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O campeão de dominó do Alaska

Publicada em : 24/02/2016

Espetáculo de Mário Viana, estreia no Espaço Parlapatões

Angela di Sessa
Texto inédito, a comédia de humor negro apresenta um homem que quer vender a mãe, que sofre de Alzheimer, como pagamento de uma dívida de jogo. Com direção de Aimar Labaki, montagem marca a volta do coletivo Thara Theatro

Texto inédito de Mário Viana, a comédia de humor negro O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA estreia dia 1 de março, terça-feira, às 21h, no ESPAÇO PARLAPATÕES. Peça apresenta um homem que quer vender a mãe, que sofre de Alzheimer, como pagamento de uma dívida de jogo. Com direção de Aimar Labaki, montagem marca a volta do coletivo Thara Theatro. Elenco reúne os atores Maria Eugênia de Domênico, Valdir Rivaben e Eduardo Parisi.

Em O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA um homem, há anos distante, volta dos Estados Unidos com uma difícil missão: levar a mãe, que sofre de Alzheimer, como pagamento de uma dívida de jogo. Seu principal obstáculo é o irmão que ficou todos esses anos cuidando dela. “A peça nasceu a partir do título, quando eu contava pra alguns amigos que tinha vencido um torneio informal de dominó numa viagem de trabalho ao Alasca!”, afirma o autor Mário Viana.

“Foram várias versões, mas sempre envolvendo dois irmãos separados por longo tempo. Não sei como o tema do Alzheimer surgiu, mas foram aparecendo histórias com pessoas que eu encontrava. Muitas das peripécias da Mãe nasceram desses relatos que eu ouvia na rua, no cinema, na academia. Como em outras peças minhas, o motor gira em torno de relações familiares que parecem uma coisa e são outra”, completa o autor.

“O Mário já havia demonstrado em outros textos grande talento para equilibrar um olhar inusitado sobre temas delicados e relações familiares com um evidente domínio da escrita cômica, sem perda em nenhum dos dois campos. O Campeão de Dominó de Alaska aprofunda a mesma vertente, é muito engraçado e ao mesmo tempo emociona por sua capacidade de desenhar tipos humanos absolutamente singulares, ainda que banais”, afirma o diretor Aimar Labaki.

A peça se desenrola aos poucos como um drama, beirando a tragédia. “A encenação trabalha a partir do equilíbrio entre o cômico e o dramático, que é a base do texto. A situação nos remete às questões éticas e sociais que afloram com mais força em momentos como o que vivemos no Brasil hoje, de grande desesperança e desamparo. O texto e o jogo dos atores são o fundamental”, finaliza o diretor, que também assina o cenário da montagem.

A cenografia apresenta uma longa mesa de três metros ao redor da qual toda a ação gira. Os figurinos são de Marê Pessoa Labaki. A iluminação, de Carlos Baldim, trabalha os dois planos da encenação, cômico e dramático, por meio de iluminações complementares. A sonoplastia, de Aline Meyer, dá suporte às diversas mudanças de tom da peça. A coreografia é de Mariusa Bregoli.

A fotografia é de Angela di Sessa, programação visual de João Carlos Deon, viedeomaker Marcelo Spomberg, assistência de direção de Silvia Masulo, produção executiva de Murillo Carraro. Montagem marca a volta do Thara Theatro, coletivo bissexto que já produziu ao longo das últimas décadas, poucos mas memoráveis espetáculos, todos dirigidos por Aimar Labaki: Tudo de Novo no Front (1992), Prova de Fogo, de Consuelo de Castro (1993) e MSTesão (2006).

Mário Viana: Nascido em 1960, é dramaturgo paulistano, autor de cerca de 30 peças teatrais, tais como: Carro de Paulista (com Alessandro Marson, 2003); Vestir o Pai (2003); Vamos? (2010); Galeria Metrópole (2004), Amanhã é Natal (2009); Cheiro de Céu (2011), Vida & Obra de um Tipo à toa (2012), entre outras. Com o grupo Parlapatões, escreveu Pantagruel (com Hugo Possolo, 2001), Um Chopes, Dois Pastel & Uma Porção de Bobagem (2000) e O Pior de S. Paulo (2007). Em televisão, foi colaborador de Aimar Labaki (Seus Olhos, 2004, e Paixões Proibidas, 2006), de Lauro César Muniz (Poder Paralelo, 2009, e Máscaras, 2012) e Carlos Lombardi (Pecado Mortal, 2013/2014). Atualmente, integra a equipe de roteiristas da Rede Globo (Malhação - Sonhos e Totalmente Demais), ambas de Rosane Svartman e Paulo Halm.

Aimar Labaki: Dramaturgo, diretor, roteirista, tradutor e ensaista. Como autor teatral escreveu Tudo de Novo no Front, por ele dirigida em 1992, Vermouth (Gianni Ratto, 1998, SP); A Boa ( Ivan Feijó, 1999,SP, Reginaldo Nascimento, 2005, SP); Pirata na Linha, 2000; eMotorboy, 2001, infanto-juvenis dirigidos por Debora Dubois, Fala in A Putanesca ( direção de Marco Antônio Rodrigues, 2002); Poda/Una Notte Intera(  Débora Dubois, Florença, Itália, 2004 ) e , com o título Campo de Provas (Gilberto Gavronski, RJ, 2007); Vestígios, Roberto Alvim, RJ, 2005 ; e Antonio Cadengue, Recife, 2009); O Anjo do Pavilhão Cinco, baseado em inédito de Dráuzio Varella,  (Emílio de Biasi, 2006 -SP), MSTesão ( direção do autor, 2007), Miranda e a Cidade ( Rodrigo Matheus, 2007)  e Marlene Dietrich, As Pernas do Século ( William Pereira, RJ, 2010). Dirigiu texto de autores como Eric Bogosian, Consuelo de Castro e Flávio Goldman, com atores como Nathalia Thimberg, Hugo Possolo, Clara Carvalho, Emílio Orciollo Netto. Traduziu entre outros Copenhagen de Michael Frayn, Far Away de Caryl Churchill e Cartas de Amor para Stálin de Juan Mayorga.

O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA – Estreia dia 1 de março de 2016, terça-feira, às 21h. Texto: Mário Viana. Direção: Aimar Labaki. Com o coletivo Thara Theatro. Elenco: Maria Eugênia de Domênico, Valdir Rivaben e Eduardo Parisi. Duração: 60 minutos. Recomendação: 12 anos. Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (+60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). Terças e quartas, às 21h. Até 13 de abril.

ESPAÇO PARLAPATÕES – Praça Franklin Roosevelt, 158 – Centro, tel: 3258-4449. Capacidade 100 lugares. Bilheteria funciona de terça a domingo, a partir das 16h. Bar. Acesso para deficientes. Aceita cartões.

Fonte:Amália Pereira