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Mães Iradas

Publicada em : 29/08/2013

Cynthia Falabella, Ester Laccava, Iara Jamra e Luciana Carnieli em divertidas situações sobre as dores e delícias da maternidade

Joao Caldas

Divertidas, alegres, bravas, controladoras, superprotetoras, permissivas, desligadas, antenadas. Mãe é mesmo tudo igual? E como ser mãe nos dias de hoje? Como lidar com as escolhas da vida e ao mesmo tempo educar os filhos? O espetáculo Mães Iradas levanta essas e outras questões ao colocar em cena as atrizes Cynthia Falabella, Ester Laccava, Iara Jamra e Luciana Carnieli em hilárias situações sobre os dilemas da maternidade. 

A experiência de ser mãe é mostrada por meio das tentativas de concepção, da gravidez, do parto e da adaptação à rotina com a chegada de um recém-nascido. Da alimentação dos bebês à decisão pela melhor escola, educar os filhos é uma prática diária de enfrentar dificuldades e fazer escolhas. Influenciadas pelas lutas feministas do século passado - que colocaram as mulheres no centro de questões políticas e socioculturais e deram espaço para grandes conquistas -, as mães modernas correm contra o tempo para assumir múltiplas atividades. E são, muitas vezes, as principais provedoras do lar. Em dez anos, o número de mulheres na condição de chefe de família subiu de 25,9% para 34,9%, segundo o IBGE.

Escrito pelas atrizes americanas Lisa Rafferty, Stefanie Cloutier e Sheila Eppolito - traduzido no Brasil pela atriz e produtora Rachel Ripani –, o espetáculo expõe, a partir de relatos, as amarguras, deslumbres e emoções por que passaram, desde o nascimento até a adolescência de seus filhos. O espetáculo foi sucesso em Boston e a história já foi remontada em diversos países.

Retratos maternos
No palco, quatro mães contam para a plateia suas histórias. Tem aquela que se apoia na própria mãe para tudo. A desbocada que não entende por que os filhos também são desbocados. A que abandonou a vida profissional em função dos filhos e agora não consegue retomar as rédeas da própria carreira. E a mãe que leva a máquina de extrair o leite materno para o local de trabalho e fica morrendo de medo dos colegas ouvirem o barulho da sucção durante o expediente. Um pouco de cada mãe está retratada no palco. Às vezes errando, oras acertando, mas sempre fazendo de tudo para que seus filhos sejam "os melhores do mundo".

As atrizes interpretam várias mães em narrativas que vão desde a hora do parto, a dificuldade de ter o primeiro filho, de engravidar, de amamentar, a educação e até finalmente a idade de ir para a escola. Para Alexandre Reinecke, trabalhar com quatro mulheres foi muito divertido. Na encenação, o diretor privilegiou a atuação das atrizes, que contribuíram com suas experiências pessoais. “É uma montagem simples cenicamente, que comunica diretamente com a plateia.”

Iara Jamra dá vida a mulheres mais despojadas e tranquilas. “Fico zombando, um pouco das outras mães, pois as que interpreto deram sorte com o primeiro filho. Mas faço depoimentos de situações mais constrangedoras também, porém sempre de  maneira engraçada”, fala a atriz que diz ter se inspirado nas amigas. A atriz destaca uma cena em que sua personagem perde o filho pequeno numa loja grande de departamentos. “É patético, mas divertido ao mesmo tempo.”

A peça trata com humor questões, às vezes, delicadas da maternidade, como a perda da auto-estima, a falta de tempo e os conflitos profissionais. Para Luciana Carnieli - que interpreta uma mulher que lutou bastante para engravidar pela primeira vez - “os filhos tomam todo o tempo e os conflitos que as mulheres vivem para serem mães incríveis, profissionais maravilhosas e esposas fogosas é muito grande. O espetáculo é divertido, delicado, feminino e toca não só as mulheres, mas os homens também.” Luciana, que não tem filhos, se inspirou na própria mãe para compor sua personagem.

Iara Jamra completa dizendo que “o público se identifica com as situações difíceis e engraçadas, desses momentos de ser mãe, de parir. A plateia ri, se emociona e sentimos o tempo todo as pessoas pensando: é assim mesmo".

Numa das cenas, Luciana Carnieli expõe um episódio que passou com três filhos dentro do carro. “A bebê doente chora, o mais velho enjoado vomitando e a do meio gritando insistentemente pedindo um pirulito. Tudo ao mesmo tempo. E a mãe se desdobrando pra dar atenção e cuidado aos três no carro em movimento.”

Cynthia Falabella, que ficou grávida durante o processo de montagem, vive uma mãe doce, que sofre os efeitos colaterais causados pela gravidez. “A ideia é que essas quatro mulheres representem todas as mães, com suas qualidades e defeitos”, comenta.

O tema também rende momentos tocantes. Luciana Carnieli conta sobre quando sua personagem ligou as trompas para não ter mais filhos, mas não deixou de pensar em quem mais chegaria ao mundo se não tivesse feito tal procedimento. Ou quando Ester Laccava relata o primeiro dia em que sua filha foi para a escola.

FICHA TÉCNICA:
Texto: Lisa Rafferty, Stefanie Cloutier e Sheila Eppolito. Tradução: Rachel Ripani. Direção: Alexandre Reinecke. Elenco: Cynthia Falabella, Ester Laccava, Iara Jamra e Luciana Carnieli. Fotos: João Caldas. Produção Executiva: Carmem Oliveira / Daniella Griesi / Andresa Lenzi. Realização: Reinecke Produções / Ricca Produções/ Solo Entretenimento.

Serviço:
MÃES IRADAS – Reestreia dia 4 de setembro, quarta-feira, às 21 horas, no Teatro Jaraguá. Classificação etária: 10 anos. Duração: 60 minutos. Gênero: Comédia. Ingressos: R$30,00 e R$15,00. Dinheiro, Cartões de débito RedeShop e Visa Electron. Temporada: de 4 de setembro a 21 de novembro – Quartas e quintas, às 21 horas.
Teatro Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista. Telefone: 3255 4380 / 2802 7075. Possui estacionamento com manobrista, além de ponto de táxi, ambos localizados dentro do hotel. Lotação: 266 lugares.

Fonte:Arteplural Comunicação