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Exposição Meninas do Brasil

Publicada em : 30/01/2014

18 telas do artista plástico Geraldo Lacerdine (padre jesuíta) retratam a história da vida real de mulheres de diferentes gerações

Divulgação
Após o êxito da mostra “Meninas do Brasil”, que nos dois últimos anos percorreu os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, o artista plástico jesuíta Geraldo Lacerdine terá suas telas expostas no Conjunto Nacional, na Av. Paulista, em São Paulo (onde estreou em outubro/2012), de 3 a 21 de fevereiro. A mostra retrata narrativas de mulheres brasileiras dos mais diferentes perfis e gerações.

“Meninas do Brasil” é resultado de uma pesquisa do artista sobre cultura brasileira, tendo a mulher como foco central da expressão. O trabalho dá voz a mulheres anônimas, que muitas vezes são silenciadas pelo abandono, pela exclusão social ou pelo fato de serem pobres, negras e subjugadas. “Mais do que simples telas, a exposição tem uma dimensão sociológica e traz histórias reais de mulheres de diferentes idades, talvez por esse motivo tenha resultado em um envolvimento tão grande do público presente nas mostras e que muito tem me alegrado”, afirma Lacerdine, que também é diretor de comunicação da Companhia de Jesus (Província Brasil Centro-Leste).

A exposição reúne 18 grandes telas, de acrílico sobre compensado, algumas com 1,30m x 1,80m, com cores vivas e fortes. Ao lado de cada obra, há um descritivo da história da personagem retratada - com fragmentos dos depoimentos, que também podem ser ouvidos na voz das próprias mulheres em uma cabine com visor junto às obras, bastando clicar no ícone do som. Segundo o artista, que tem o dom de transformar narrativas em obras de arte, o público, ao se deparar com narrativas reais, tem a sensação de estar diante dessas mulheres e dentro da história com sentimentos aflorados.

Entre as histórias, todas comoventes, estão as de Elizete, a primeira da série, do interior de São Paulo, que, abandonada pelo marido, teve de cuidar de cinco filhos sozinha; Dandara, uma sem-teto de Belo Horizonte (MG); Tereza, de 78 anos, que vive em uma solidão profunda após ser esquecida pelos filhos; Alice de 13 anos, grávida do próprio pai; e de Judite, 50 anos, à espera por um homem que conheceu quando moça. 

Depois do Conjunto Nacional, a exposição segue viagem para a PUC Minas, em Belo Horizonte, onde será foco, por 30 dias, de observação dos alunos de Belas Artes e Humanas como processo de estudos culturais da universidade.

Sobre o artista - Aos 36 anos, o mineiro Geraldo Lacerdine é formado em comunicação, filosofia e teologia. Abraçou a pintura como modo de expressão e transformação da realidade. Faz uma pertinente síntese entre filosofia, sociologia, antropologia e arte. www.artelacerdine.com


Algumas das obras da exposição


Judite – Tela: 1,00 x 1,40 cm

“Quando eu era menina-moça conheci o homem mais formoso que qualquer mulher pode conhecer na vida. Falava manso, gostava de cantar e assubiá (sic)... Quando bati o olho nele, percebi que ele seria o pai dos meus filhos. Eu era tão doida por ele, mas tão doida, que nunca tive coragem de me declarar com medo de ele me dizer não e eu perder tudo, até a oportunidade de só olhar pra ele de vez em quando. Hoje tenho 50 anos, nunca tive homem nenhum, só tenho a esperança de que um dia ele virá dizer que me ama.”


Alice – Tela: 1,30 x 1,80cm

“Não gosto de falar de mim, me acho feia, de cabelo duro... Eu queria ter o cabelo liso, tenho certeza que as pessoas gostariam mais de mim! Tenho 13 anos e já estou embuchada... Também não gosto de falar disso... Foi meu pai quem teve a culpa.”


Elizete – Tela: 1,30 x 1,80cm

“O pior dia da minha vida foi quando o ordinário do Manuel me abandonou de resguardo no quinto menino... Eu tinha saído do banheiro, quando vi o bilhete depositado em cima da cama... Li e percebi o transtorno do meu desespero... O que eu vou fazer da minha vida? Eu não tenho ninguém por mim e tenho cinco meninos pequenos... Sem rumo, sentei na janela e chorei meu desespero de não ter ninguém por mim...”


Odete – Tela: 1,00 x 1,40 cm

“Eu gosto de gera (sic) menino, é a coisa mais boa (sic) desse mundo... Senti o bichinho chutano (sic) na barriga da gente! Sabe que eu me sinto meio Deus, criano (sic) a vida dentro de mim?”


Tereza – Tela: 1,00 x 1,40 cm

Sinto muita falta dos meus fios (sic). Quando a gente fica velha, o povo some tudo (sic)! Eu moro sozinha, fico sozinha, como sozinha, durmo sozinha... das poucas alegrias que tenho é quando os menino (sic) liga e diz que vai (sic) chegar no final de semana... Aí eu espero, espero e ninguém vem.”


Virgem das Dores – Tela: 1,00 X1,40 cm

“Sinto que ela se parece com nóis (sic), que sofre a dor do desespero quando temos pouco pra dar prós (sic) nossos filhos... que agoniza sentada do nosso lado nas pernoites frias nos hospitais públicos... Quando perdi a Camila, minha menina do meio com meningite, ajoelhei no meio do corredor do hospital, fechei os olhos e senti a Mãe me olhando com o coração aberto de dor...era o meu coração que estava daquele jeito e ela me entendia...imaginei que colocava a mão no coração dela e...não sei explicar, mas o meu ficava em paz..”


Luzia – Tela:1,00 X 1,40 cm

“Quando pequena, fui doada por minha mãe porque tinha uma anomalia nas pernas, o que me impossibilitava de andar. Entendo minha mãe, pois aqueles tempos eram difíceis, pobreza, falta de tudo e mais um monte de filhos para criar. Foi a minha madrinha que me acolheu, quando eu tinha três anos de idade. Dizem que, quando cheguei na casa dela, a madrinha se ajoelhou, agradeceu a Deus pelo presente de chegada e pediu a Nossa Senhora Aparecida que me curasse as pernas. O tempo passou... e aos 15 anos, eu já estava completamente curada e vivendo como uma pessoa normal. Daí, fomos ao Santuário de Aparecida agradecer a Deus e a Nossa Senhora pela graça. Estávamos juntas eu, a madrinha e minha mãe”.

Serviço:

Exposição “Meninas do Brasil”

De: 03 a 21/2

Local: Conjunto Nacional – Espaço Cultural – Piso Térreo

Avenida Paulista, 2073 – Consolação (SP-SP)

Horário: de segunda a sábado, das 7h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 22h

Entrada gratuita

Fonte:Press Services Soluções Integradas em Comunicação