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O Silêncio Em Apuros

Publicada em : 02/12/2011

Musical infantil chama a atenção para a poluição sonora comum nos grandes centros urbanos

Em “Nenhum lugar e todos os Lugares”, o Silêncio está correndo perigo de vida. Seus amigos - a Música, a Dança, a Poesia, o Teatro e a Pintura - tentarão salvá-lo do monstro do Barulho. Essa fábula é contada no musical infantil O Silêncio em Apuros, que estreiou dia 10 de setembro, no Teatro Vivo. Débora Dubois dirige a montagem que traz no elenco os atores Vinicius Meloni, Vanessa Prieto, Carolina Zanforlin, Lavínia Lorenzon, Antonio Vanfill e Juliana Vedovato.

A história se passa num universo onírico de Nenhum lugar e todos os Lugares, onde vivem os seres fantásticos - o Teatro, a Música, a Dança, a Pintura, a Poesia e o Silêncio, personagem que está desaparecendo. A Música, sua melhor amiga, resolve, então, convocar seus amigos das artes para solucionar o problema e encontrar um lugar seguro onde o Silêncio possa existir. Eles descobrem que os Humânicos estão alimentando o Barulho - monstro invisível, cujo nome eles temem -, que se fortalece através dos altos ruídos do mundo.

Para criar esse lugar imaginário, a diretora Débora Dubois, responsável também pela concepção do cenário, junto com Daniel Infantini, criou um espaço onde os personagens se confundem com o cenário. Na encenação, o palco foi transformado numa caixa branca, com a luz e projeções preenchendo e compondo o ambiente. “Esses seres míticos são como uma extensão do lugar imaginário. Lá é a casa deles, espaço tranqüilo que está sendo abalado pelo Monstro Barulho”, explica a diretora.

A ideia surgiu quando Vanessa Prieto dava aulas para crianças em um projeto de educação musical na UFSCAR. “Minha primeira motivação foi promover a conscientização em relação à poluição sonora. Propondo uma reflexão sobre a responsabilidade de cada indivíduo talvez ele possa questionar sobre suas ações ruidosas, que contribuem para o caos sonoro, problema tão concreto da nossa vida urbana”, comenta.

No espetáculo, o personagem Silêncio não simboliza apenas uma ausência de som, mas também um estado necessário para criação do indivíduo. “Lutar pela vida do amigo é um gesto de altruísmo, mas também de sobrevivência para todas as artes. O problema é que tentando salvar o Silêncio eles fazem mais barulho e, sem perceber, tornam-se antagonistas do Silêncio”, explica Vanessa.

A Bauducco, como apoiadora, acompanhou a produção do projeto do início ao fim. Atrelado ao principal conceito da marca, a família, o musical infantil consegue entreter não apenas os pequenos, mas também os adultos. ”Notamos uma oportunidade de inserir a empresa nesse contexto, de apoio ao teatro, principalmente por se tratar de peças que, além de levantar uma reflexão sobre o modo de viver atual, visando o bem-estar das próximas gerações, também ressaltam valores da nossa cultura, como a importância de um momento em família”, afirma Maricy Gattai, gerente de marketing da Bauducco.

Projeto que integra a Rede Vivo EnCena, do programa cultural Vivo EnCena, e que também tem a Vivo S.A. como apoiadora, “ganha destaque pela singularidade e potência à reflexão pelo tema e forma de sua concepção. Trazer a arte para dentro da discussão do teatro, sobretudo infanto juvenil é de relevância excepcional” ressalta Expedito Araujo, curador artístico do Programa Vivo EnCena.

Débora Dubois, convidada para dirigir a peça, ressalta que o texto chamou muito sua atenção. “O principal numa peça é ter a história bem contada. E achei interessante que o vilão, nesse caso, não é humanizado; por isso o personagem Barulho não está em cena como ator. O vilão não tem uma forma determinada. O barulho está do lado externo, mas também pode estar em nós”, fala.

Num mundo cada vez mais acelerado onde tudo acontece em meio ao barulho dos grandes centros urbanos, a montagem pretende chamar a atenção para a importância do silêncio. “Acho interessante poder falar para a criança ou para os pais que o silêncio, às vezes, é necessário. Espero que a peça promova uma conscientização de que o barulho interfere na invasão do espaço do outro”, completa Débora.

A montagem
Na construção da dramaturgia desta fábula, esses personagens alegóricos, e talvez míticos, receberam traços humanos: Assim, o Teatro é vaidoso e passional, a Poesia é pensadora e contemplativa, a Música é sensível e contagiante, a Dança é espontânea e hiperativa, a Pintura é moderna e vanguardista.

A trilha sonora de Carlos Bauzys foi composta especialmente para a peça a partir da construção de cada cena e personagem. São 7 canções, uma para cada personagem e 1 música que encerra o espetáculo. Bauzys conta que cada música passou por um processo distinto de criação. “O texto é apaixonante, e trabalhar falando de arte exigiu um processo diferente. Como os nossos personagens são as artes propriamente ditas, tivemos que refletir muito e fazer algumas experiências sobre quais sons e que tipos de música poderiam representar bem o universo de cada uma”, explica.

Para construir o universo mítico Nenhum lugar e todos os Lugares são utilizados poucos elementos cênicos sobre o palco, que será transformado numa caixa branca. As projeções e a luz preenchem o chão, paredes e fundo criando uma atmosfera de fantasia. “Nossa proposta de encenação é estimular a imaginação para nos transportar para um universo maior e ilimitado,” comenta Débora Dubois.

O cenário é todo em tons de branco ou creme. “Não utilizamos muita cor, por isso a luz tem uma importância grande para compor as cenas; assim, o chão pode parecer ora o mar, ora o céu”, explica Daniel Infantini. O mesmo tipo de material também é utilizado para compor os figurinos. “Como os personagens moram nesse mundo, pensamos que eles são uma extensão desse lugar. Por isso os figurinos são como um complemento do cenário”, completa.

Ficha Técnica
O SILÊNCIO EM APUROS – Texto - Vanessa Prieto. Direção - Débora Dubois. Direção Musical - Carlos Bauzys. Elenco - Vinicius Meloni, Vanessa Prieto, Carolina Zanforlin, Lavínia Lorenzon, Antonio Vanfill e Juliana Vedovato. Cenário - Débora Dubois e Daniel Infantini. Figurinos - Daniel Infantini. Preparação corporal e coreografias - Alexandra Manolyo. Visagismo - Ana Luiza Icó. Fotos - João Caldas Produção - Edinho Rodrigues, Elza Costa e Vanessa Prieto. Realização - Vanessa Prieto Produções e Brancalyone Produções Artísticas. Duração – 60 minutos. Recomendado – a partir de 5 anos. Ingressos - R$ 20,00. Promoção Especial – Pais acompanhados dos filhos pagam 1 ingresso por o casal.

Serviço
Ingressos: GRATUITOS. Sábado e domingo, 16h.
2 únicas apresentações dias 03 e 04 de dezembro de 2011.
Teatro ZANONI FERRITE – Endereço: Avenida Renata, 163, Vila Formosa - Telefone: (11) 2216-1520 Capacidade: 205 lugares. Horário de funcionamento da bilheteria: dia do espetáculo, a partir das 17h. Não aceita os cartões de crédito e débito. Possui acesso para deficientes e ar condicionado.

Fonte:Edinho Rodrigues