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O Tambor e o Anjo

Publicada em : 20/02/2017

Únicas apresentações no Viga Espaço Cênico

Divulgação
A peça repassa os conflitos de geração e embates ideológicos que inflamaram a sociedade brasileira nas décadas de 60 e 70. Neste contexto, Eliane está internada num sanatório. Ela revive o que aconteceu misturando fatos históricos e pessoais, delírio e memória.

Como a peça é uma coletânea de flashbacks da vida de Eliane,  os personagens encontram-se em cena, como uma espécie de “psicodrama”, onde o público faz às vezes do médico e os outros atores funcionam como os egos auxiliares
A protagonista manipula os personagens, colocando-os em função de suas lembranças. Aos poucos, as cenas da família, da escola, e dos amigos de Eliane vão se formando à vista do espectador, que é levado a envolver-se e identificar-se com o drama da personagem. Desta forma, o próprio público transforma-se em paciente, vendo a si mesmo, procurando pontos de consonância com a história que vai se desenrolando a sua frente.
O tom da peça é intimista, Eliane conversa com o público, explicando que sabia de tudo o que podia acontecer, mas que mesmo assim sentiu-se impotente para tomar qualquer atitude. É esta relação agente-paciente que a plateia vive. Ao mesmo tempo em que é paciente e apenas ouve e assiste o relato de Eliane, é agente da sua própria vida, reconhecendo os modelos e papeis sociais representados no palco: a religião e a preservação da família pela mãe, o respeito às normas e ao sistema pelo pai, a descoberta da sexualidade através das amigas, a juventude iconoclasta dos anos 60 e 70 através do irmão.

Durante a década de 60, o Brasil passou por um dos momentos mais graves da sua História. Um golpe de estado depôs o Presidente João Goulart, eleito pelo voto popular e deixou o poder com os militares durante quase vinte anos. Embora erroneamente chamado de “Revolução” este fato marcante atingiu a todos, ainda que indiretamente e mudou não somente os rumos do país, mas exerceu um poder muito forte sobre o modo de pensar e agir do nosso povo.
Muitas famílias tiveram membros desaparecidos, mortos, presos ou deportados, e as que não se envolveram diretamente com política foram influenciadas pelo propósito de se forma  uma geração alienada da vida política da nação sob o pretexto de que apenas baderneiros se imiscuíam em tais assuntos.

O termo comunista tornou-se sinônimo de algo malévolo e aterrorizante. Há muito pouco tempo apareceram campanhas de conscientização sobre cidadania, pois somos frutos de uma postura educacional e até mesmo cultural, que pregava o individualismo e a não participação na vida pública.
2016 - Será isso que vivemos um  segundo golpe? Os jornais trazem quase que diariamente denúncias sobre a prática de violência e tortura, a corrupção está quase institucionalizada e ainda assim, temos uma participação reduzida nos destinos da nossa própria comunidade.
Resgatar este aspecto da nossa história é compreender um pouco da construção da nossa cidadania através dos tempos


“Os ventos sempre gostam de soprar em sentido contrário ao destino de muitos, navegantes ou não. Há muito tempo navegando nessa imensidão de anos, meses, dias e horas, quando já deveria estar perto de qualquer cais para descansar, afastar o temor de tudo e procurar viver o que lhes é merecido, sentem que a embarcação por cima dos pés está cada vez mais à deriva. “Então percebemos que é impossível fugir da deriva se não conhecermos as águas que navegamos.”

Serviço

Teatro:  Viga Espaço Cênico

End. :  Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros – próximo ao Metrô Sumaré
Telefone: 3801-1843
Dias: 06,13,20 e 27 de Março – todas as segundas de Março
Horário: 21 horas
Ingresso: R$ 40,00 e R$ 20,00
Duração: 80 min
Gênero: Drama histórico
Capacidade: 80 lugares
Classificação:  12 anos
Aceita cartão

Fonte:Cia. TRIPTAL de Teatro