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Brincando com a Morte

Publicada em : 11/03/2013

O humor negro de Funeral Games, de Joe Orton


Brincando com a Morte foi escrita, originalmente, para a televisão, em 1966, no período mais criativo da carreira de Joe Orton que vai até 1967. O diretor Alexandre Tenório afirma que o texto é mais atual e contundente hoje, dentro da realidade brasileira, do que quando foi escrito. “Funeral Games tem a força necessária para entrar no subconsciente da sociedade, pela fresta do social e emocional”.

Carregada de um humor ácido, a peça é uma sátira à caridade cristã. Critica a hipocrisia, as falsas religiões e também a moral vigente. Orton, em sua curta e intensa carreira surpreende, choca e diverte com refinamento e deboche, revelando as contradições humanas.

A trama
As referências geográficas mais específicas da peça, originalmente inglesas, foram adaptadas para o Brasil atual. No enredo, Pringle (Kiko Vianello) é pastor de uma irmandade vigarista que recebe uma carta anônima que acusa sua esposa Tessa (Fernanda Couto) de manter um relacionamento com outro homem, McCork (Tadeu Di Pyetro). Ele contrata o detetive Caulfield (Edu Guimarães) para investigar o caso. O possível amante, por sua vez, é também suspeito de ter assassinado a própria esposa. O adultério é um equivoco. Tessa é inocente. Mas a confusão se instala quando Pringle diz que a esposa “partiu” e todos pensam que ele a matou. Situações surreais com uma lógica toda particular se sucedem, onde ética e moral estão a serviço da conveniência de cada personagem.

A montagem
A encenação parte do princípio de que todo ser humano é esquecido e todos viram pó. Apesar dos homens se digladiarem por fama, fortuna e poder, eles terminarão sempre no cemitério. No início da peça é como se o público adentrasse em um cemitério; as personagens começam e terminam a história como se fossem estátuas de pedra. O diretor Alexandre Tenório conta que a impressão primeira do público tem relação com a estranheza, mas depois a trama constrói uma lógica que envolve o espectador.

O diretor também explica que a montagem brinca com a farsa e com a realidade: “a peça tem estrutura de farsa, muito ligada ao suspense. Nos dois gêneros você precisa acreditar que o corpo está no porão, que o amante está no armário, que a mão escondida dentro da lata é humana”. Ele explica que a peça é atual com referências contemporâneas, mas a estética é medieval. “O mundo atual está mergulhado em memórias góticas”, completa.

O ambiente da história de Orton é amoral. O que lhe importa são os interesses pessoais e políticos, a imagem pública. Ele critica tudo numa trama que envolve vários níveis políticos, sociais e raciais. E não perdoa nada. Coloca em cheque tanto os fatores políticos, econômicos e religiosos, quanto a imprensa, a moral e a sociedade. O diretor comenta que “Brincando com a Morte pretende causar no espectador a sensação de que ele está em um sonho, ou pesadelo, mas há de perceber que os fatos absurdos testemunhados são como aqueles que nos acometem no dia a dia e que aceitamos como se tudo fosse plausível”.

O cenário (Chris Aizner) é composto por áreas que se sobrepõem. Uma única peça com duas salas e um escritório ao centro acolhe as cenas. A cenografia tem um tom eclesiástico, remetendo à religiosidade. O figurino (Theodoro Chocrane) valoriza a importância da imagem, a sedução, os personagens usam roupas alinhadas e cabelos bem penteados.

Ficha técnica
Espetáculo: Brincando com a Morte
Texto: Joe Orton     
Tradução: Eduardo Muniz
Direção: Alexandre Tenório
Elenco: Fernanda Couto, Edu Guimarães, Kiko Vianello e Tadeu Di Pyetro.
Figurino: Theodoro Chocrane
Cenário: Chris Aizner
Iluminação: Caetano Vilela
Trilha sonora: Dr. Morris
Programação visual: Estúdio Bogari
Direção de produção: Carlos Mamberti
Produção executiva: Daniel Palmeira
Realização: Ananda Produções e CD4 Produções
Patrocínio: Carbocloro, Porto Seguro e Vedacit
Apoio: ProAC – ICMS (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo)

Serviço
Estréia oficial: Dia 15 de março – sexta-feira – às 21h30
Teatro Cultura Artística - Itaim - Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1830 - Itaim Bibi/SP - Tel: (11) 3256-0223
Temporada: sextas (21h30), sábados (21 horas) e domingos (18 horas) – Até 02/06
Ingresso: R$ 40,00 (sexta e sábado) e R$ 30,00 (domingo)
Classificação etária: 16 anos. Duração: 70 min. Gênero: Suspense
Capacidade: 303 lugares. Bilheteria: Terça a quinta (15h-19h), sexta e sábado (após 15h) e domingo (após 14h). Aceitas todos os cartões. Ar condicionado.
Acesso universal. Ingresso p/ telefone: (11) 3258-3344. Estacionamento: R$ 18,00

Fonte:Verbena Comunicação