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Jacques e Seu Amo

Publicada em : 11/11/2015

Teatral única de Milan Kundera ganha encenação de Roberto Lage no CCBB SP

João Caldas
Inédita no Brasil, a comédia clássica Jacques e Seu Amo, única peça teatral do autor de A Insustentável Leveza do Ser, o tcheco Milan Kundera, ganha montagem brasileira pelas mãos do diretor Roberto Lage. A estreia aconteceu no dia 9 de outubro no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, onde fica em cartaz até o dia 13 de dezembro.

No enredo, dois homens - amo e seu criado - estão numa viagem a pé para um destino que só é revelado no final. Eles vão rememorando suas aventuras e desventuras amorosas, descritas de tal forma que, atualmente, poderiam ser consideradas politicamente incorretas. A ação se passa no século XVIII, porém não há nenhum rigor quanto à época ou estilo da comédia.

O elenco é formado pelos atores Hugo Possolo, Edgar Bustamante, Renata Zhaneta, Ando Camargo, Greta Antoine, Angelo Brandini e Felipe Ramos. Sendo esta a primeira vez que o “parlapatão” Possolo é dirigido por Roberto Lage. A ficha técnica tem Fabio Namatame no figurino, Kleber Montanheiro no cenário, Wagner Freire na iluminação e Dr Morris na trilha sonora.

Este é um projeto do diretor Roberto Lage que vem, há mais de 50 anos, criando, produzindo e encenando espetáculos, ininterruptamente. Para ele, “talvez esta seja a mais revolucionária das obras de Kundera”. Baseada em Jaques, Le Fataliste, de Denis Diderot, este é, para o autor, um romance que desafia todas as regras de composição do ponto de vista de um "romance-jogo", e que busca uma liberdade formal estranha ao seu tempo, mas herdeira da consagrada tradição da comédia clássica ocidental, pós Idade Média, onde as mazelas do homem, com todas as suas idiossincrasias, estão presentes. Escrita em 1971, o diretor tomou conhecimento da peça nos anos 80 e, desde então, alimentava o desejo de montá-la. “Gosto muito da sua dramaturgia, da reflexão sobre o comportamento hipócrita do homem na sociedade”, comenta.

Em Jacques e Seu Amo a ação é constantemente interrompida e se passa em dois tempos (passado e presente) que várias vezes se misturam. Os personagens também criticam a “mediocridade” do autor, entram nos papéis uns dos outros e comentam a peça. O texto é estruturado em três tragicomédias amorosas, no fatalismo determinista de Jacques e no erotismo. As histórias ocorrem simultaneamente e prendem a atenção do espectador pelo dinamismo com que os personagens as narram e vivenciam, pelos diálogos cruzados que culminam sempre em um comportamento hipócrita que atravessa as duas classes sociais. O criado Jacques conta como foi que perdeu a virgindade; o fidalgo lembra a traição da amada com seu melhor amigo; e a Taberneira conta a história de uma Duquesa vingativa que ilude seu amante e o leva a se casar com uma prostituta. Tudo é apresentado com humor clássico, sem nenhum rigor, onde os estilos se misturam.

O figurino segue a referência da época em que a história se passa, mas com tal não se prende a nenhuma formalidade misturando as épocas. A concepção do cenário parte do conceito de um espaço “vazio” que dialoga com a questão do destino não revelado pelo texto. Escadas que não levam a lugar algum circundam o ambiente, cujo chão traz uma textura de sobreposição de papeis, reforçando a indefinição do lugar.

Sobre Jacques e Seu Amo ser a única peça de Milan Kundera, Roberto Lage conta que na época da ocupação soviética na Tchecoslováquia, o escritor foi convidado para criar uma versão para obra do russo Dostoiévski, mas se recusou. Foi quando propôs que a história fosse Jaques, Le Fataliste, justamente pelo seu teor crítico. “O Jaques de Kundera quebra as regras da sociedade em que se passa a ação, onde as pessoas não tinham a possibilidade de alterar seu status social”. Lage ainda finaliza: “em tempos modernos é delicioso trabalhar com um texto politicamente incorreto, um texto humanamente e naturalmente incorreto”.


Serviço
Temporada: 9 de outubro a 13 de dezembro
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112. Centro/SP. Tel: (11) 3113.3651/52 - Metrô Sé e São Bento
Horários: quinta a sábado (às 20h) e domingo (19h)
Ingressos: R$ 10,00 (meia R$ 5,00) - Bilheteria: das 9 às 21h, de quarta a segunda.
Gênero: Comédia clássica. Duração: 90 min. Classificação: 14 anos
Capacidade: 130 lugares. Ar condicionado. Loja. Café Cafezal.
Acesso e facilidades p/ pessoas com deficiência física.
Ingresso pela Internet: www.ingressorapido.com.br

Estacionamento conveniado: Estapar (R. Santo Amaro, 272) - R$ 15,00 pelo período de 5h (necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB).
Transporte grátis até as proximidades do CCBB: embarque e desembarque na R. Santo Amaro, 272, e na R. da Quitanda, próximo ao CCBB. No trajeto de volta, tem parada no Metrô República.

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João Caldas
João Caldas

Fonte:Assessoria de imprensa - espetáculo