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O Espartilho

Publicada em : 02/12/2011

Peça do vestuário feminino que tinha como objetivo reduzir a cintura e manter o corpo ereto ressaltando a feminilidade serve de metáfora para a peça

Dani Mustafci e Fábio Ock vivem uma história de amor e sedução ambientada nos anos 50 - década marcada por avanços científicos, tecnológicos e mudanças culturais e comportamentais. A trama gira em torno de Virgínia, dona de casa, católica e frustrada com o casamento, que tem sua rotina alterada quando um misterioso homem entra em sua vida. A partir daí, começa um inquietante jogo de sedução e fantasia.

Para Dani Mustafci, atriz e idealizadora do projeto, a peça retrata o universo feminino. “O espartilho aperta, machuca e reprime, ao mesmo tempo em que exalta as formas e a beleza da mulher. Esse é o conflito da personagem, mulher reprimida pelo marido (não retratado na peça), que exala feminilidade e desejo de ser amada”, explica

O texto trata o assunto com delicadeza, humor e poesia. “Escrevi sobre uma mulher que dentro do espartilho se vê presa como numa jaula e livre como uma fera. Reprimida, é uma esposa dominada pela vigilância do marido e liberada pelos seus desejos de mulher”, fala o autor José Antonio de Souza.

Roberto Lage, convidado por Dani Mustafci para dirigir o espetáculo, explica que a direção buscou tirar da encenação as características naturalistas. “O trabalho é centrado na interpretação dos atores. Como a história pode ser um devaneio de Virgínia, grande parte da concepção vem do que a personagem projeta.”

A personagem usa espartilho por exigência do marido, que obriga a mulher a vestir o acessório e dançar um tango para ele após o jantar. “O fato de ser ambientado na década de 50 contribui para manter uma tensão entre eles”, declara Lage. “Naquele tempo as mulheres eram mais reprimidas, não trabalhavam fora. As pessoas casavam cedo e tinham filhos. A mulher dos anos 50, além de bela e bem cuidada, devia ser boa dona-de-casa, esposa e mãe. Nesse contexto, o espartilho tem uma simbologia forte”, afirma Dani Mustafci.

Virginia é jovem, inteligente, culta, ouve Elvis Presley. “Pianista diletante, é intelectual, gosta de poemas, seu autor preferido é Olavo Bilac. É casada com um homem rude que condena seus hábitos. Casou-se por amor, idealizou um casamento que a realidade se encarregou de desfazer”, conta a atriz, que buscou inspiração em Doris Day e Audrey Hepburn para compor a personagem.

Ambrósio é um personagem elegante e cheio de estilo. “Um sedutor, cujo objetivo é conquistar Virginia”, conta Fábio Ock, que teve como referência para montar seu papel a figura do ator Clarke Gable. O casal estabelece, então, um jogo de sedução e fantasia.

Os elementos cenográficos, assim como iluminação e trilha sonora, contribuem para uma ambientação realista e histórica, com peças de mobiliário da época estabelecendo um clima nostálgico e onírico.

Ficha Técnica
Espartilho - Texto: José Antonio de Souza. Direção: Roberto Lage. Assistência de Direção: Renata Zanetha. Elenco: Dani Mustafci e Fábio Ock. Cenário: Heron Medeiros. Figurinos: Luciano Ferrari. Assistente de figurino: Elen Zamith. Costureira: Maria de Lourdes Oliveira. Iluminação: Wagner Freire. Trilha Sonora: Aline Meyer. Fotografia: Tika Tiritilli. Preparação de ator e preparação corporal: Renata Zanetha. Coreografia do Tango: Junior Abreu. Preparação Vocal: Frederico Santiago. Visagismo: Gleiber (Gleiber Hair) e Ana Luiza Icó. Operação de som e luz: Rafael Burgath. Direção de Cena: Alexandre Torres. Designer Gráfico: Maurício Tramonti. Apoio Logística: Leonardo Cássio e Thais Polimeni (Cult Cultura). Assistente de Produção: Silvia Lana. Produtores Associados: Dani Mustafci, Elza Costa, Edinho Rodrigues. Direção de Produção: Brancalyone Produções Artísticas (Edinho Rodrigues e Elza Costa). Censura: 12 anos. Duração: 65 minutos.

Serviço
Ingressos: GRATUITOS. Sexta e Sábado, 20h e domingo, 19h.
3 únicas apresentações dias 02, 03 e 04 de dezembro de 2011.
Teatro ZANONI FERRITE – Endereço: Avenida Renata, 163, Vila Formosa - Telefone: (11) 2216-1520 Capacidade: 205 lugares. Horário de funcionamento da bilheteria: dia do espetáculo, a partir das 17h. Não aceita os cartões de crédito e débito. Possui acesso para deficientes e ar condicionado.

Fonte:Edinho Rodrigues