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A Vida Dela

Publicada em : 24/05/2017

Capobianco apresenta nova temporada de 27 de maio a 20 de junho

Lenise Pinheiro
Instituto Cultural Capobianco mantém vocação de fomentar o teatro e viabiliza patrocínio da Construcap e Goiasa. Reflexão sobre a loucura no âmbito familiar é tema da comédia dramática de Priscila Gontijo, dirigida por Mário Vedoya

O Instituto Cultural Capobianco apresenta a segunda temporada da  peça A Vida Dela, escrita por Priscila Gontijo e dirigida por Mario Vedoya, entre 27 de maio e 20 de junho, no Instituto Cultural Capobianco. O elenco reúne Gabriela Flores, Silvio Restiffe e Donizeti Mazonas (no lugar de Ernani Sanchez). A peça teve leitura realizada no Instituto Cultural Capobianco.

Com patrocínio da Construcap e Goiasa, a montagem da peça é resultado de mais uma ação de incentivo e fomento à dramaturgia do Instituto Cultural Capobianco, que reuniu, nos últimos anos, alguns dos maiores autores contemporâneos do país para leituras públicas de espetáculos, workshops e debates.

Izabel (Gabriela Flores) é uma professora de artes especialista em teatro do absurdo e escreve peças que nunca foram encenadas. Lucas (Donizeti Mazonas) é um cineasta que sobrevive de filmes publicitários. Eduardo (Sílvio Restiffe) é um matemático desempregado com um distúrbio mental grave. O pai desses três irmãos é um escritor que se faz presente apenas pelo som de sua máquina de escrever. A pedido do pai, Izabel e Lucas visitam Rodrigo e se deparam com traumas e ressentimentos que fazem uma crise reverberar em toda a família.

Doença mental diagnosticada em um irmão põe em dúvida a sanidade dos outros e desencadeia ressentimentos e crises entre familiares. Izabel (Gabriela Flores) é uma professora de artes especialista em teatro do absurdo e escreve peças que nunca foram encenadas. Lucas (Donizeti Mazonas) é um cineasta que sobrevive de filmes publicitários. Eduardo (Sílvio Restiffe) é um matemático desempregado com um distúrbio mental grave. O pai desses três irmãos é um escritor que se faz presente apenas pelo som de sua máquina de escrever. A pedido do pai, Izabel e Lucas visitam Eduardo e se deparam com traumas e ressentimentos que fazem uma crise reverberar em toda a família.

A montagem de Mario é posterior à encenação carioca dirigida por Delson Antunes com a atriz Isabel Geron e os atores Vandré Silveira e Rodolfo Mesquita. Mario conheceu a peça em 2013 no Ciclo de Leituras do Instituto Cultural Capobianco.  Idealizado por Fernanda Capobianco, o Ciclo de Leituras e o Projeto Terceira Margem III, também da instituição, reuniu nos últimos anos alguns dos maiores autores contemporâneos do país para leituras públicas de espetáculos, workshops, debates e muito mais.

Ao entrar em contato com o universo e a poética de Priscila Gontijo, que teve todas as peças lidas por atores no Capobianco, Mario traduziu-a para o espanhol a fim de estrear uma montagem argentina. “Além de extremamente bem escrita, a peça é acessível para todos os tipos de público”, destaca o diretor. Convidado pela dramaturga para dirigir a peça no Brasil, aceitou prontamente, compondo a equipe junto à atriz Gabriela Flores e os atores Silvio Restiffe e Ernani Sanchez.

Por ter assistido a leitura da peça no Capobianco, traduzido o texto para os idiomas castelhano e espanhol com a assistência de Priscila e visto encenação carioca, a autora se diz plenamente segura em ter entregado o texto a ele. “Os atores e eu ficamos espantados, porque ele sabe cada fala da peça de cor”, destaca a dramaturga.

