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Duas Mulheres que Dançam

Publicada em : 14/10/2013

A montagem celebra os quase 50 anos de carreira de Karin Rodrigues e tem a direção de José Sebastião Maria de Souza



Duas mulheres unidas pela solidão e pela dor em uma história recheada de encontros e desencontros. Este é o mote do espetáculo Duas Mulheres que Dançam, que estreia sábado, 19 de outubro às 21hs no Teatro Eva Herz. Com tradução de Clarisse Abujamra, o texto do catalão Josep Maria Benet i Jornet tem montagem de José Sebastião Maria de Souza. Em cena, o duo é vivido por Karin Rodrigues - que está prestes a completar 50 anos de carreira – e Amazyles de Almeida.

A convivência diária de uma obstinada colecionadora de gibis e suas lembranças com uma jovem professora de Línguas e Literatura gera laços de cumplicidade. Com ternura e humor, elas passam suas vidas a limpo. Karin Rodrigues vive a mulher solitária, abandonada pelos filhos, que se diverte e dribla os problemas do dia-a-dia com estado de espírito sempre pra cima e a leitura de histórias em quadrinhos - válvula de escape, que remete a lembranças de infância. Enquanto isso, Amazyles de Almeida vive às voltas com uma dor insuportável.

As cinco cenas da montagem são costuradas por uma trilha sonora inspirada no cinema: O Anjo Azul, de Josef von Sternberg, com Marlene Dietrich; La Violetera, de Luis César Amadori, na voz de Sarita Montiel; Zorba, o Grego, de Michael Cacoyannis; Cantando na Chuva com Gene Kelly; Amarcord, de Federico Fellini, com composição de Nino Rota; Bete Balanço,  de Lael Rodrigues, com o Barão Vermelho; Something Stupid, de Vaughan Arnell; além da ópera Libiamo, La Traviata, de Giuseppe Verdi.

O embate entre as personagens é forte. O profundo distanciamento inicial vai diminuindo até gerar uma relação de compartilhamento de intimidade e confiança. “São duas mulheres sofridas, vítimas da violência psicológica e cotidiana do mundo. Mesmo com suas diferenças, elas se identificam e se tornam necessárias uma na vida da outra”, diz Amazyles.

Karin Rodrigues chega com sua 34ª peça, que dialoga bem com os tempos atuais. “As personagens não têm nome, o que permite maior identificação com o público. De certa forma, a peça é a história de todos nós e pode se passar em qualquer tempo e espaço.”

“O texto lida com a questão atual de como é viver com os idosos no cotidiano. Qualquer ser humano já passou ou vai passar por uma situação semelhante”, fala Karin, completando que o fato da personagem ter a sua idade, ser do seu tempo, facilitou seu mergulho no papel. “É uma história envolvente de reflexão e humor em cada cena, não tem como não se divertir com essas duas mulheres”, comenta Karin Rodrigues.

De acordo com o diretor, Duas Mulheres que Dançam mescla o trágico com o melodrama, além de boas doses de humor. “A mistura de gêneros mostra que o trabalho de dramaturgia é rico com várias camadas. Tem até um lado meio Pedro Almodóvar no enredo da história.”

A direção de José Sebastião Maria de Souza procurou ser fiel ao texto fragmentado. A indicação para dirigir a montagem veio do amigo Antônio Abujamra. “É uma dramaturgia com bastante liberdade e espaços vazios, abrindo um leque de interpretação para o público. Existe uma estranheza nas nuances e uma economia nas palavras, porém com grandes dimensões. O autor diz muito com uma ou duas palavras”, diz o encenador.

A direção de arte de Maira Ramos criou um figurino baseado no cotidiano. A personagem de Karin se veste com roupão florido e pantufa que evidenciam sua personalidade alegre. Enquanto Amazyles usa vestidos com cores mais neutras. O cenário reproduz uma sala de estar de uma casa que vai se deteriorando com o tempo, uma alusão ao abandono dos filhos. De um lado, uma cômoda abriga a coleção de gibis; do outro, uma mesa cheia de caixa de remédios. A iluminação enfatiza o jogo da dupla e acentua as ações do texto.

Ficha Técnica
Direção Geral: José Sebastião Maria de Souza. Cenários e Figurinos: Maira Ramos. Programação Visual: Sydney Michellete. Fotos: Christina Carvalho. Elenco: Karin Rodrigues e Amazyles de Almeida. Artes Gráficas: Maurício Tramonti.

Serviço
Teatro Eva Herz da Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Avenida Paulista, 2073, Metrô Consolação. Bilheteria: (11) 3170-4059. De segunda a sábado, das 14 às 21 horas e aos domingos e feriados, das 12 às 20 horas. Preço: R$ 60 (Inteira) e R$ 30 (Meia). Temporada: Sábados, às 21h30
Domingos, às 16h até 15 de dezembro. Capacidade do teatro: 166 lugares. Classificação: 12 anos. Duração: 70 minutos.Ingressos à venda pela Internet: www.teatroevaherz.com.br ou www.ingresso.com.br. Vendas/Call-center: 4003-2330. Compras pelo sistema da ingresso.com, funciona da seguinte maneira: Call-center: (adicional de 20%). Internet: (adicional de 15%). Os ingressos são retirados na bilheteria do próprio teatro. Formas de pagamento: dinheiro e todos os cartões de débito e crédito – não aceita cheque.

Fonte:Arteplural Comunicação