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Uma despedida fiel

Publicada em : 08/03/2017

Somente 3 apresentações: dias 10, 11 e 12 de março no teatro do Ator

Divulgação
Uma Despedida Fiel é, antes de mais nada, uma indagação: o que é o amor, afinal? Na peça, dois personagens surgem numa estação de trem, motivados pelo fim de seus relacionamentos. Bento aguarda o retorno de quem um dia o abandonou, e Lourenço, ao contrário, assume o lugar de quem, agora, parte. Aparentemente antagônicos, tanto Lourenço quanto Bento, são personagens de uma mesma cena: a separação. Esse encontro é o ponto de partida para se discutir o conceito de amor, tendo, ao fundo, a temida cena do abandono. Com opiniões divergentes, estes personagens incitam uma reflexão tão profunda quanto complexa a respeito do amor e seus limites. O amor tolera a liberdade? É possível amar com a convicção de que o outro pode partir?
 Ao tratar o amor sob a ótica da liberdade, o espetáculo discute a noção de amor eterno e as condições normalmente associadas à ideia de amor duradouro. O trabalho ressoa com o pensamento de Rubem Alves - “amar é ter um pássaro pousado no dedo” - ao lançar um olhar poético sobre a cena da despedida, não atribuindo a ela, necessariamente, o fim do amor.
A peça coloca um zoom no modus operandi do amor romântico, dando vazão ao tema do desejo e da mecânica que opera os padrões dos relacionamentos humanos. O reconhecimento de um imaginário sobre o amor, perpetuado no discurso produzido pela arte ao longo do tempo, nos permite apontar a mecânica da simbiose como motivo do amor romântico. De fato, teatro, canção popular, TV, cinema e literatura exercem um poder massificante sobre a afetividade social. Personagens emblemáticos como Ulisses e Penélope, Tristão e Isolda, Romeu e Julieta e tantos outros que os sucederam, nutrem uma noção de experiência amorosa a partir de uma unidade: o par. Em Uma Despedida Fiel, a cena da separação surge para questionar a ideia de finitude do amor. A peça ilumina o caráter massivo que tal lógica de afetos assume na cultura contemporânea, dando lugar à liberdade como condição essencial a uma noção de amor que não se restringe à ideia de “dois” ou “para sempre”.
O espetáculo integra uma série de trabalhos sobre o amor, intitulada Anti Romântico. Esse projeto foi contemplado pelo Prêmio Myriam Muniz 2014 e circulará pelo Rio de Janeiro, Fortaleza, São Paulo e Recife.

Dois personagens aguardam uma resposta do destino enquanto esperam um trem numa estação vazia. Nesse lugar, palco tão frequente de abandonos e reencontros, Bento e Lourenço revelam-se protagonistas de uma mesma cena: a separação. Bento escreve cartas imaginárias que carregam falsas promessas do retorno de um amor que se foi. Lourenço é um fotógrafo com visão libertária que entende a fotografia como uma tentativa de imobilizar qualquer dinâmica da vida, em outras palavras, a própria morte. Enquanto um dos personagens inventa situações de controle de uma união que não existe mais, o outro, que parte, reconhece que qualquer tentativa de domínio sobre essas dinâmicas é ineficiente. Viver um amor é compreender que, ao longo do tempo, ele se transforma.

O espetáculo do Teatro dos Ventos – Confraria Artística propõe uma indagação sobre o amor e a liberdade. Em cena, dois personagens vivem momentos de separação em uma estação de trem. Por meio da escrita e da fotografia, cada um reescreve a sua história de esperança ou resignação. Esse projeto foi contemplado pelo Prêmio Myriam Muniz 2014.

”O que realmente está acima de qualquer crítica é a atuação admirável desses dois generosos artistas. Fernando Martins e Luiz Felipe Ferreira voam pelo palco, a cinco mil palavras por minuto, se deslocando em meio às deliciosas histórias e provocando, com suas exímias interpretações, um vendaval que carrega o público consigo. Quando eles estão em cena, voamos com eles e o tempo não faz a menor diferença. Vale muito a pena assistir!”
Por James Fensterseifer, diretor da Cia Brasilienses de Teatro

“A cena é silenciosa, estendida, ouso dizer que quase vazia, mas extremamente preenchida pela força da atuação de Fernando e Luiz Felipe que construíram dois personagens possíveis, verossímeis, carregados de nuances sentimentais tão aproximativas, tão convidativas (...). Os dois atores, cúmplices em cena, dão valor a cada palavra dita, entendem as situações em que estão inseridos e nos convidam, com a qualidade do exercício que praticam em cena, a ficar com eles, mesmo quando a trama apresentada tarda a se esclarecer. No palco, o texto é colocado em seu patamar maior, aquele de quem é respeitado. Assim, por tabela, enquanto público somos também levados a valorizar aquilo que estamos ouvindo, a tentar decifrar as palavras, os enigmas, os imbróglios que no texto tardam a se desvendar, enquanto somos fisgados pela ingenuidade de Bento e ficamos intrigados pela insistente curiosidade de Lourenço. Uma Despedida Fiel é, na minha opinião (que é apenas mais uma), um espetáculo de atores e texto, corrigindo: de dois bons atores e bons textos. Mas antes de tudo, é a prova de que o envolvimento e a iniciativa própria podem gerar bons resultados e manter viva a pluralidade do teatro desta cidade.  Bravo!  Bravos Fernando e Luiz Felipe.”
Por Édi Oliveira, ator, bailarino e diretor da
Dança Pequena – Grupo de Dança Contemporânea


SERVIÇO DA TEMPORADA:
Uma Despedida Fiel

Data: 10, 11 e 12 de março
Sexta 21 hrs
Sábado – 22h
Domingo – 19h
Ingressos R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia entrada)
Classificação indicativa: livre
Duração 60 min.
Teatro do Ator
Praça Roosevelt, 172
Tel 3257 3207
Capacidade de lugares - 88 cadeiras fixas e 12 extras
Ar condicionado - sim
Acesso  deficiente - sim
Wifi - sim
Valor do estacionamento - variado são vários na região

Fonte:Flavia Fusco Comunicação