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Zé Guilherme

Publicada em : 11/11/2015

Cantor lança CD em homenagem Orlando Silva no Sesc Belenzinho

Divulgação
Abre a Janela - Zé Guilherme Canta Orlando Silva faz justa reverência ao Cantor das Multidões e mostra o olhar de um intérprete contemporâneo para um clássico da música brasileira.

O Sesc Belenzinho apresenta, no dia 11 de dezembro (sexta-feira, às 21 horas), show de lançamento do CD Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva, terceiro trabalho do artista cearense radicado em São Paulo. O disco é uma bela homenagem a um dos mais significativos intérpretes da música popular brasileira, que completaria 100 anos em 2015. O trabalho é norteado por uma releitura delicada e pessoal do repertório do Cantor das Multidões.

Zé Guilherme interpreta de forma autêntica e contemporânea 18 canções que foram selecionadas em um longo processo de pesquisa sobre a trajetória e o repertório de Orlando Silva. Não foi tarefa fácil para o artista escolher diante da extensa lista de músicas. As eleitas foram: “Abre a Janela”, “Cidade Brinquedo”, “Malmequer”, “A Jardineira”, “A Primeira Vez”, “Pela Primeira Vez”, “Curare”, “Dama do Cabaré”, “Lábios Que Beijei”, “Preconceito”, “Aos Pés da Cruz”, “O Homem Sem Mulher Não Vale Nada”, “Meu Consolo É Você”, “Lealdade”, “Meu Romance”, “Cidade do Arranha-céu”, “Faixa de Cetim” e “Alegria”.

No show, Zé Guilherme também tece alguns comentários, entre uma e outra canção, a respeito da vida e obra de Orlando Silva, bem como sobre o contexto social da época e as razões que nortearam sua escolha do repertório. A banda que o acompanha é formada por Adriano Busko (percussão), Bré Rosário (percussão), Cezinha Oliveira (direção musical, violão, baixo e vocal), Luque Barros (violão de 7 cordas, baixo e vocal), Maik Oliveira (cavaquinho e bandolim) e Pratinha Saraiva (flautas e bandolim). O espetáculo tem ainda direção de cena assinada por Mario Tommaso, figurino de Elísio Kamers e iluminação de Silvestre Júnior

Concepção do CD

A trajetória de Orlando Silva é marcada por apurado critério e rigor na escolha das canções. Segundo o próprio, só cantava o que lhe tocava a alma. O colorido, o swing e a brasilidade da obra é o mote principal das escolhas de Zé Guilherme. A seleção das músicas levou em consideração, além da afinidade artística, a época de seu apogeu - de 1935, ano em que gravou o primeiro disco, até 1942 - e privilegiou composições menos densas. O roteiro contempla um perfil mais leve e alegre do cantor como na maioria dos sambas que trazem sempre um toque de humor nas letras.

Zé Guilherme não esconde a relação afetiva com esse trabalho: “eu abri a janela do meu coração para me apossar, com respeito e reverência, dos sucessos de Orlando Silva e reapresentá-los ao público pela minha voz, pela minha forma de cantar”. O artista conta que cultivou o anseio de se debruçar sobre seu legado por mais de 10 anos. “Resgatar e reler a obra desse artista que foi, desde a minha infância, o combustível para a chama do desejo de ser cantor. É um momento ímpar na minha carreira. Minha principal diversão era ouvir no rádio a voz majestosa e brejeira do cantor, considerado a maior voz masculina do Brasil”.

A produção musical é assinada pelo músico, arranjador e produtor musical Cezinha Oliveira, que inseriu elementos clássicos nos arranjos como piano, baixo acústico, acordeon, trombone e violão de sete cordas, entre outros, dando “requinte” sonoro ao disco sem cair no mero saudosismo. Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva foi concebido com base no tripé interpretação, arranjos e composições, e mostra que a chamada “música antiga” do Brasil pode se manter clássica em sua origem, popular em sua apresentação e sofisticada em sua concepção.

Sobre a concepção dos arranjos, Cezinha explica que, para todos os sambas, buscou inspiração nos conjuntos regionais da época e nas orquestras que acompanhavam os artistas nas rádios. O instrumental era, geralmente, formado por acordeon, violão, percussão e instrumento solo de sopro. Apenas as marchinhas “A Jardineira” e “Malmequer” seguem outro caminho. A primeira tem introdução influenciada pela música barroca e a segunda ganhou um andamento mais jazzístico.

Músicos de primeira linha participam de Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva: Thadeu Romano (acordeon), Breno Ruiz (piano), Meno Del Picchia (baixo acústico), Maik Oliveira (cavaquinho), Pratinha (flautas e bandolim), Adriano Busko (percussão), Allan Abbadia (trombone), Luque Barros (violão de 7 cordas e vocal), Cezinha Oliveira (violão, guitarra e vocal) e João Pedro Verbena (guitarra).

