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Ninguém no Plural

Publicada em : 07/04/2014

Dirigido por Rita Grillo, o espetáculo reestreia dia 11 de abril no Teatro Pequeno Ato

Divulgação
Após curta temporada no Sesc Consolação em 2013, a peça ninguém no plural, adaptada de quatro contos do escritor moçambicano Mia Couto, reestreia dia 11 de abril, no Teatro Pequeno Ato, no centro. Criado coletivamente pelo grupo as de fora, o espetáculo propõe uma dramaturgia não-linear, como uma teia, onde quatro mulheres são contrapostas por um homem sempre presente, mesmo pela ausência.

“Elementos de cenário, pedaços de trilha sonora, uma mesma ação que reaparece em outro contexto são as costuras desta rede, e nesses ecos de repetições as histórias se misturam para no final se tornarem uma – uma história de amor e desencontro”, diz a diretora Rita Grillo.

Do livro “O fio de missangas” (Companhia das Letras), a narrativa é composta pelos contos: “O Cesto”, “Meia culpa, meia própria culpa”, “A despedideira” e “Os olhos dos mortos”. Em cena, as atrizes Anna Zêpa e Tânia Reis vivem as quatro personagens ao lado do antagonista representado pelo ator Kuarahy Fellipe.

“Todas as histórias giram de alguma forma em torno da relação da mulher com um homem (o marido, o amante que a abandonou). Esteja ele presente ou não na história sua ausência é fundamental para a dor dessas personagens”, conta Rita.

Em dois dos contos a mulher mata o marido, num terceiro ela deseja a sua morte. E no mais poético deles, “A despedideira”, ela vive na esperança de rever o homem que a abandonou há anos, vive de lembrança, de um amor por alguém que não existe mais. “Durante o processo de criação do espetáculo, de tanto repetir o texto, começamos a encontrar cada vez mais pontos coincidentes nas quatro histórias. Nenhuma dessas mulheres se tornou mãe (duas sofreram abortos), todas de alguma forma responsabilizam o outro (o homem) pela sua infelicidade, todas desejam mudar, e a libertação (em três contos) passa pela morte do homem”, completa a diretora.

Para a trilha sonora, Romulo Fróes compôs especialmente para a peça a partir do texto. “Conduzido quase que somente pelo som grave do baixo acústico, que para mim remete ao peso e à melancolia imprimidos por Mia, a trilha é construída através de fragmentos melódicos tirados deste tema, que emulam ações cotidianas na vida dos seus personagens, em movimentos de contenção e explosão, alternados de acordo com seu temperamento imprevisível ao longo da peça”, explica.

Adaptação de quatro contos do escritor moçambicano Mia Couto, ninguém no plural traz os mundos de quatro mulheres e as suas relações de desencontros, permeados pela ausência dos seus homens. Quatro universos, costurados por uma narrativa e encenação rica em objetos, sons e cheiros, cada pequeno universo povoado com os seus. Cada canto é um nicho, onde os elementos das personagens se encontram, podem surgir, se desenvolver e se revelar diante da plateia. (vídeo-conceito: https://vimeo.com/70777758)


Serviço:
Reestreia dia 11 de abril, às 21h30.
Teatro Pequeno Ato.
Rua Doutor Teodoro Baima, 78. República. Tel: 9 9642-8350.
Até dia 11 de maio. Sex e Sab, às 21h30. Dom, às 19h30. R$15.
Duração: 60 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Fonte:Juliana Gola