo negro durante o período da escravidão.

“Brasil: o Futuro que Nunca Chega – D. Pedro II”

No enredo, um repórter de ascendência libanesa, em crise com seu trabalho, narra para um cinegrafista a visita do Imperador D. Pedro II ao Líbano, em 1876. Essa narrativa, entremeada por figuras da imaginação do repórter (sua mãe, um jovem neofascista e o próprio D. Pedro II), sonda o Brasil contemporâneo, que tem manifestado xenofobia e racismo preocupantes.

Cansado da intromissão da diretoria de uma emissora de televisão em seu trabalho, o repórter pede ao cinegrafista para gravar seu desabafo. Inicia-se, assim, uma reflexão por parte do repórter, compartilhada com o público, sobre os mais variados discursos da atualidade, que envolvem sua falecida mãe, um jovem neofascista, e a figura do imperador D. Pedro II, responsável pela vinda de seus antepassados libaneses ao Brasil.

Enquanto faz seu depoimento, em meio a uma concepção cênica que o enreda numa espécie de carrossel representativo de sua mente, o repórter ignora a vontade do cinegrafista, que tenta lhe contar a respeito de seus ancestrais africanos que foram escravizados durante o Império.

Metáfora de um país dividido, “Brasil: o Futuro que Nunca Chega – D. Pedro II” investiga o quanto a mídia, encarnada pelo repórter, tem sido impenetrável às mazelas sociais brasileiras, acusadas pelo cinegrafista.

Serviço

Teatro Sesc Anchieta - SESC Consolação

Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque/SP – Tel: (11) 3234-3000

Temporada: 9 de junho a 10 de julho
“Brasil: o Futuro que Nunca Chega – Princesa Isabel”: 9 de junho a 9 de julho
Horários: Quintas e sábados (às 21 horas)
“Brasil: o Futuro que Nunca Chega – D. Pedro II”: 10 de junho a 10 de julho
Horários: sextas (às 21 horas) e domingos (às 18 horas)

Duração: 70 minutos. Gênero: Drama. Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia) e R$ 12,60 (comerciário)
Bilheteria: de segunda a sexta (12h às 22h), sábado (10h às 21h), domingo (16h30 às 18h). Aceita Cheque e todos os cartões - Capacidade: 280 lugares.
Ar condicionado e acesso universal. Ingressos nas unidades do SESC e CineSesc.
Não faz reservas. Não possui estacionamento. Site: www.sescsp.org.br

Fonte:VERBENA COMUNICAÇÃO