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Grávido

Publicada em : 18/04/2012

Espetáculo enfoca a gravidez sob a perspectiva masculina


Ao som de paródias engraçadas de clássicos de Madonna, Michel Jackson, Queen, ABBA e Bee Gees, um tresloucado pai dança até cair exausto no chão. Valem todos os esforços e artifícios na difícil missão de tomar cuidar do filho. Engana-se quem pensa que as dúvidas, medos, alegrias, alterações no humor e incertezas decorrentes da chegada ao mundo de um bebê fazem parte de um universo exclusivamente feminino. Os homens também cortam um dobrado para dar conta da nova condição e cada vez mais se sentem à vontade para assumir a paternidade, com tudo o que este fato acarreta. 

Em cena, os atores Marcelo Laham e Fábio Herford suam a camisa no sentido de atuarem com uma interpretação que exige grande esforço físico para dar vida da forma mais hilária possível às mais variadas situações. Desde o esforço hercúleo para entreter o novo ser que ainda engatinha e colocar para dormir até as intermináveis listas de compras de objetos e produtos de higiene infantis. Em meio a trapalhadas e incertezas, os pais modernos ficam às voltas com questões, como parto normal ou cesariana e até com a difícil tarefa de dividir o afeto da mulher com o ser que chegou para mudar suas vidas para sempre.

A montagem divide com a plateia as inúmeras possibilidades existentes ao enfocar a gravidez e a criação dos filhos sob a perspectiva masculina. "Contar o que acontece na vida deles cria um contexto muito propício tanto para uma crítica quanto para uma autoavaliação de toda a situação, fazendo com que o espetáculo seja bem divertido, cheio de ternura e poesia, ao mesmo tempo", explica a diretora Alexandra Golik.

Carregando nas doses de humor, a peça expõe a perplexidade do homem diante da constatação de que, ao contrário das mulheres − acostumadas desde pequenas a brincar de casinha e de boneca - ele não foi preparado para encarar noites mal dormidas, fraldas, choros, mamadeiras e que sequer refletiu sobre o assunto e suas implicações.

Em formato de esquetes, várias situações se desenrolam, como aprender a trocar fraldas, a experiência de dar banho, a filmagem do parto, a babá eletrônica, o treinamento para ser pai e as visitas dos familiares, entre outras. O cenário de Marco Lima - possibilita a entrada e saída de vários personagens (interpretados apenas pelos dois atores) - e ajuda a construir imagens lúdicas e mágicas. Projeções e efeitos de luz compõem vários espaços para a ação.

A diretora Alexandra Golik imprime seu estilo em trocas muito rápidas de uma cena para outra e movimentos quase coreografados. "A dinâmica do espetáculo reproduz de alguma forma as relações humanas que em si são mutantes, vulneráveis e versáteis. O humor é muito presente, e pontua toda a peça, ainda que algumas passagens sejam mais trágicas do que engraçadas", explica.

Nasceu! E agora?

Os autores contam que frequentemente se deparam com o assunto nas rodas de conversas, já que os três são pais e o papo funciona como uma terapia entre amigos. “Sempre pensei em abordar o tema do nascimento do filho pela ótica paterna, porque eu mesmo já vivi muitas situações engraçadas”, conta Fábio Herford.

A vida moderna trouxe uma nova configuração com relação aos cuidados com o bebê. "A igualdade do casal exigiu do homem um equilíbrio das funções, tornando sua participação no evento do nascimento mais efetiva. Tudo isso trouxe inúmeras reflexões e análises, observações que passam do drama à comédia em instantes", observa Herford.

"Hoje em dia o homem tem atuação mais efetiva na hora de cuidar de seu próprio filho. Na época de nossos avós, era comum encontrar um pai que não sabia trocar uma fralda. Hoje, isso é quase inadmissível", completa Marcelo Laham.

Para Gustavo Kurlat, que também é responsável pela trilha sonora do espetáculo, o tema cria uma identificação rápida por parte da plateia. "Descobrimos que os homens compartilham dos mesmos problemas, mas não falam sobre o assunto, são mais fechados. E as mulheres, podem agora, ver um outro ponto de vista".

Com humor e uma visão delicadamente crítica das reflexões do homem contemporâneo, a partir do momento em que fica sabendo que vai ser pai, Grávido coloca a gestação e a criação dos filhos sob a óptica masculina, revelando sentimentos − como carinho, angústia, amor e raiva - que o homem enfrenta ao mergulhar num universo eminentemente feminino.

Ficha Técnica
Texto: Gustavo Kurlat, Marcelo Laham e Fábio Herford. Direção: Alexandra Golik. Elenco: Marcelo Laham e Fábio Herford. Músicas: Gustavo Kurlat. Cenário: Marco Lima. Iluminação: Wagner Freire. Produção executiva: Sílvia Rezende. Direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro. Realização: Mesa 2 Produções.

Serviço
Estreia - Dia 20 de abril
Sextas, às 21h30, sábado, às 21h e domingos, às 18h
Ingressos: sextas R$ 30, sábados R$ 40 e domingos R$ 30. Censura: 12 anos. Duração: 80 Minutos.
TEATRO CLEIDE YÁCONIS - Avenida do Café, 277 – Jabaquara – Estação Conceição do metrô. Central de informações: 11 5070 7018. Venda para grupos 11 3334 1358. Capacidade - 288 lugares. Bilheteria - terça a sexta, das 14 às 20 horas; sábados e domingos, das 14 até o início do espetáculo. Formas de pagamento na bilheteria - cartões e dinheiro. Venda pela internet: www.ingressorapido.com.br e telefone: 11 4003 1212. Estacionamento no local - entrada Rua Guatapará 170.

Fonte:Arteplural