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Neverland

Publicada em : 15/03/2016

Performance teatral da Artehúmus estreia na Rua Augusta

Ana Secco
Ana Secco
A Cia. Artehúmus de Teatro – grupo que já fez de um banheiro público e de um prédio abandonado, em São Paulo, cenários para seus espetáculos – estreia Neverland ou As (In)existentes Faixas de Gaza no dia 21 de abril, quinta-feira, às 19h30.

Dessa vez, o palco escolhido para a performance teatral é a agitada Rua Augusta, a mais plural via da capital paulista. Evill Rebouças assina a concepção e direção do espetáculo.

Simultaneamente, os atores-performers de Neverland (Daniel Ortega, Solange Moreno, Cristiano Sales, Natália Guimarães, Santiago Sabella e Daiane Rodrigues, além do coro de acorrentados) ocupam vários espaços com suas figuras e performances. Saindo da Augusta (esquina com Rua Peixoto Gomide), a encenação passa por vários pontos até chegar à ciclovia da Avenida Paulista.

Durante o percurso, os espectadores se encontram com figuras que vivenciam suas “faixas de Gaza” pessoais, ou seja, suas cisões com determinadas realidades da vida. Segundo o diretor Evill Rebouças (ganhador de dois Prêmios APCA, com indicação ao Prêmio Shell, Prêmio Femsa e Prêmio São Paulo para Infância e Juventude), a “intenção é fazer com que o espectador passe pela experiência de se sentir separado da cidade ao se unir a esta performance”.

A concepção da Cia Artehúmus explora intensamente a materialidade nessa mistura de performance, teatro e intervenção urbana. A palavra é pouco usada; o belo logo se apresenta, mas é o feiume que, no contraponto, se revela ao longo do percurso interno de cada performer, para os quais a presença do público, na maioria das vezes, é totalmente abstraída.

As pessoas interessadas em acompanhar integralmente o espetáculo devem fazer reservas, pois “receberão um kit viagem rumo a Neverland”, garante o diretor.

Durante um ano, a Artehúmus investigou, via Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, as possíveis “faixas de Gaza” (reais e subjetivas) em Heliópolis/Ipiranga e Augusta (centro e bairro). Dessa imersão surgiram criações e criaturas em patética cisão com o mundo: uma Noiva ridiculamente feliz; um Higienizador que tenta apagar figuras à margem; a Mulher sem identidade que não consegue se reconhecer; um Enfermo que passeia com uma imensidão de tubos de soro; a Mulher Tempo, que pateticamente espera alguém com tempo para tomar um chopp; uma Mulher Manga que entrega a fruta e é consumida pelos espectadores e pelo coro de Homens Acorrentados.

Enquanto suporte poético, Evill Rebouças se utiliza de expedientes da performance e do teatro, sem pretensão de se encaixar nessa ou naquela arte. No entanto, o processo de criação de Neverland priorizou inúmeras maneiras dos atores-performers serem afetados pelas suas escolhas: a rua e as pessoas são tão protagonistas quanto suas ações, e o modo como os materiais são utilizados nas cenas (manteiga, talco, manga, chá, soro, chopp) alteram tanto a performance como o existir dos artistas. Isto é tão forte nessa intervenção que o clássico camarim foi substituído por imóvel alugado onde eles tomam banho, pois ao final estão completamente decompostos física e emocionalmente. Eis aí uma afetação real e outra faixa de Gaza que surge!


Serviço

Espetáculo: Neverland ou As (In)existentes Faixas de Gaza


Sinopse: Arrastando sobre a Rua Augusta uma grinalda de dez metros, a Noiva caminha pateticamente rumo à Neverland em busca da felicidade. No caminho ela se encontra com figuras que agem em descompasso com a cidade: criaturas que vivenciam suas faixas de Gazas pessoais e em cisão com a realidade da rua. Realidade e ficção?

Estreia: 21 de abril. Quinta-feira, às 19h30
Temporada: 21 de abril a 13 de maio. Quinta e sexta, às 19h30
Local: Rua Augusta x Peixoto Gomide (início). Cerqueira César/SP
Ingressos: grátis. Reservas – e-mail para artehumus@gmail.com com nome completo, RG e telefone.
Duração: aproximadamente 1h30. Capacidade: 30 pessoas
Informações: (11) 94126.7714
Ana Secco

Fonte:VERBENA COMUNICAÇÃO