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3º Encontro de Mamulengo

Publicada em : 25/05/2012

O evento reúne 21 grupos e 45 artistas do Brasil e países como Argentina, Portugal e Cuba


Histórias que o povo conta, cheias de improviso, onde a imaginação é a ferramenta principal. Com essa atmosfera, o 3º Encontro de Mamulengo chega à capital paulista com uma semana focada na encenação com bonecos de 28 de maio a 3 de junho. O evento reúne 21 grupos e 45 artistas do Brasil e países como Argentina, Portugal e Cuba.

O curador Danilo Cavalcante enfatizou a importância do encontro. “É uma maneira de relembrar uma cultura que os nordestinos perderam um pouco ao chegar a São Paulo. A cidade abriga pessoas de várias localidades e o evento é uma forma de divulgar essa arte, entrar em contato com esse teatro que anda meio esquecido no país”.

Um dos destaques do encontro é o Mestre Zé de Vina de Pernambuco, com seus 72 anos de idade, mais de 60 foram dedicados ao Teatro de Mamulengo. Além das apresentações artísticas, o 3º Encontro de Mamulengo conta com oficinas e palestras que discutem e trazem mais conhecimento sobre essa arte.

Nessa edição, um dos diferenciais será o uso de caminhão para a apresentação dos artistas no Boulevard São João, lugar com o maior número de atrações. “Tivemos essa ideia para chamar atenção, atrair mais público, esse é um patrimônio histórico que todos devem prestigiar. Além disso, durante a encenação será utilizado todo espaço ao redor do veículo”, conta o curador.

Com as duas edições anteriores, o organizador percebeu que o público aprecia e deseja que o Teatro de Mamulengo continue, pois além de divertir, tem uma programação totalmente gratuita. Para a escolha dos artistas, Danilo fez contatos com idas em festivais no país e no exterior.

Para a criação dos bonecos, é utilizada a madeira de uma árvore específica do Nordeste chamada mulungu. A escolha é feita por ela ser macia e consistente, fácil para trabalhar. Em cena, os bonecos e os artistas se tornam uma pessoa só, cada um tem suas peculiaridades ao dar um tipo de voz, estilo, cores aos seus personagens.

Danilo Cavalcante tem uma relação com o Teatro de Mamulengo desde a infância em Canhotinho (PE). Segundo o curador, apesar do crescimento da internet e outras mídias mais velozes, a arte do “brincar” - como é chamado o gênero popularmente - continua viva. “Em todos os lugares com apresentações, as pessoas gostam de apreciar, existem festivais no Brasil e no mundo, tudo isso mantém esse movimento forte”.

Programação Completa

SEGUNDA FEIRA – 28 de maio
(Casa do Mestre Waldeck – Guararema/SP)
Endereço: Rua Olavo Bilac, 191 – Guararema (Agendamento pelo telefone 8155-6754)
Visita à Casa do Mestre - 11h às 16h – Almoço e Bate papo sobre o Teatro de Mamulengo

ESPAÇO SOBREVENTO
Endereço: R: Coronel Albino Beirão, 42 Brás – São Paulo (duas quadras do metro Bresser)
- 20h – La Caperucita Roja do Teatro Nacional de Guinol – Havana/Cuba
A história clássica de Chapeuzinho Vermelho ganha uma versão reinventada com um visual alegre, cheia de humor e frescor, um teatro onde os bonecos, atores e público se unem para descobrir o que as marionetes tem para contar.

APRESENTAÇÕES DE TERÇA A SÁBADO no Boulevard São João
(próximo ao Vale do Anhangabaú)

Dia 29 de maio - terça-feira, às 14 horas
Abertura do Encontro no Boulevard São João
Tradicional Roda de Mamulengo (com todos os brincantes) e intervenções do Mestre Saúba; de Roseneide e do argentino Manuel Mansilla.

Dia 30 de maio - quarta-feira
Folia Brasileira - Waldeck de Garanhuns- SP – às 12 horas
Conta a história que se passa na fazenda do coronel Vicente Pompeu, onde uma grande festa está sendo programada para comemorar o noivado de sua afilhada Marieta com Simão, seu secretário. O coronel quer apresentações de danças e músicas folclóricas brasileiras. Para isso, ele deixa Simão encarregado dos preparativos que, com muita astúcia, conseguirá atrações autênticas da nossa cultura popular.

A Fantástica História do Circo Tomara que Não Chova - Sandro Roberto/SP - às 15 horas
Marieta e Simão têm que convencer o seu Rufino Muquirana a emprestar suas terras para o circo que acaba de chegar a cidade de Mulungu Talhado. Seu Rufino cede porque é apaixonado por Marieta e diz fazer qualquer coisa para conquistá-la. A partir daí a vida de Simão corre grande perigo.