Mario optou por uma montagem semelhante à da “tragicomédia absurda”, que coloca em xeque a loucura “oficial” de Eduardo e as loucuras menos explícitas dos seus dois irmãos. Projeções de letras sobre uma porta, objetos antigos e uma sonoridade estranha que oferece circuitos de tensão à peça são alguns dos elementos cênicos escolhidos por Mario.

Nascido na Argentina e radicado na Espanha, o ator e diretor tem um trabalho consistente nas artes cênicas e teve o caminho cruzado pelo diretor e dramaturgo Jose Sanchis Sinisterra, que chegou a considerá-lo um “ator fetiche”. Sobre a permanência no Brasil, ainda indefinida, Mario ressalta a paixão pelo país e, especificamente, por São Paulo, que considera a capital latino americana de teatro.

O nascimento da peça

A ideia inicial de A Vida Dela foi oferecida à Priscila por Isabel Guéron, atriz que foi presenteada com o nome da protagonista e que a interpretou na temporada carioca de Delson Antunes. “Parti de uma ideia aberta da Isabel sobre uma história que explorasse a relação entre irmãos”, conta Priscila.

A partir desse tema, a dramaturga concebeu personagens desajustados que precisam lidar com a doença mental de um dos irmãos. A escolha pelos ofícios em artes dos personagens (Izabel é dramaturga, Lucas é cineasta e o pai ausente é escritor) fazem o espectador refletir sobre como as realidades e pontos de vistas são diversos e também ficcionais, dissolvendo o caráter da loucura apenas do irmão diagnosticado com esquizofrenia.

Segundo Priscila, autora das peças já encenadas Soslaio, São Paulo, Os Visitantes, A Vida Dela (montagem carioca) e Uma Noite Sem o Aspirador de Pó (montagem paulistana e carioca), a loucura é um dos seus temas mais recorrentes em teatro. “Convivi desde criança em manicômios devido a duas tias minhas que têm problemas mentais, então as questões em torno da loucura aparecem muito na minha obra”, conta a dramaturga.

Entre as referências que compõem uma estética que pode ser lida como a do teatro do absurdo, Priscila destaca autores como Franz Kafka, Eugène Ionesco, Samuel Beckett, Harold Pinter, Ingmar Bergman e as peças míticas de Nelson Rodrigues.

A artista elege, ainda, a própria linguagem como uma das suas obsessões na escrita. “Cresci numa família de artistas e em meio a grandes escritores e artistas daquela época”, diz Priscila, citando como exemplo o cartunista Henfil e escritores e poetas como Otto Lara Resende, Paulo Mendes de Campos, Rubem Alves, e Hélio Pellegrino.

De agenda cheia, Priscila terá três peças encenadas ao longo do ano. Além de A Vida Dela, será lançada a inédita Dançando no Arame - direção de Eric Lenate e elenco composto por Michelle Boesche, Vanise Carneiro, Rafaela Cassol e Luiz Serra - e circulará por cidades de São Paulo, pelo edital Viagens Teatrais, do SESI-SP, a montagem carioca de Uma Noite Sem o Aspirador de Pó, com direção de Charles Asevedo e Flavia Pucci e Joelson Medeiros no elenco.

Priscila também está desenvolvendo um argumento cinematográfico com o diretor Heitor Dhalia (Cheiro do Ralo e Serra Pelada, entre outros), e está buscando financiamento para estrear a peça teatral inédita #Itinierários_essa bola de ferro em seus olhos, com direção de Isabel Teixeira e elenco composto por Flávia Strongolli, Fabiano Augusto, Gustavo Vaz e Ivo leme.

Serviço
A Vida Dela
, de Priscila Gontijo. De 27 de maio a 20 de junho, sábados às 21h e domingos às 19h, no  Instituto Cultural Capobianco. Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 97 - Centro, São Paulo - SP, 01050-070. Metrô Anhangabaú.Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia). Capacidade: 50 lugares (espaço subterrâneo). Telefone: (11) 3255-8065

Fonte:Arteplural Comunicação