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Salve, Malala

Publicada em : 09/05/2017

Espetáculo infantil está em cartaz no SESC Ipiranga e irá reestreiar no Teatro Arthur Azevedo

Felipe Stucchi
Inspirado na vida da Nobel da Paz, montagem, que reestreia no próximo dia 10 de junho, discute o direito ao ensino nas escolas.

Duas crianças - uma menina e um menino (Sofia e Yan) - vivem numa aldeia em que o rei promove uma guerra contra escolas para meninas. Elas ocupam sua escola, e ali, por meio de suas memórias, recontam algumas histórias de habitantes que resistiram às ordens do rei. 

Quando Yan (Alessandro Hernandez) e Sofia (Léia Rapozo) ocupam sua escola, relembram e contam histórias de habitantes que resistiram às ordens do rei que promoveu a guerra. Essas memórias sugerem levar os jovens a reconhecer a escola como um lugar de compartilhamento e cidadania.

Dirigido por Cris Lozano, o espetáculo é livremente inspirado na história da estudante paquistanesa Malala Yousafzai, que enfrentou o grupo extremista Talibã pelo direito de estudar. Em 2014, Malala foi a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, devido à sua resistência. Mesmo não sendo uma personagem da peça, a adolescente é a referência que inspira o texto.

O espetáculo fez sua primeira temporada em São Paulo no SESC Ipiranga. Foi contemplado em 2015 com o Edital ProAc de Produção de Espetáculos para Crianças e em 2016 viajou por municípios da Grande São Paulo e também pelos SESCs do Interior.

Segundo a diretora Cris Lozano, SALVE, MALALA! pretende ampliar sensações a partir de uma história real. “No espetáculo, damos voz a muitas crianças e adolescentes, assim como ocorreu em 2016, nas ocupações das escolas em vários estados brasileiros. Isso também nos remete ao pronunciamento da estudante secundarista Ana Julia, ocorrido em outubro do ano passado na ALEP, quando ela questiona A quem a escola pertence?”, comenta a diretora. Para a atriz Léia Rapozo, o espetáculo propõe uma reflexão além do espaço público escolar. “Nosso trabalho quer questionar o pertencimento das pessoas em relação ao local onde elas moram e como isto pode ser de fato efetivado, junto com o direito que elas têm sobre ele. Esperamos que o público possa refletir com a gente sobre essas questões”, afirma a atriz.

Além das personagens Sofia e Yan, Léia Rapozo e Alessandro Hernandez fazem outras personagens que são rememoradas em cena. Elas são representadas nas figuras de professores e professoras, mulheres, ditador e sua subordinada, e muitas crianças de vários gêneros. “Todas elas estão implicadas na experiência de vida que não se ensina apenas nos livros , mas que se dá também através do convívio, da observação e do encontro”, ressalta o ator Alessandro Hernandez, que também assina a dramaturgia do espetáculo.

Embora a própria Malala não apareça na história como uma personagem, “ela foi a alavanca para nos lançarmos nessa possibilidade de pensar que uma escolha de vida também é uma escolha de se fazer arte”, diz a diretora Cris Lozano, que aponta, como o maior desafio no trabalho, tratar da questão da autonomia no ensino. Em tempos políticos tortuosos, a diretora propôs criar um espetáculo para todos que têm vontade de pensar a educação como uma forma de arte. “Estamos vivendo um momento no nosso país de desmanche de valores conquistados para a formação dos nossos jovens. Com a Lei de Reforma do Ensino Médio, na qual as disciplinas de Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes já não são obrigatórias, entendemos que a liberdade de pensamento, de reflexão e a sensibilização do aluno não são mais prioridades para se ler o mundo em que vivemos. Com isso, foi retirado o lugar do prazer e do exercício da coletividade que estas matérias proporcionam. Neste sentido, o espetáculo dá um passo atrás e propõe recuperar valores básicos de sociabilização, reflexão, uso compartilhado da memória de um povo, valorização da comunidade e o uso do direito da voz feminina”, complementa a diretora.

CENÁRIO, FIGURINOS, ILUMINAÇÃO E TRILHA SONORA
O cenário traz a ideia de um lugar de refúgio em uma situação de guerra. No período de criação do espetáculo, vivia-se aqui no Brasil a realidade de várias escolas públicas ocupadas e isso serviu de referência para a criação de uma determinada espacialidade - além das escolas construídas de alvenaria do Paquistão. Embora o espetáculo não se passe em um país tomado pelos Talibãs, há um mix de referências de elementos da indumentária do Paquistão e países vizinhos na elaboração dos figurinos. A trilha sonora foi composta a partir da proposta dos atores nos workshops de criação das cenas. A luz do espetáculo teve a preocupação de construir artesanalmente o ambiente da escola e a atmosfera de guerra. Todos os artistas criadores - Eliseu Weide, Grissel Piguillem e Luciano Antonio Carvalho - foram muito propositivos e parceiros na criação do espetáculo.

SALVE, MALALA! [ CIA. LA LECHE

Até 04/06
SESC Ipiranga
R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga
F: 3340-2000
Domingo às 11h

De 10/06 a 02/07
Teatro Arthur Azevedo
Av. Paes de Barros, 955 - Mooca
F: 2605-8007
Sábado e domingo às 16h
Felipe Stucchi

Fonte:Alessandro Hernandez