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Véspera

Publicada em : 08/05/2012

Esse é o segundo trabalho de Camila Appel, filha de Leilah Assumpção


Do meio-dia até o anoitecer, sem energia elétrica, a casa de uma família está prestes a ser demolida. O Natal é amanhã e o último dia antes da festa é o foco de VÉSPERA. 

Segundo trabalho da paulista de 30 anos (o primeiro foi A Pantera), filha da dramaturga Leilah Assumpção, o espetáculo teatral de um ato, 80 minutos e cinco personagens, tem direção de Hudson Senna, iluminação de Paulo César Medeiros, cenário e figurino de Márcio Vinicius e trilha sonora original de Fábio Sá. O elenco conta com os atores Cris Nicolotti, Tadeu Di Pyetro, Juçara Morais, Silvia Lourenço e Rafael Maia.

Interessada pelo dia que antecede os rituais numa sociedade, a autora tem a proposta de apresentar um diálogo ágil, por meio de um texto que cobre a passagem de tempo, da hora do almoço até o lusco-fusco do cair da tarde. Camila Appel também se deixa seduzir pelas camadas existentes nas relações humanas. “E a função do dramaturgo é tentar expor essas camadas”, diz ela.

A formação e a dissolução do núcleo familiar, sob a influência da tecnologia, são focos do espetáculo, que levanta discussões envolvendo assuntos inerentes à sociedade contemporânea. “Os diálogos podem sugerir o teatro do absurdo, mas os temas são bem realistas e explícitos", comenta Camila.

Os ciclos familiares também merecem atenção da dramaturga. A ideia de Véspera surgiu de seu olhar sobre o envelhecimento de seus pais. “Até o terceiro sinal, observamos a personagem Filha (Silvia Lourenço) assistindo a demolição da casa onde cresceu”, detalha Camila Appel, para depois reproduzir trecho da peça. “Mãe, eu não tive filhos para não ter que aceitar o fim de um ciclo, o fim do seu ciclo mãe."

A partir daí, o público é levado a acompanhar a preparação do ritual natalino, comandado pela protagonista Eva (Cris Nicolotti), mas a chegada de um vizinho curioso, Daltôn (Rafael Maia), faz o enredo tomar novos rumos.

De acordo com o diretor Hudson Senna, um dos principais destaques de Véspera é a multiplicidade de leituras. O ritmo, as nuances do texto, além da luz e cenografia, contribuem para um entendimento. “Grande parte do sucesso de uma peça acontece com um casting bem feito. Cada papel encaixou-se perfeitamente no ator escolhido, e isso é meio caminho andado. Agora cabe ao diretor não atrapalhar”, ri. Hudson se preocupou em acertar a configuração dos atores em cena para que cada movimento seja justificado pelo texto.

Para o cenário, Hudson Senna imaginou uma casa que favorecesse as nuances e a dinâmica dos personagens. Assim, o cenógrafo Márcio Vinicius criou uma parede formada por um mosaico de molduras de madeira, com uma porta no centro. Atrás dela, um painel de luz desenhado por Paulo César Medeiros. Como a casa está sem luz, o desafio do iluminador é o de conseguir teatralizar a luz natural, fazer a passagem de tempo acontecer sem ser notada.

Camila Appel emprestou o título da montagem do latim vespera: "cair da tarde, anoitecer, relacionado a Vesper, o planeta Vênus, que surge no final do dia - indicando o começo da noite". Em inglês e hebraico, a palavra Véspera é Eva (Eve), mesmo nome da protagonista.

Para roteiro:
Véspera – Estreia dia 18 de maio, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro Itália. Texto: Camila Appel. Direção: Hudson Senna. Atores: Cris Nicolotti, Tadeu Di Pyetro, Juçara Morais, Silvia Lourenço e Rafael Maia. Cenário e Figurino: Márcio Vinicius. Iluminação: Paulo César Medeiros. Trilha sonora: Fábio Sá. Produção/Administração: Cristina Sato/ Paulo Ferrer. Duração: 80 minutos. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 30 (Sexta) e R$ 40,00 (Sábado e Domingo). Importante – 1ª sexta de cada mês ingresso grátis.
Teatro Itália – Avenida Ipiranga, 344. Centro. Telefone – 3120 6945. Aceita Cartão de Crédito e débito. Capacidade – 278 lugares. Temporada: Sextas-feiras e sábados às 21hs e domingos às 19 horas. Até 8 de julho.

Fonte:Arteplural Comunicação