As canções

Abrindo o disco, uma das mais populares marchinhas de carnaval de todos os tempos: “A Jardineira” (Benedito Lacerda e Humberto Porto - 1938) que marca a participação de Orlando Silva no filme Banana da Terra, de J. Rui. “Apresento minha visão pessoal desta canção auxiliado por belo arranjo que traz introdução com o piano de Breno Ruiz, fazendo referência ao estilo barroco”. “Dama do Cabaré” (Noel Rosa - 1936) traduz o clima boêmio dos cabarés da Lapa carioca. “A genialidade de Noel e o brilhantismo da interpretação de Orlando Silva nortearam sua inclusão no repertório”. A terceira canção, “A Primeira Vez” (Armando Marçal e Bide - 1940) “é uma canção que remete à inocência da paixão juvenil e me faz rememorar as desilusões passageiras da juventude”. Zé Guilherme explica porque escolheu “Abre a Janela” (Marques Júnior e Roberto Roberti - 1937) para dar nome ao disco: “minha intenção é convidar o público para apreciar comigo a obra de Orlando”. Este foi o primeiro sucesso carnavalesco do Cantor das Multidões que estourou na festa carioca de 1938.

Sobre a quinta música, um dos maiores sucessos de Orlando Silva, “Aos Pés da Cruz” (Marino Pinto e Zé da Zilda - 1942), Zé Guilherme conta que esta é uma das suas prediletas, desde infância. Seguindo, vem “Cidade do Arranha Céu” (Edgard Cardoso, Ranchinho e Alvarenga – 1936), uma linda e graciosa homenagem à São Paulo. “Ela registra também o meu desejo de reverenciar a cidade que me acolheu, quem devo a construção do meu percurso musical”, diz o cantor. Já “Cidade Brinquedo” (Silvino Neto e Plínio Bretas - 1939) é uma marchinha que canta as peculiaridades geográficas do Rio de Janeiro. As morenas cariocas brejeiras, comparadas a um bando de andorinhas, faz dessa canção uma homenagem pitoresca e original à cidade maravilhosa.

“Curare” (Bororó – 1940) é uma composição que sempre fez parte do repertório de Zé Guilherme. “A singeleza da letra e a malemolência da melodia me emocionam; é um deleite cantar esta canção, cheia de brasilidade e suingue”. Na sequência, outra obra carregada de brasilidade, “Faixa de Cetim” (Ary Barroso - 1942), característica marcante nas escolhas de Orlando. Já “Lábios Que Beijei” (J. Cascata e Leonel Azevedo 1937) era a canção preferida de sua mãe, grande responsável por sua paixão pela música e pelo encantamento por Orlando Silva. “Ela contém toda a carga afetiva que alimentou por décadas o meu desejo de reverenciar o ídolo inspirador”. E “Lealdade” (Wilson Batista e Jorge de Castro - 1942) mantém a linha romântica; é uma canção que foi muito regravada por outros artistas. A próxima, muito conhecida como marchinha carnavalesca, “Malmequer” (Newton Teixeira e Cristovão de Alencar - 1939) ganhou um andamento mais lento, mais jazzístico com a divisão rítmica mais voltada para ciranda do que para a marcha.

Seguem duas lindas composições que não estão no roll das mais populares do repertório de Orlando Silva: “Meu Consolo é Você” (Nássara e Roberto Martins - 1938) e “Meu Romance” (J. Cascata - 1938). Esta última canta o bairro da Mangueira e sua escola de samba, cenário para os “malandrinhos” se apaixonarem. Em seguida, o samba “O Homem Sem Mulher Não Vale Nada” (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti - 1938) segue na contramão da linha machista da época, cuja letra fala de um homem em busca de sua amada; seguida pela romântica “Pela Primeira Vez” (Noel Rosa e Cristovão de Alencar - 1936). Se fosse composta nos dias de hoje, “Preconceito” (Marino Pinto e Wilson Batista - 1941) seria politicamente incorreta ao falar das barreiras para o amor nas diferenças sociais: narra de forma graciosa o amor de um negro do morro por uma moça branca. E, fechando com a dignidade que Orlando Silva e Zé Guilherme merecem, vem o samba-exaltação “Alegria” (Assis Valente e Durval Maia - 1937) “que sintetiza minha satisfação com esta feliz realização de um o sonho”, finaliza o cantor. É mesmo pra festejar!

Zé Guilherme

Cearense nascido em Juazeiro do Norte, Zé Guilherme cresceu ouvindo grandes nomes do cenário musical brasileiro, tais como Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, entre outros, além de cantadores, repentistas, violeiros, banda cabaçal, maracatu, frevo e boi-bumbá, influências de fundamental importância para a realização do sonho de ser cantor. Em São Paulo, desde 1982, cantou no circuito de casas noturnas da cidade, participando de inúmeros shows ao lado de amigos e parceiros musicais como Maurício Pereira, Cris Aflalo, Madan, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha, Péri, entre outros.

