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Longa-metragem de ficção CRU tem exibições de 28 de junho a 4 de julho

Publicada em : 26/06/2013

Inspirado na peça da Cia Plágio de Teatro a versão cinematográfica optou por um olhar mais profundo diante da história


O longa-metragem de ficção CRU (35mm, 73 min.) - baseado em premiado espetáculo de mesmo nome, da Cia Plágio de Teatro, de Brasília - será exibido 28 de junho a 4 de julho, às 20h30, no Itaú Cultural – Frei Caneca. Trata-se do primeiro longa do cineasta Jimi Figueiredo. No elenco, Chico Sant’Anna, Sérgio Sartório, André Reis e Rosanna Viegas.

A ideia do filme nasceu em 2009, quando o diretor Jimi Figueiredo e o dramaturgo Alexandre Ribondi conversaram, depois da exibição da peça, sobre a possibilidade de adaptá-la para o cinema. A versão teatral tem um tom mais visceral e explosivo, e a versão cinematográfica optou por um olhar mais profundo diante da história. Além disso, personagens e situações - que eram apenas citadas no teatro - ganharam vida na tela.

De forma diferente da peça, o filme não se restringe ao espaço do açougue. Ele dá vida a lugares e personagens apenas comentados no teatro. A pequena cidade perdida no interior do Brasil, o deserto claustrofóbico de uma pedreira são cenários que fazem um contraponto aos espaços fechados do açougue e do hotel (que também não existe na montagem teatral). “Este Brasil perdido no tempo, na língua que resiste à globalização, é contextualizado como uma espécie de cidade fantasma, um passado ainda presente nos personagens, que não conseguem encontrar sentido em suas vidas”, conta Jimi Figueiredo.

A peça – do dramaturgo Alexandre Ribondi, co-dirigida pelo autor e por Sérgio Sartório - esteve em cartaz no Teatro Ivo 60, em São Paulo, em março deste ano, depois de ganhar diversos prêmios desde a estreia em 2009 em Brasília e fazer temporadas por cerca de 50 cidades do País. Esteve, ainda, no Exterior (Itália, Milão em 2010).

O filme aborda a violência, mas não aquela violência explícita, sanguinária. É mais um estudo sobre a violência interior, das palavras, das mágoas, que faz o homem refém de seus próprios instintos. 

Zé (Chico Sant'Anna) é um forasteiro que chega a uma cidade do Interior em busca de um matador de aluguel. Lá encontra-se com Frutinha (André Reis), um travesti dono de um açougue, amigo de Cunha (Sérgio Sartório), a pessoa procurada por Zé. Aos poucos, o passado dos três personagens vem à tona, revelando as verdadeiras intenções de cada um. A personagem Maria (mãe de Cunha) – que ganha vida no cinema na interpretação de Rosanna Viegas - é fundamental para a história. “O filme opta por uma linguagem mais intimista, os diálogos são mais lentos do que a velocidade estonteante da peça, o que acentua um tipo de violência não explícita, mágoas interiorizadas, um jogo de cinismo e ironia que constroem uma atmosfera de thriller, a partir de uma montagem que brinca constantemente com o espaço e o tempo”, explica o diretor.

Cru retrata um Brasil que quase não mais existe, com maneiras e falares perdidos na história, em tempos de frenética globalização. Um lugar esquecido, como são esquecidas as mágoas e paixões que os personagens da trama carregam.

O filme foi lançado no Festival de Cinema de Brasília em 2011, conquistou o prêmio da CLDF de melhor filme do Distrito Federal. Em seguida, foi selecionado para o Fest Rio (Festival de Cinema do Rio) e ainda representou o Brasil no CINESUL (Festival Ibero-americano de Cinema). Ganhou os prêmios de melhor Filme, Ator, Direção de Arte e Trilha Sonora no Festival de Cinema Guarnicê, no Maranhão, em 2012, além de conquistar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Maringá, PR. O filme foi selecionado também para a Mostra Cine BH, em Belo Horizonte, MG, em 2012, e para o FANTASPOA, em maio de 2013.

Trailer do filme - http://www.youtube.com/watch?v=N5nxTo-xk58

Fonte:ARTEPLURAL