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Morro Como Um País

Publicada em : 04/03/2013

O projeto do grupo alia reflexão à experimentação estética


O espetáculo não segue um padrão formal de encenação; não há uma história com princípio, meio e fim. A Kiwi usou como referência o texto literário Morro Como Um País, escrito em 1978 por Dimitris Dimitriadis (nascido em 1944), que é um verdadeiro testemunho de como o povo grego viveu a “ditadura dos coronéis” (1967/1974).

A concepção de Fernando Kinas articula mais de 30 tablôs (quadros independentes) que são articulados para dar sentido de interpretação ao espectador. Morro Como Um País delineia quadros como em um jogo onde todos os presentes estão inseridos. Inclusive o espaço alternativo onde acontece a encenação complementa o cenário deste jogo cênico.

O objetivo da peça é colocar em foco a discussão sobre os momentos de exceção nas leis democráticas e de suspensão dos direitos, quando a ilegalidade tem aparência legal. Estas questões passam por fatos históricos - de transformação, justiça social, violação dos direitos humanos e violência praticada pelo Estado.

Com a intenção de inquietar o espectador, o trabalho se inspira e utiliza recursos tanto do teatro documentário como da matriz brechtiana e do diretor russo Meyerhold. O material retirado da realidade e empregado em cena (relatos, estatísticas, matérias jornalísticas, pesquisas, depoimentos, imagens, canções, brincadeiras infantis, provérbios), assim como poemas, trechos de romances e letras de músicas.

Segundo o diretor, “não há carga emocional pela reconstrução psicológica, isto se dá mais pela matriz narrativa que dramática”. Fernanda Azevedo completa dizendo que “não temos as respostas para tudo, mas podemos fazer as perguntas”.

A música é usada com função dramatúrgica, a exemplo da música cigana, dos clássicos de exaltação da nacionalidade durante a ditadura, das músicas de protesto e outras. A companhia trabalha com alguns conceitos na montagem, entre eles, cânone e repetição, história como repetição de padrões (há um relógio em cena com mostrador e mecanismo invertidos) e desmontagem das personagens clássicas em favor do depoimento. A iluminação – assinada por Heloísa Passos, diretora de filmes e de fotografia em curtas e longas-metragens - é pouco teatral e mais cinematográfica, priorizando luzes frias.

O projeto do grupo alia reflexão à experimentação estética. Isto tem relação com a trajetória de Fernando Kinas, que tem Doutorado em Teatro pela Sorbonne Nouvelle e USP. Uma longa pesquisa de cerca de oito meses foi desenvolvida para este trabalho, que incluiu até viagem à Argentina para investigar processos autoritários na América Latina.

O projeto Morro Como Um País - A Exceção e a Regra, com duração de 14 meses, tem apoio do Programa de Fomento ao Teatro (Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo) e inclui encontros, intervenções urbanas, seminários, apresentação da montagem anterior do grupo, Carne. Haverá debates no final de apresentações (a agenda será divulgada oportunamente), evento sobre livro A Periferia Grita, do Movimento Mães de Maio e debate especial no dia 31 de março (data do golpe militar no Brasil).

Ficha técnica
Espetáculo: Morro Como Um País
Com a Kiwi Companhia de Teatro
Roteiro e direção geral: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo
Cenário: Júlio Dojcsar
Figurino: Maitê Chasseraux
Iluminação: Heloísa Passos
Pesquisa e música original: Eduardo Contrera e Fernando Kinas
Pesquisa e tratamento de imagens: Maysa Lepique
Assessoria e treinamento musical: Luciana Fernandes e Armando Tibério
Direção de produção: Luiz Nunes
Assistência de produção: Dani Embón
Programação visual: Paulo Emílio Buarque Ferreira e Camila Lisboa
Realização e produção: Kiwi Companhia de Teatro

Serviço
Estréia: dia 1º de março – sexta-feira – às 20 horas
Teatro Grande Otelo (Sótão)
Alameda Nothmann, 233 - Campos Elíseos/SP - Tel: (11) 2307-0020 
Temporada: sextas e sábados (20 horas) e domingos (19 horas) - Até 28/04
Ingressos: R$ 10,00 - Bilheteria: 4ª a 6ª (após 16h), sab. e dom. (após 14h)
Gênero: Drama – Classificação etária: 16 anos – Duração: 95 min
Não possui acesso universal - Aceita dinheiro e todos os cartões.
Ingressos antecipados: www.ingressorapido.com.br (4003-1212)
Estacionamento (interno) pela R. Alameda Dino Bueno, 353: R$ 15,00.
Parceiros do projeto: Coletivo Merlino; Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Articulação e Coletivo pela Memória, Verdade e Justiça; Comissão Estadual da Verdade; Frente de Esculacho Popular; Cordão da Mentira; Coletivo Zagaia; Movimento Mães de Maio; Coletivo Quem.

Fonte:Verbena Comunicação