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Gavião de Duas Cabeças

Publicada em : 04/05/2017

Reestreia na SP Escola de Teatro

Divulgação
A atriz Andreia Duarte conviveu durante cinco anos com os índios Kamayura no alto Xingu e faz um depoimento estético-político sobre a invisibilidade social indígena e o atual genocídio a que estão submetidos.

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, com criação e atuação de Andreia Duarte e direção de Juliana Pautilla, retorna em cartaz à São Paulo a partir do dia 7 de maio de 2017 (domingo). E continua até 05/06 nos sábados, domingos e segundas-feiras (sábado às 21h, domingo e segunda 20h) na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).

A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças - um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito - que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico - norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.

O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcações, passando este poder para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a sua sobrevivência, logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.

A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.
Sinopse

O mito do gavião de duas cabeças - um pássaro que devora o espírito indígena, que sobrevive mesmo depois da morte do corpo, norteia a montagem do espetáculo Gavião de Duas Cabeças. A partir dessa imagem de morte e genocídio, a peça costura discursos atuais a partir da experiência pessoal da atriz. Os discursos encenados são reais e permeiam a atual realidade política e social brasileira: de um lado o discurso ruralista, de outro o indígena e ainda o da atriz que viveu em ambos os contextos, o urbano e o indígena.

“Gavião de duas cabeças”
A partir do dia 07/05 até 05/06 nos sábados, domingos e segundas-feiras (sábado às 21h, domingo e segunda 20h)
SP Escola de Teatro
Praça Roosevelt, 210 • Centro
Tel: 11 3775.8600

Fonte:Willian Rafael