O Barbeiro Nozin e o Cabra que queria ser Hemo - Caçuá de Mamulengo/RN – às 16 horas
Uma estória que traz a memória dos barbeiros antigos da cidade de Currais Novos e a modernidade da juventude com suas novas formas de expressões, traz na sua narrativa as falas características do interior nordestino.

Seja noite ou seja dia, viva o palhaço alegria - Cia.Carroça de Mamulengos – às 17 horas
“Seja Noite ou Seja Dia, Viva o Palhaço Alegria” é espetáculo para todas as idades que através de uma arte viva toca os corações de adultos e crianças. O Palhaço Alegria nasceu em São Luiz do Maranhão no ano de 1982. É um boneco de 3m de altura que entra em cena todo desmontado dentro de uma caixa e na frente do publico é, de forma lúdica, montado. No peito do Alegria, para o encanto de todos, abrindo o seu paletó, surge um palco onde é apresentado cenas com bonecos de mamulengo.

Dia 31 de maio – quinta-feira

- 12h - Bendito os Beneditos – Sebastian/Campinas
A peça reúne vários personagens da tradição do mamulengo, aqui “encarnados” como Dona Quitéria, Capitão João Redondo, Sargento Bitola, Boizinho Brincadeira, Cobra das Sete Luas, nos quais são feitas muitas brincadeiras, tudo com muita música, cirandas e boas histórias.

- 15h – O casamento de Chiquinha, Muito Prazer! - Josias – DF
O espetáculo conta a história de Chiquinha Muito Prazer e Tião Sem Sorte que pretendem se casar. Ela é filha do Coronel João Redondo, que manda e desmanda na região e é contra a união dos dois. É quando entra em cena Futrica, primo de Chiquinha, para mudar o desenrolar dessa divertida trama.

- 16h - A viúva alucinada - Augusto Bonequeiro e Ângela Escudeiro – CE
Com um enfoque rural, é uma adaptação do original de Januário de Oliveira (Ginu), grande mamulengueiro, já falecido. Discute a opressão dos fazendeiros para com os camponeses, delatando também o mau uso da autoridade por parte dos poderosos que oprimem a classe trabalhadora. Simão é quem dirige toda trama e é surpreendido com a chegada do justiceiro e intrigante Professor Tiridá, então finalmente chega hora do juízo final.

- 17h – A fazenda do Coronel Mané Pacaru - Zé Lopes – PE
Seu Mané Pacaru celebra o casamento de sua filha Marieta com o vaqueiro Benedito. Para o acontecimento, uma grande festa será realizada. O coisa ruim, o fut como é chamado o diabo, invade a festa impedindo o casamento e obrigando a Marieta casar com ele. A brincadeira segue um roteiro estabelecido, porém o desfecho é sempre compartilhado com o público que opina e participa da brincadeira, dando mais sabor e colorido ao espetáculo.

Dia 1 de junho – Sexta-feira

- 12h - A Cobra Gigante e os três vigias valentes – Natanael – SP
Uma grande festa e celebração do teatro mais tradicional de mamulengo, a brincadeira que foi ensinada por Mestre Ginu, pai de Natanael e um dos maiores mestres dessa brincadeira em todo país, conta as aventuras de uma cobra gigante e as peripécias dos três vigias mais valentes que tentarão salvar todos os personagens da barriga deste monstro.

- 15h- Exemplos de Bastião – Walter Cedro – DF
Baseado na Literatura de Cordel e no Teatro de Mamulengo, Exemplos de Bastião, é um espetáculo que conta a história de um palhaço de Folia de Reis que se mete em grandes confusões. Tendo a música como fio condutor entrelaçando um curioso enredo das confusões do palhaço Bastião e sua burrinha Curisco que, na aventura encontram com o Padre Simão sem Cuidado, Capitão João redondo e até com bichos do além. “Cada apresentação é uma novidade”, avisa o brincante.

- 16h - Botando Boneco - Gilberto Calungueiro – CE
Muitas histórias, muitas aventuras, em diversas passagens de bonecos que mostram nossa cultura popular brasileira, tendo como figura principal o boneco Baltazar, esperto, ligeiro e que se mete em um monte de confusões. O Espetáculo, que é muito divertido e interativo com a platéia, traz costumes, cultura e linguajar muito específicos, o que dá sabor e colorido à brincadeira.

- 17h - A Festa da Rosinha Boca Mole – Danilo Cavalcante/SP
O Coronel Liborio celebra o casamento de sua filha Rosinha boca mole com o vaqueiro Benedito. Para o acontecimento, uma grande festa é realizada. E eis que o conflito se estabelece: O coisa ruim, o fut como é chamado o diabo, invade a festa impedindo o casamento e obrigando a Rosinha casar com ele.