Em 1998, estreou o show Clandestino, no Espaço Anexo Domus, com direção musical de Swami Jr. e direção geral do ator Luiz Furlanetto. Mais tarde, apresentou o show Zé Guilherme e Convidados no Teatro Crowne Plaza, com a participação especial de Carlos Careqa, Maurício Pereira, Vânia Abreu, Zé Terra e René de França. Cantou nos projetos Arte nas Ruas, Clima do Som no Parque da Aclimação e MPB nas Bibliotecas, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo; Quinta Mariana, do SESC Vila Mariana, e Quatro Vozes, do Centro Experimental de Música do SESC Consolação.

Em 2000, Zé Guilherme lançou seu primeiro CD, Recipiente (Lua Discos) com produção musical e arranjos de Swami Jr., que foi apresentado no Teatro Crowne Plaza, Sesc Ipiranga, Vila Mariana e Pompeia (Prata da Casa), Supremo Musical, Centro Cultural São Paulo e outros. Em 2002, a interpretação de Zé Guilherme para Mosquito Elétrico, de Carlos Careqa, foi incluída na coletânea Brazil Lounge: New Electro-ambient Rhythms from Brazil, lançada pela gravadora portuguesa Música Alternativa. Em 2003 participou do CD homônimo do mineiro Cezinha Oliveira (faixa “Seca”).

Em 2004, Zé Guilherme estreou o show Canto Geral, com canções de seu CD de estreia e músicas inéditas de Marcelo Quintanilha, Carlos Careqa, Péri, Alexandre Leão, entre outros. Em 2005, apresentou-se no projeto Música no Museu, do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Lançou, em 2006, o segundo CD, Tempo ao Tempo, com produção e arranjos de Serginho R., direção artística do próprio Zé Guilherme, que assina também a coprodução em parceria com Marcelo Quintanilha. Em 2007, cantou no CD ao vivo Com os Dentes - Poesias Musicadas, de Reynaldo Bessa. Atualmente, dedica-se ao lançamento de seu novo CD Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva, resgate e releitura da obra do cantor Orlando Silva, em comemoração ao centenário de nascimento do Cantor das Multidões que faria 100 anos em 2015.

Orlando Silva

Orlando Garcia da Silva, também conhecido como O Cantor das Multidões, um dos mais importantes cantores brasileiros da primeira metade do século XX e até hoje considerado o maior cantor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1915, na Rua General Clarindo (hoje Rua Augusta), no bairro do Engenho de Dentro. Seu pai, José Celestino da Silva, era violonista e atuou musicalmente ao lado de Pixinguinha no grupo Os Oito Batutas. Orlando viveu por três anos neste rico ambiente musical, quando, então, seu pai faleceu vítima da gripe espanhola. Teve uma infância normal, sempre gostando muito de violão. Na adolescência já era fã de Carlos Galhardo e Francisco Alves, este último um dos responsáveis por seu sucesso. Foi o compositor Bororó o responsável por apresentá-lo a Francisco Alves, em 1934. O Rei da Voz ouviu Orlando e imediatamente decidiu lançá-lo em seu programa na rádio Cajuti. Nos seis ou sete anos seguintes tornou-se um grande sucesso e sua voz foi considerada por muitos a mais bela do Brasil. Exclusivamente intérprete, Orlando deu vida a canções de grandes compositores tais como Assis Valente, Noel Rosa, Pixinguinha, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Nássara, entre tantos outros. Joias da música brasileira foram eternizadas por sua linda voz e interpretações primorosas. A naturalidade do seu canto mesmo nos agudos mais vigorosos, não parecia requerer dele qualquer esforço. Influenciou inúmeros artistas, entre eles João Gilberto, seu admirador confesso. O gênio da bossa nova atribui a Orlando Silva a sua paternidade vocal e estética. Entre 1935 e 1942, conheceu o auge e atraía os fãs de tal forma que o radialista Oduvaldo Cozzi o batizou e passou a apresentá-lo como "o cantor das multidões", conforme relata no filme de mesmo nome. Inclusive, no final dos anos 30, o cantor tomou um grande susto numa apresentação no centro de São Paulo, quando foi, literalmente, “atacado” por milhares de fãs alucinadas pelo ídolo, marcando para sempre o epíteto que o identifica até hoje. Faleceu em 7 de agosto de 1978, aos 62 anos, de ataque cardíaco.

CD: Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva / Artista: Zé Guilherme
Distribuição: Tratore (www.tratore.com.br). Preço sugerido: R$ 27,00
Teaser CD: https://youtu.be/r4_mzdX9qwo / EPK: https://youtu.be/5V6AF61KNuI
Site do artista: www.zeguilherme.com.br / https://www.facebook.com/oficialzeguilherme


Serviço
Show: Zé Guilherme

Dia 11 de dezembro. Sexta-feira, às 21h
Sesc Belenzinho
Teatro (3º andar)
Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho. São Paulo/SP
Telefone: (11) 2076-9700
Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia-entrada) e R$ 6,00 (comerciário).
Classificação: livre. Duração: 80 min. Capacidade: 392 lugares
Estacionamento: R$ 6,00 (não matriculado) e R$ 3,00 (matriculado no SESC).
www.sescsp.org.br/belenzinho

Fonte:Assessoria de imprensa / Sesc Belenzinho