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Espetáculo Itinerante

Publicada em : 16/06/2014

Proposta é elucidar ligações ancestrais entre as diferentes regiões onde acontece o espetáculo e o bairro do Capão Redondo

Jonatha Cruz
O espetáculo, foi primeiramente concebido nas ruas do Capão Redondo, extremo sul da cidade, em 2013, porém, tornou-se itinerante pela própria essência da peça. Toca em assuntos como: o apartheid “gentil” existente no Brasil, negros operários tratados com sub-cidadãos, espaços físicos gerando separação social. Os movimentos coreográficos do espetáculo mostram em forma de dança e texto como esta separação torna-se indignação e é transformada em material poético, explorando questões como herança cultural e identidade do brasileiro. As próximas apresentações acontecem nos dias 06, 07 e 08 de junho (Casa de Teatro Maria José de Carvalho – Heliópolis), dia 14 de junho (Instituto Pombas Urbanas) e dias 04, 05 e 06 de julho (Arsenal da Esperança – Sede da Cia. Estável).  O espetáculo tem apoio da 15º Edição do Programa do Fomento à Dança e a entrada para todas as apresentação é GRATUITA.

Com direção artística de Gal Martins (Prêmio Denilto Gomes 2013 na categoria Difusão da Dança, concedido pela Cooperativa Paulista de Dança), direção coreográfica de Yaskara Manzini, e trilha sonora composta pelo multi instrumentista Cláudio Miranda, da banda Poesia Samba Soul e os músicos Zinho Trindade e MC Gaspar, “Outras portas, outras pontes” abarca dois momentos: uma caminhada cênica na rua e a segunda parte do espetáculo nas dependências de um teatro ou espaço cultural. O processo de OUTRAS PORTAS, OUTRAS PONTES abrange desde o resgate da ancestralidade africano-nordestina até o olhar sensível sobre as questões político-estéticas que permeiam a cultura periférica, dialogando diretamente com a pesquisa estética atual que a Cia vem desenvolvendo a cerca de dois anos que Gal Martins nomeia de: “Dança da Indignação”.

Nesse processo, as indignações identificadas partiram principalmente dos espaços urbanos e comuns aos próprios bailarinos, moradores de regiões periféricas da cidade, lugares onde emergem causas e bandeiras sociais, políticas e poéticas. Segundo Martins, é na rua que essas indignações brotam, e onde as pessoas têm a possibilidade de gritar e expurgá-las. A itinerância do espetáculo surge da necessidade de traçar uma trajetória dramaturgia da história do bairro do Capão Redondo, mas principalmente como essa história dissipa e dialoga com a questão do Apartheid social, fazendo assim uma relação com o Apartheid da Africa do Sul, local e situação de onde surge a lenda do pássaro que dá nome a Cia – Sansakroma - , uma espécie de gavião que protegia as crianças sul africanas nos massacres provocados pelo Apartheid.

Durante preparação bailarinos fazeram aulas de Parkour

Os bailarinos da Cia. Sansacroma participaram de uma preparação corporal com técnicas de Parkour, uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto. O objetivo foi explorar a arquitetura dos lugares com mais possibilidades cênicas e coreográficas onde o espetáculo estiver, já que na primeira parte do espetáculo o elenco realiza uma caminhada cênica nas ruas, sempre acompanhada pelo público.

Espetáculo: “Outras portas, outras pontes”

Dias 04, 05 e 06 de julho – Arsenal da Esperança – Sede da Estável Cia. de Teatro – Rua Dr. Almeida Lima, 900 (próx. Estação Bresser/Mooca do Metrô)
Sexta e sábado às 20h e domingo às 19h
Duranção: 90 minutos
Classificação etária: 14 anos
ENTRADA FRANCA

Fonte:7 Fronteiras Comunicação