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O Taxidermista

Publicada em : 08/04/2016

O espetáculo da Cia. dos Imaginários leva ao público uma fábula moderna inspirada em um fato real

Divulgação

O espetáculo O TAXIDERMISTA tem como ponto central a discussão do papel da arte em nossa sociedade e a questão da efemeridade da vida. Num mundo que já não se espanta mais com a barbárie da guerra, com a banalização da morte, um homem se insurge metódica e silenciosamente contra o caos que o cerca: ele empalha os animais que morreram no zoológico em que trabalha, num gesto simbólico de perpetuação da vida em meio à morte sistemática e tenta preservá-la na arte da taxidermia, como a nos dizer que só a arte nos salvará da morte.
A peça, contemplada pelo edital do Prêmio Zé Renato e pela 1a. Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do CCSP terá apresentações gratuitas, seguidas de bate-papo com o público. A montagem da Cia. dos Imaginários, com texto e direção de René Piazentin, foi inspirada em uma notícia sobre um  insólito personagem que vive em uma região de conflito no Oriente Médio.

Em um mundo que já não se espanta mais como a barbárie da guerra, com a banalização da morte, um homem se insurge metódica e silenciosamente contra o caos que o cerca: ele empalha os animais que morreram no zoológico em que trabalha num gesto simbólico de perpetuação da vida em meio à morte sistemática; ele não só empalha esses animais como conversa com eles. Lola, uma menina órfã, surge com o desejo de aprender a arte da taxidermia.

“O TAXIDERMISTA” foi escrito a partir de uma notícia real: um zoológico na cidade palestina de Qalqilya, cercada pelo muro da Cisjordânia, onde o veterinário residente e diretor, Dr. Sami Khader, empalhou diversos animais que morreram durante a Segunda Intifada - conflito de dois anos onde morreram cerca de cinco mil pessoas, entre palestinos e israelenses. A dramaturgia de “O TAXIDERMISTA” toma a realidade como ponto de partida para a construção de uma fábula dramática, fronteiriça ao Absurdo, onde a ideia de um zoológico de animais empalhados figura simbolicamente como a tentativa de perpetuar algo de Belo, ainda que grotesco. Em “O TAXIDERMISTA” a figura central é o Dr. Shariff, um veterinário que não só taxidermizou os animais que morreram no zoológico que dirige como fala com eles. Lola, uma menina órfã, surge com o desejo de aprender taxidermia – e poder, ela mesma, empalhar seu cachorro que morreu no dia anterior. Girafas, cavalos e zebras compõem as figuras que dão vida à trama, onde as possibilidades cênicas se multiplicam, na medida em que tanto o espaço da cena quanto as relações estabelecidas não se resumem a um registro realista.

Segundo René, escrever um texto sobre encomenda nunca foi seu foco. “Sempre escrevi os meus textos pensando já nos atores que iriam levar aquela história para o palco e comigo dirigindo. Esse é o modelo de atuação do grupo. Entendemos que o desenvolvimento de uma dramaturgia própria é o elemento primordial para a Cia. dos Imaginários, indissociável do modelo de produção dos processos de encenação realizados até aqui”, afirma o dramaturgo e diretor.

O Taxidermista fala sobre efemeridade e da tentativa de fazer com que pessoas e memórias se perpetuem. A taxidermia é uma metáfora para a tentativa eterna do ser humano de ser perene e continuar vivo de alguma maneira. René explica que “procurou transpor para a concretude da cena as ideias que o texto discute: os atores trocam de papéis na medida em que a indumentária das personagens é vestida/despida, fazendo uma relação com a taxidermia, em que o que importa mesmo é a carcaça, o superficial. Quando começamos o ensaio, disse para os atores que as roupas seriam praticamente o próprio personagens, que ganhariam novos nuances de acordo com o seu recheio”.
Além disso, a iluminação é uma das camadas importantes da encenação. “A luz recorta e projeta sombras, testemunhas imateriais de identidades passadas e presentes, dando ao cenário elementos importantes”.
Outro objeto de grande simbolismo do espetáculo é o uso de bolinhas de gude, que ajudam a costurar a trama, aparecendo de diversas maneiras ao longo das cenas. “Elas nos ajudam a materializar os meios para a taxidermização. São ao mesmo tempo olhos e escroto artificiais de animais que um dia tiveram vida, assim como aparecem como os alimentos jogados por cima da cerca para alimentar girafas, além de serem o brinquedo que nos remete aos jogos de infância”, conta René.


Datas e locais das Apresentações:

Dias 8, 9 e 10 de abril - Sexta e Sábado às 20h e Domingo às 19h
TEATRO ZANONI FERRITE - Av. Renata, 163 - Vila Formosa. Telefone: 2216-1520. Bilheteria - Entrada Gratuita (os ingressos podem ser retirados 1 hora antes do início da sessão, limitado a um par por pessoa). Capacidade: 204 lugares. http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/dec/teatros/zanoni_ferrite/

Fonte:Cia. dos Imaginários