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Reconhecer-se: Cuba-Brasil

Publicada em : 09/12/2013

Mostra reúne imagens de realidades que aproximam os dois países, registradas nas cidades de São Luis, Belém e Havana, capital cubana

Élcio Miazaki

Apresentar, por meio de registros fotográficos os laços e os vínculos que estreitam e aproximam duas realidades e duas sociedades do Brasil e Cuba. Em síntese, esse é o objetivo da exposição fotográfica “Reconhecer-se: Cuba-Brasil”, que o fotógrafo e arquiteto paulistano Élcio Miazaki inaugura 05 de dezembro (convidados), a partir das 19h, que vai ocupar cerca de 100 m² do espaço de exposição do Instituto Cervantes. A mostra, com curadoria do professor, arquiteto e designer Carlos Zibel Costa, tem entrada franca e recebe visitantes até o dia 31 de janeiro de 2014.

As 66 fotografias que compõem “Reconhecer-se: Cuba-Brasil – capturadas pelas lentes das câmeras tanto analógicas quanto digitais de Élcio Miazaki – pretendem expor como são próximas as realidades de cubanos e brasileiros, que podem, a principio, parecer muito diferentes e distantes, mas que possuem muitas similaridades.

Os registros foram feitos ao longo de três viagens realizadas por Miazaki: São Luis (Maranhão), em 2003 e Havana (Cuba) e Belém (Pará), em 2008. Segundo o curador Carlos Zibel Costa, “o trabalho proposto por Miazaki reconhece os laços históricos e antropológicos, que conduzem a uma reflexão sobre as sociedades brasileira e cubana. O seu registro particular das cidades de Havana, Belém e São Luis do Maranhão visa estimular no público a percepção dos traços que as une e ao mesmo tempo as individualiza”.

Olhar – Dentre os registros, alguns são destacas pelo fotógrafo, como a imagem de um muro, clicado em Havana, pintado com a inscrição “...La moral de la Revolución está tan alta como las estrellas. Fidel”, reforçando a intensa propaganda política na cidade. Também fotografada em Havana, há a imagem de um grupo de estudantes uniformizadas, descendo de mãos dadas as escadas da escola. “Em Cuba me chamou a atenção o fato dos estudantes andarem em grupos, muitas vezes de braços ou mãos dadas. Acho essa atitude um tanto rara por aqui no nosso país”, explica Miazaki.

Já entre os trabalhos realizados no Brasil, também há o registro de um grupo de estudantes uniformizados, dessa vez capturado em Belém, que dialoga com a foto tirada em Havana. Miazaki explica que “a foto dos três adolescentes feita aqui no Brasil me remete a Cuba pelo tempo de conversa que houve entre eles e a demonstração de afeto, além dos uniformes”.

Dentre os trabalhos expostos, apenas uma foto traz um personagem que sabia que estava sendo fotografado. “Geralmente fotografo sem ser observado, mas nesse caso, enquanto esperava a chuva passar, um senhor começou a trocar palavras comigo. Depois perguntei se eu poderia fotografá-lo e logo respondeu que sim. Ao vê-lo se ajeitando e estufando o peito, concluí que ele era a síntese do sentimento de orgulho de muitos cubanos”.

Repressão - A principal dificuldade de Miazaki em terras cubanas vinha das autoridades policiais. “No início, foi um pouco tenso fotografar em Cuba devido à forte marcação de oficiais (exército e seguranças). Não tinha medo de ter a câmera tomada por um cidadão qualquer, mas sim por um policial. A polícia ficava próxima quando percebia que eu estava perto dos cubanos, principalmente quando eram trocadas palavras. O sentimento foi de vigilância o tempo todo”.

Por fim, o curador Carlos Zibel Costa completa: “o trabalho em fotografia que Miazaki apresenta se desenvolve por meio da criação de experiências sensoriais instigantes, apoiadas em estruturas sutis que propõem uma vivência interior ao evento sem estar aí incluído fisicamente”.

SERVIÇO - Exposição  Reconhecer-se: Cuba-Brasil, de Élcio Miazaki
Local: Instituto Cervantes de São Paulo
Espaço Cultural Galeria
Abertura: 05 de dezembro, às 19h
Visitação: 06 de dezembro de 2013 a 31 de janeiro de 2014 - Horários: terça a sexta, das 9h às 20h30 e sábados, das 9h às 15h
Endereço: Av. Paulista, 2439
Telefone: (11) 3897-9606
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada franca
Recomendação etária: livre

Fonte:Sylvio Novelli - Assessoria em Comunicação