Dia 2 de junho - Sábado

- 10h – Intervenção com boneco maroto – Rosineide
- 10h30 – Intervenção com boneca Lindalva – Mestre Saúba/Carpina
O Romance do Vaqueiro Benedito - Chico Simões/DF – às 11 horas
Alguns personagens do Romance do Vaqueiro são clássicos da cultura popular e trazem parentesco próximo com os personagens da Commedia Dell`Arte; Benedito, Margarida, João Redondo, Doutor Mané Vou Lá Hoje e Briguelinha. Outros já são bem brasileiros: Zé da Sanfona, Rosinha do Bole-bole, Palhaço da Vitória e Janeiro Vêm Janeiro Vai. Alguns são mitológicos; Alma da Defunta Sem Vergonha, Zé Lusbel e Jaraguá. Outros são animais simbólicos como a cobra grande Carpina, o Bumba-meu-boi Estrela, o urubu Limpa Mundo e o passarinho Boa Nova.

Titeres a Cielo Abierto - Manuel Mansilha/Argentina - às 12 horas
Uma história que envolve monstros e aproxima o público do espetáculo. O protagonista começa com um visual aterrorizante, entretanto com o decorrer da trama o personagem mostra que é do bem e disposto a conquistar qualquer um.

A Chegada de Lampião no Inferno – Cristian/Campinas – às 13 horas
É um espetáculo de mamulengos baseado no cordel de José Pacheco que, através da “brincadeira” com bonecos, repleta de rimas e tiradas engraçadas, embalada com muito baião, retrata de forma bem humorada o conflito que se estabelece quando forças opostas se encontram e cada qual tenta impor seus interesses. Uma viagem ao imaginário popular, onde o espetáculo transfere para o boneco a saga de Lampião (herói ou bandido?), através da poesia representada no que há de mais fiel ao tradicionalismo do teatro de mamulengos.

Mamulengo do João Redondo - Marcelo Gilberto/Portugal – às 14 Horas
Conta com personagens de identificação popular e do imaginário social nas suas histórias, como o João Redondo, Benedito, o Diabo, a Cobra, a Morte, o Polícia e mais um leque de outras simpáticas (e não tão simpáticas) criaturas. A sua estrutura assemelha-se ao teatro Dom Roberto, uma forma de teatro popular português muito comum até meados do século 20, que proliferava no meio urbano, com muita aceitação junto aos mais diversos grupos etários.

OFICINAS E RODAS DE PROSA de TERÇA A SEXTA na GALERIA OLIDO
Endereço: Avenida São João, 473 - Centro

Dia 29 de maio – Terça-feira às 19horas
Roda de Prosa no Centro de Memória do Circo
Aula-Espetáculo com Fernando Augusto, do Mamulengo Sorriso – PE, um dos maiores pesquisadores de teatro de bonecos popular do país.

Dia 30 de maio – Quarta-feira às 19 horas
Roda de Prosa com brincantes no Centro de Memória do Circo
(Novas facetas e trejeitos do Boneco Popular Brasileiro: Transculturação - com Sandro Roberto, André Bueno)

Dia 31 de maio – Quinta-feira
Oficina com Teatro Nacional de Guinol de Cuba - (Sala de Exposição) - às 9h30
Roda de Prosa com brincantes no Centro de Memória do Circo - às 19hs
(Políticas Públicas para a Cultura Popular - Chico Simões/DF, Luiz Andre Querubini/SP, Fábio Resende/SP)

Dia 1 de junho – Sexta-feira
Oficina de Manipulação c/ Augusto Bonequeiro (Sala de Exposição) – às 9h30
Roda de Prosa com brincantes no Centro de Memória do Circo (Galeria Olido) Os Mestres e o saber popular - Gilberto Calungueiro/CE, Zé de Vina/PE, Armando Moralles/Cuba – às 19horas

ENCERRAMENTO CENTRO CULTURAL ARTE EM CONSTRUÇÃO

POMBAS URBANAS
Endereço: Avenida dos Metalúrgicos, 2100 - Cidade Tiradentes
Dia 3 de junho – Domingo às 16 horas
As Presepadas do Casamento de Praxedes - Zé de Vina/PE
O padre, o cabo setente, a morte, o diabo, a dona Quitéria, seu Mané Pacaru, muitas são figuras que aparecem e vivem suas presepadas nessa grande festa de casamento do Praxedes. Na brincadeira, cheia de música, Zé de Vina, que se confiruga num dos maiores mestres vivos desta arte, canta as loas populares e de forma encantadora, diverte todo público, com que há de mais tradicional dessas histórias.

Ficha técnica
GRÁTIS - Realização: Mamulengo da Folia. Coordenação e Organização: Danilo Cavalcante e Natália Siufi. Registro fotográfico: Annaline Picolo e Chico Gaspar. Registro Áudio Visual: Elton Maioli. Projeto Gráfico: Marco Antônio de Lima. Redação e Revisão dos textos: Natália Siufi. Equipe de Produção: Pollyanna Aguilar e Lucas Drosina. Equipe de Sonorização: Abaré Teatro. Relatos diários do encontro: Daniela Landin. Locução: Carlos Biaggioli.

Fonte:Arteplural Comunicação