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Resquícios Brutos

Publicada em : 16/06/2017

As três bailarinas que compõem o Núcleo Mirada dançam estimuladas por trilha que recria diversos ambientes urbanos

Roni Diniz
O que a cidade produz no corpo dos seus moradores? Essa é uma das questões propostas pelas bailarinas do Núcleo Mirada – formado por Christiana Sarasidou, Karime Nivoloni e Liana Zakia - no espetáculo Resquícios Brutos, contemplado pelo Proac 2016 de Criação em Dança e com estreia programada para o dia 27 de junho, terça-feira, às 20h, no Teatro Sérgio Cardoso. Os ingressos custam R$10 (inteira) e R$5 (meia).

Resquícios Brutos é um desdobramento de uma série de intervenções urbanas realizadas pelo Núcleo no ano de 2016 em espaços públicos de São Paulo. As atividades contavam com participação de artistas de diversos segmentos, como música, literatura e artes visuais.

A última dessas ações, denominada PIKAPE, consistia em movimentos de dança estimulados por músicas geradas por dois DJs. “PIKAPE foi a base para a investigação de Resquícios Brutos. A partir dali pesquisamos algumas possibilidades de relações físicas entre corpos”, conta Liana.

O espetáculo é composto por diferentes qualidades de movimento. Em alguns trechos, a pesquisa corporal se deu a partir da observação de corpos de pessoas em situação de rua. Em outros, assume camadas mais abstratas, referentes às percepções singulares das artistas sobre o centro da cidade. Neste trabalho, buscam construir uma relação com o espectador na qual se estabeleça uma sensação de deslocamento pelos espaços em que diversas paisagens e situações são reveladas: “criamos um discurso corporal que busca elaborar, dentre outros aspectos, o estado de instabilidade que vivemos como artistas no atual contexto político”, explica Karime.

Segundo as artistas, Resquícios Brutos tem a ver com corpos que se desmontam e que são sobras deles mesmos. O trabalho ressalta os hiperestímulos da cidade de São Paulo e também a sua banalização. “Acontece tanto que nós começamos a encarar tudo como se fosse absolutamente normal. É como se parássemos de enxergar para poder cumprir as metas diárias”, conta Karime.

Para ressaltar os diferentes universos da cidade, as bailarinas optaram por dar força aos estímulos musicais. Na trilha de Danilo Pera, há sons instrumentais e outros com letras se alternam e também marcam as diferentes cenas trazidas pelas artistas. Nas letras cantadas, o Núcleo pesquisou sonoridades brasileiras distintas, partindo desde o universo do cantor Belchior até o forro do Pé de Mulambo e o clássico da MPB, Vapor Barato, letra de Jards Macalé e Waly Salomão.

A iluminação de Rodrigo Galdino também recria os ambientes em contato com a trilha sonora e as bailarinas em cena. O figurino de Emília Reily traz elementos bem presentes em roupas do cotidiano, explorando neste contexto uma série de cores e texturas que se veem na cidade.

Na equipe de criação, o Núcleo Mirada também conta com assistência coreográfica da artista Ângela Nolf. “Ela nos indica para qual direção estão indo os movimentos sem impor dramaturgias,  com uma postura de diálogo e de provocadora, nos fazendo entender melhor sobre o material que estamos produzindo”, relata Christiana.

Após as sessões no Teatro Sérgio Cardoso, o espetáculo passará ainda por Campinas e Araras.

Sobre o Núcleo Mirada

O Núcleo Mirada surge em 2010 quando selecionado para integrar o programa de residência artística da Casa das Caldeiras (SP) Obras em Construção OngoingArtworkProjects. Durante este período (junho de 2010 a novembro de 2011) as integrantes desenvolveram laboratórios de pesquisa artística que resultaram no espetáculo Mirada, apresentado em locais como Sesi, Festival ABCDança entre outros.

Em 2011, o Núcleo foi contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – com o projeto Epifanias Urbanas em parceria com a Cia das Atrizes. Em 2012, o projeto Silêncios Humanos iniciou a trajetória que se desdobrou na Plataforma Cala, que foi contemplada pelo PROAC 08/2013 - Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo – para a realização do espetáculo Cala. Cala estreou dia 29 de agosto de 2014 em Campinas, no MIS – Museu da Imagem e do Som. O trabalho, criado especialmente para espaços não convencionais, esteve em cartaz em locais como: Casa do Povo, Oficina Cultural Oswald de Andrade – São Paulo SP – Oficina Cultural Altino Bondessan – São José dos Campos SP – Oficina Cultural Carlos Gomes – Limeira SP, dentre outros.

O Núcleo foi contemplado pelo programa de residência artística Obras em Construção OngoingArtworkProjects, nas edições de 2011, 2012 e 2014, estabelecendo uma parceria com o Espaço Cultural Casa das Caldeiras para o desenvolvimento de seus projetos artísticos. Em 2015 foi contemplado pela 18ª Edição da Lei de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, para a realização do Projeto Rede Cala, concluído em outubro de 2016. Ainda neste mesmo ano teve o Projeto Resquícios Brutos selecionado pelo PROAC/16 de criação em dança. Atualmente é formado pelas artistas Christiana Sarasidou, Karime Nivoloni e Liana Zakia, todas com formação em Dança e residentes na cidade de São Paulo. Para mais informações sobre o trabalho do Núcleo, acesse www.nucleomirada@blogspot.com.br


Serviço

Núcleo Mirada
– Resquícios Brutos. De 27 a 30 de junho, terça a sexta-feira, 20h, no Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Centro – São Paulo). Telefone: (11) 3251-5122. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Capacidade: 144 lugares.  Classificação Indicativa: Livre. Duração: 60 minutos.


Fonte:Arteplural Comunicação