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Floema

Publicada em : 06/04/2016

Adaptação inédita da obra de Hilda Hilst

Divulgação
“Poesia feita de carne, vísceras, ossos. A poética está na construção da linguagem...”. (o diretor)

Com adaptação e direção de Donizeti Mazonas, o espetáculo Floema, texto do livro Fluxo-Floema de Hilda Hilst, estreia no dia 9 de maio (segunda-feira) no Viga Espaço Cênico, às 21 horas.

Nesta primeira obra de ficção da autora há o embate entre o Homem e Deus, onde um evoca o outro: o Homem quer as respostas e Deus lhe oferece as lacunas. As personagens são interpretadas, respectivamente, por Flavia Couto e Maurício Coronado. A cenografia é assinada pela artista plástica Suiá Burger Ferlauto.

Em Floema estamos diante do criador e sua criatura em uma tentativa de diálogo. Koyo, o Homem, carrega o peso do conhecimento, o peso de saber que a essência divina na
verdade é puro pó e, assim mesmo, aceita a vida e busca um sentido para ela. Seu desejo é
tocar a espessura de Deus (Haydum), mas, ao fazê-lo, só encontra o vazio, o nada, o deserto ao seu redor. Koyo sobe todos os dias até o alto de uma montanha e lá fica em sua solidão, esperando respostas, tentando enxergar a face divina. Sua incansável busca por Deus não é pacífica, é árdua. Koyo não possui essa serenidade dos teólogos, mas sim o desconforto dos filósofos. Ele clama, blasfema, e fracassa. Não há resposta concreta, só as lacunas. Haydum, no entanto, em seu monólogo, afirma que nada sabe do homem, e que mesmo quando descansa sofre da angústia de ser.  Haydum-Deus, também  tenta compreender o homem e o mundo que criou para este.

Donizeti Mazonas explica que a peça já começa com as personagens no limite da ação. “Não há desenvolvimento de enredo, o auge é já está lá, no início. A encenação ocorre em dois planos, um vertical onde está Koyo-Homem, preso a um pau-de-sebo (tranças douradas) e outro horizontal, onde está Haydum-Deus, no chão em meio a uma espiral feita com terra (palmas de mãos postas enfileiradas).

A cenografia, criada a partir de uma instalação “Duas Palmas” de Suiá Ferlauto, representa o cerco do confinamento, onde o barro é elemento fundamental dentro imagem arquetípica da concepção humana: “do barro fez se o homem” (Genesis). Outros elementos primitivos reforçam a simbologia da peça: o cerco representa a limitação da existência e o pau-de-sebo, o elo entre o divino e o humano.

De caráter performático, Floema explora os recursos do corpo e da voz dos atores com forte interação do teatro com a dança e com as artes plásticas, tendo as personagens sempre em local de não estabilidade, como se um fosse extensão do outro. “O Deus de Hilst não vive no alto, está mais próximo do grotesco que do sublime. Suas divindades são mais dionisíacas que apolíneas”, argumenta Donizeti. O próprio termo “floema” significa, em botânica, fluidos de cima para baixo.

A constatação da morte é avassaladora para koyo. Floema permeia a loucura questionadora e transgressora do homem em sua condição bestial de condenado que recusa se adaptar à inevitável finitude da matéria. Segundo o diretor, a sensação de confinamento é uma provocação à reflexão sobre a liberdade, sobre as opções do homem em um mundo construído por ele mesmo com paliçadas. O texto não aponta soluções, pois o conflito surge da recusa da personagem em se enquadrar aos limites de sua vida ordinária; pelo contrário, Koyo se depara com o abissal: sua natureza dual – divina e animal.

Para abarcar toda a densidade e poesia dessa obra-prima de Hilst, escrita em 1970, e seus potentes jogos de linguagem, solilóquios incomunicáveis entre si, o diretor e os atores expõem a necessidade de trazer a palavra para a carne, pois a escrita hilstiana pede corpo, pede vísceras, e a dramaturgia corporal tem que ser integrada ao texto. O espetáculo busca traduzir cenicamente o trânsito entre estilos e gêneros no qual escritora construiu sua obra, apontando para um formato que não se molda aos parâmetros da cena dramática convencional, mas que se instaura no limite entre os gêneros.

O projeto Floema – que nasceu do encontro de Flavia, Donizeti e Maurício, incansáveis pesquisadores da obra de Hilda Hilst, e do ensejo de realizar um espetáculo que unisse as dramaturgias do corpo e texto – foi viabilizado com o apoio do ProAc, Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.


Serviço

Estreia: dia 9 de maio. Segunda-feira, às 21 horas
Viga Espaço Cênico
Rua Capote Valente, 1323. Sumaré/SP. Tel: (11) 38011843
Ingressos: R$ 40 e R$ 20. Bilheteria: 1h antes das sessões.
Temporada: segunda a quarta, às 21 horas – Até 29/06
Gênero: Drama. Classificação etária: 14 anos. Duração: 55 min.
Sala:  Piscina Capacidade: 40 lugares. Aceita cheque e dinheiro.
Ar condicionado. Venda online.
Não possui estacionamento. http://www.viga.art.br/

Fonte:VERBENA COMUNICAÇÃO