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Matilha Cultural

Publicada em : 15/04/2016

Exposição e atividades sobre tragédia em Mariana

Divulgação
Cinco meses se passaram do rompimento da barragem Fundão, em Bento Rodrigues, na cidade de Mariana (MG). A lama tóxica, despejada criminosamente pela mineradora Samarco, destruiu o Rio Doce e chegou até o litoral do Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro, ameaçando parte da fauna e flora nacional. Além do imenso desastre, o ocorrido expõe o funcionamento das mineradoras, bem como riscos e perigos na forma em que elas atuam. Ciclo Mineração é um evento que conta com exposição de fotos, mostra de filmes, instalações sensoriais, ciclo de palestras, rodas de conversa, aulas públicas e atividades interativas e intervenções no espaço que serão executadas pela artista Leila Monsegur. Tem como objetivo trazer a discussão do modelo mineral predatório para toda a sociedade, não mais apenas nas áreas onde existem os projetos de mineração.

O evento tem organização da Matilha Cultural e do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração. Ocorrerá de 26 de Abril a 05 de Junho de 2016, na Matilha Cultural.

Não se pode ficar calado diante de 19 pessoas mortas, diante de distritos destruídos e varridos pela lama, diante de 663,2 quilômetros de Rio Doce destruído e de 11 toneladas de peixes mortos. Diante ainda de 35 cidades prejudicadas, 1.265 desabrigados, 335 mil pessoas atingidas e 3,2 milhões de brasileiros afetados. Não se pode deixar de refletir sobre o papel da Samarco, joint venture cuja propriedade é igualmente dividida entre as duas maiores mineradoras do mundo: a australiana BHP Billiton e a brasileira Vale S.A.

A atividade mineradora antes era vista apenas pelo viés econômico, com a riqueza vinda por meio das commodities. No entanto, a tragédia trouxe à baila seu lado mais sombrio: o dos riscos socioambientais. Pensar sobre responsabilidades da Samarco, a legislação para o setor e também sobre o futuro da região afetada e das pessoas que lá residem são elementos condutores para o evento, assim como discutir qual o modelo mineral que queremos no nosso país. O minério está presente no nosso dia a dia, no celular, no computador, no carro, mas é preciso criar uma lógica que respeite ritmos de extração, comunidades ao redor das minas e que tenha salvaguardas socioambientais em defesa dos territórios.  Ciclo Mineração é ao mesmo tempo um manifesto e um convite ao diálogo e à reflexão para evitar outras tragédias como a de Mariana.

A programação cinematográfica inclui produções como Buraco do Rato – um filme sobre a Vale S/A, retratando a história da companhia e sua lógica de espionagem e infiltração de espiões nos movimentos sociais; Lágrimas de Ferro, sobre a tragédia de Mariana, foi realizado pela TV Brasil e dá foco a vários aspectos não abordados pela grande mídia;  Igreja e mineração na América Latina, um convite à escuta do grito das comunidades mineradoras; Minerando conflitos, documentário produzido pelas equipes da pastoral de Marabá, Xinguara e Tucuruí, reflete sobre os impactos causados pela implantação do Projeto Ferro Carajás S11D, da mineradora Vale, em Carajás e Impactos da mineração da mineração nas comunidades tradicionais, quilombolas e povos indígenas, vídeo cuja proposta é ajudar todas as lideranças de comunidades, militantes sociais, agentes pastorais e demais interessados para compreender melhor a atual fase de expansão do setor de minério no Brasil e o inédito Rio de Lama do diretor Tadeu Jungle.

A programação completa será divulgada nas redes sociais.

MATILHA CULTURAL
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Tel.: (11) 3256-2636
Horários de funcionamento: terça-feira a domingo, da 12h às 20h/ exceto sábados: 14h às 20h
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Entrada livre e gratuita, inclusive para cães
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Fonte:Conectearte